O Primata (Primate, 2025) - Crítica e Fatos do Filme de Terror do Parmount+ O Primata (Primate, 2025) - Crítica e Fatos do Filme de Terror do Parmount+

O Primata (2025) Crítica do Filme de Terror | Paramount+

É preciso deixar claro que O Primata (2025) não tenta reinventar o cinema de terror. Johannes Roberts abraça uma premissa simples — um chimpanzé infectado pela raiva transformado em uma máquina de matar — e constrói um filme que aposta na tensão, na violência gráfica e no entretenimento direto. O resultado é uma produção que encontra força justamente por não esconder sua natureza de filme B, mas que demonstra um cuidado técnico acima da média dentro desse subgênero. Confira a crítica do filme disponível no Paramount+.

A história acompanha Lucy, que retorna à casa do pai, no Havaí, ao lado de alguns amigos para passar um fim de semana. O que deveria ser um reencontro familiar logo se transforma em uma luta pela sobrevivência quando Ben, o chimpanzé criado como membro da família, começa a apresentar um comportamento agressivo após ser infectado pela raiva. Isolados em uma propriedade cercada pela natureza, os personagens passam a enfrentar um predador que combina inteligência, força e imprevisibilidade.

O maior mérito do roteiro escrito por Roberts em parceria com Ernest Riera está em compreender exatamente qual história deseja contar. Em vez de recorrer a metáforas sobre trauma, relações familiares ou críticas sociais, o filme prefere investir em um suspense de sobrevivência clássico, no qual o perigo está sempre à espreita. É uma decisão que faz a narrativa manter um ritmo constante durante seus pouco menos de 90 minutos, evitando desvios que poderiam comprometer a experiência.

Embora os personagens sejam construídos a partir de arquétipos conhecidos do cinema slasher, o elenco consegue dar credibilidade às situações. Johnny Sequoyah assume o protagonismo como Lucy e conduz a narrativa com segurança, enquanto Troy Kotsur entrega uma atuação marcada pela humanidade do pai que enxerga Ben não apenas como um animal, mas como parte da família. Mesmo com espaço reduzido, Jess Alexander também aproveita sua personagem para adicionar leveza em meio ao caos.

Se existe um protagonista absoluto, porém, ele é Ben. A decisão de utilizar efeitos práticos, maquiagem, próteses e a performance física de Miguel Torres Umba faz toda a diferença. Em vez de depender exclusivamente de computação gráfica, O Primata cria uma criatura que transmite peso, presença física e ameaça constante. Há momentos em que o chimpanzé ainda demonstra traços do animal dócil que foi um dia, tornando sua transformação ainda mais desconfortável antes que a violência tome conta da tela.

Johannes Roberts também demonstra domínio na construção do suspense. A direção aproveita os corredores da residência, os ambientes escuros e até mesmo a piscina da propriedade para criar sequências que alternam silêncio e explosões repentinas de violência. Quando os ataques acontecem, o diretor não economiza nos efeitos gráficos. Ossos quebrados, mordidas, mutilações e mortes criativas colocam o longa entre as produções mais violentas recentes do terror comercial.

Visualmente, o trabalho do diretor de fotografia Stephen Murphy contribui para ampliar essa sensação de isolamento. A beleza das paisagens havaianas contrasta constantemente com a brutalidade dos ataques, enquanto o design de produção utiliza a arquitetura da casa para transformar cada ambiente em uma possível armadilha. A trilha sonora inspirada nos sintetizadores dos anos 1980 reforça essa proposta de homenagem aos filmes de terror daquela década, ainda que, em alguns momentos, o estilo se sobreponha ao suspense.

Nem tudo funciona com a mesma eficiência. O desenvolvimento inicial da relação entre Ben e a família poderia ser mais explorado antes da transformação do animal. Como consequência, parte do impacto emocional acaba sendo reduzida quando a violência começa. Além disso, alguns personagens existem apenas para cumprir funções previsíveis dentro da estrutura do slasher, limitando qualquer aprofundamento dramático.

Crítica do filme: vale à pena assistir O Primata no Paramount+?

Ainda assim, essas limitações pouco comprometem a proposta. O Primata entende que seu objetivo é entregar tensão, ataques brutais e um predador memorável, sem tentar se apresentar como algo além disso. Johannes Roberts conduz a narrativa com eficiência, valoriza os efeitos práticos e constrói diversas sequências capazes de manter o espectador em constante estado de alerta.

No fim, O Primata funciona justamente por assumir sua identidade sem receios. É um terror de sobrevivência que presta homenagem aos filmes de criaturas das décadas de 1980 e 1990, aposta em cenas de ação intensas e encontra no chimpanzé Ben um antagonista tão assustador quanto imprevisível. Para quem procura um filme preocupado em oferecer entretenimento direto, violência gráfica e suspense contínuo, a produção do Paramount+ entrega exatamente aquilo que promete.