O Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy é uma referência para todas as áreas da produção de animação no mundo. Aqui há espaço para experimental, estudantes, profissionais, empresas, curtas, longas e também para a prévia de grandes lançamentos mainstream. Foi o caso de “Ralph 2.0”, “Como Treinar Seu Dragão 3”, “Hotel Transilvânia 3” e o tão esperado “Os Incríveis 2”, que tive a honra de assitir. Vi também o diretor Brad Bird receber um prêmio especial do festival por sua carreira e trabalhos relevantes (“Ratatouille”, “Tomorrowland” entre outros).

A sala estava lotada, aplausos intermináveis e os tradicionais aviõezinhos de papel jogados pela plateia no palco. Antes mesmo de começar, “Os Incríveis 2” já era sucesso. É claro que eu me diverti demais com o filme. A parte técnica é quase irretocável, mostrando uma qualidade de computação gráfica que coloca a animação 3D em novos patamares de possibilidades, texturas, explosões e efeitos de iluminação. Mas não vou me deter a analisar tanto “Os Incríveis 2”, para quem quiser tem a análise aqui no link (http://cosmonerd.com.br/cinema/critica/os-incriveis-2/).

Vou falar sobre “Bao”, curta dirigido por Domee Shi que será exibido antes de “Os Incríveis 2” nos cinemas. O filme é de uma sensibilidade e ao mesmo tempo tem toques de humor capazes de tocar o mais frio dos espectadores. A história de amor e proteção da mãe por seu filho, e seus sinais de amor através da tradicional culinária chinesa são ingredientes poderosos.

Melhor do assistir ao filme, é poder ouvir e ver a canadense de origem chinesa Domee Shi comentar sobre os detalhes dessa produção. A primeira diretora mulher da Pixar emplacar um curta nos lançamentos da empresa mostrou todas as suas principais referências. Entre elas a sua própria relação com a mãe, os rascunhos do personagem carismático de ‘Bao’ e de ideias abandonadas por serem gorduras da história ou por redução de custos de produção mesmo. Domee e a produtora Becky Neiman explicaram também como utilizaram a luz e a sombra como recursos para mostrar o afastamento entre Bao e sua mãe. Além do cuidado do estudo de texturas das comidas chinesas para serem modeladas em 3D e animadas nas cenas do filme, que são plasticamente bonitas também.

Domee Shi
Domee Shi na sessão de autógrafos. Foto: G. Piel/CITIA

Se vale a pena assistir ao filme “Os Incríveis 2”? Vale demais, até porque antes dele vem “Bao”. Por mais diretoras na animação, elas tem competência para isso já há tempos.

 

 

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