Patrulha do Destino continua insana. Ainda bem

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Patrulha do Destino abre sua nova temporada mostrando que não existe limite para a insanidade

Enquanto o mundo estava ocupado com outras coisas, o DC Universe lançou a primeira temporada de Patrulha do Destino (Doom Patrol). Misturando com maestria doses de loucura, estranheza, humor e desenvolvimento de personagens, a série foi uma das grandes surpresas do último ano. No entanto, uma dúvida ficou no ar para a segunda temporada: seria possível manter a qualidade ao mesmo tempo em que se explora novos caminhos? Felizmente, a resposta é extremamente positiva.

Agora nas telas do HBO Max, os três primeiros episódios tratam o retorno de Patrulha do Destino como um grande evento. Resolvendo algumas pendências e abrindo espaço para o que deve ser o tom no decorrer da história. Fun Size Patrol, o primeiro deles, mostra a equipe ainda sofrendo as consequências do confronto contra o Sr. Ninguém (brilhantemente vivido por Alan Tudyk). Também é a porta de entrada para Dorothy Spinner (Abigail Shapiro), a filha de Niles (Timothy Dalton). Sua interação com os adultos é bem contextualizada e rende momentos que transitam entre o sofrimento e o humor non sense. Ainda existe espaço para uma eficiente demonstração de seus poderes.

Contudo, alguém pode reclamar que a série retrocede nessa segunda temporada. Afinal, após derrotar um inimigo poderoso, era de se esperar que a Patrulha caminhasse para mais atos heroicos. Mas o que encontramos são doses generosas de conflitos internos e autopiedade. O que faz muito sentido dentro da atmosfera em que eles estão inseridos. Outra questão recorrente é a dinâmica abalada após descobrirem que não passam de experimentos de Niles. Os efeitos são os mais variados e expandem a cartilha de desenvolvimento de personagens já conhecida.

É interessante acompanhar como o showrunner Jeremy Carver humaniza, intensifica e problematiza as dores e sentimentos de cada um dos integrantes do time disfuncional. Com o tempo de tela bem distribuído, o espectador consegue desenvolver laços afetivos e realmente se importar com tudo que está acontecendo. Apenas o arco do Ciborgue (Joivan Wade) parece um pouco deslocado dos demais.

Timothy Dalton e Abigail Shapiro em cena de Patrulho do Destino. Divulgação: HBO Max

Porém, Patrulha do Destino não é apenas uma longa sessão de terapia. Tyme Patrol e Pain Patrol, segundo e terceiro episódios respectivamente, entregam aquilo que também é outra marca registrada: momentos absurdamente ridículos e fora da caixa. Pesando a mão na violência gráfica, palavrões e diálogos afiados. Se o Sr. Ninguém faz falta, a série compensa com os excêntricos vilões Doutor Tyme (Brandon Perea) e Red Jack (Roger Floyd). Ambos igualmente estranhos e poderosos, protagonizando as melhores sequências do trio de capítulos.

Na parte das atuações, o elenco continua afiado. É incrível como Brendan Fraser consegue transmitir empatia através de um homem de lata com problemas de raiva. O mesmo vale para Diane Guerrero, Matt Bomer e April Bowlby, que sempre brilham quando tem uma oportunidade. Timothy Dalton é outro que precisa ser celebrado, mostrando novas facetas de seu personagem.

Apesar de não ganhar o mesmo destaque que suas companheiras, Patrulha do Destino é de longe uma das melhores adaptações de HQ em exibição. A mescla perfeita entre drama e humor absurdo se destaca não apenas no universo dos super-heróis, mas entre as demais séries que surgem todos os dias.

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