Depois de mais de duas décadas desde o lançamento do primeiro filme e 14 anos após o último capítulo da série, Todo Mundo em Pânico retorna aos cinemas apostando em uma fórmula conhecida: parodiar os maiores sucessos do terror contemporâneo enquanto recupera os personagens que transformaram a franquia em um fenômeno dos anos 2000. O resultado, porém, é uma produção que alterna momentos de inspiração com longos trechos que dependem mais do reconhecimento das referências do que da força das próprias piadas.
A principal novidade está nos bastidores. Com o retorno de Marlon Wayans e Shawn Wayans ao controle criativo da série, a expectativa era de uma retomada do espírito que marcou os dois primeiros filmes. Há sinais dessa intenção logo na abertura, que apresenta uma participação especial inesperada e estabelece um tom irreverente capaz de arrancar algumas das melhores risadas do longa.
A trama utiliza como base os chamados “requels” de terror, especialmente os capítulos mais recentes da franquia Pânico. Cindy Campbell, novamente interpretada por Anna Faris, surge agora como uma figura paranoica e isolada, em clara referência às heroínas traumatizadas dos filmes modernos. Ao lado de Brenda Meeks, vivida por Regina Hall, ela se vê envolvida em uma nova sequência de assassinatos que serve de desculpa para uma enxurrada de referências à cultura pop recente.
Entre os alvos estão produções como M3GAN, Premonição, Corra! e Sorria. O problema é que o filme raramente encontra uma abordagem realmente criativa para essas sátiras. Muitas vezes, as referências funcionam apenas como reconhecimento imediato para o público, sem desenvolver uma construção cômica mais elaborada.
Essa irregularidade acompanha toda a narrativa. Algumas sequências isoladas funcionam muito bem, especialmente quando o roteiro abandona o terror e parte para paródias mais inesperadas. Há também momentos em que o elenco demonstra grande sintonia, com Anna Faris e Regina Hall retomando a dinâmica que sempre foi um dos pontos fortes da franquia.


Por outro lado, diversas piadas parecem presas a fórmulas antigas. O humor baseado em estereótipos, recorrente na série desde o início, retorna em grande quantidade. Em alguns momentos, o filme consegue transformar essas provocações em comentários sobre Hollywood e a cultura pop. Em outros, a sátira perde força e passa a soar apenas repetitiva.
Crítica do filme: vale à pena assistir Todo Mundo em Pânico (2026) nos cinemas?
O longa também enfrenta dificuldades ao tentar dialogar com temas atuais. Algumas críticas sociais surgem ao longo da história, mas nem sempre encontram um equilíbrio entre provocação e comicidade. Quando isso acontece, a sensação é de que o filme está mais interessado em gerar controvérsia do que em construir uma boa piada.
No fim, Todo Mundo em Pânico (2026) oferece exatamente aquilo que promete: uma sucessão de esquetes, referências e humor escrachado. Existem momentos genuinamente engraçados e um evidente carinho pelos personagens clássicos da franquia. Ainda assim, a produção encontra dificuldades para justificar seu retorno em uma época na qual o próprio gênero da paródia precisa se reinventar. O resultado é uma continuação que diverte em alguns instantes, mas que raramente alcança o impacto dos melhores capítulos da série.

