Undertone (2026) Crítica e Fatos do Filme de Terror de Ian Tuason Undertone (2026) Crítica e Fatos do Filme de Terror de Ian Tuason

Undertone (2026) Crítica do Filme de Terror | HBO Max

Terror de Ian Tuaso chega ao streaming com proposta pouco usual

Undertone (2026) chega ao catálogo da HBO Max apostando em uma proposta pouco comum dentro do terror contemporâneo. Escrito e dirigido por Ian Tuason, o longa transforma o som em seu principal instrumento narrativo, construindo uma experiência que depende menos daquilo que é mostrado e mais do que é ouvido. A ideia é instigante e, em diversos momentos, realmente funciona. O problema é que a execução não consegue sustentar o peso da própria ambição.

A trama acompanha Evy (Nina Kiri), que retorna à antiga casa da família para cuidar da mãe em estágio terminal. Enquanto tenta reorganizar sua vida pessoal, marcada por problemas no relacionamento e uma recaída no alcoolismo, ela continua apresentando um podcast paranormal ao lado do amigo Justin (Adam DiMarco). Tudo muda quando os dois recebem uma série de gravações enviadas por um ouvinte anônimo. O material registra um casal investigando episódios de sonambulismo que, aos poucos, revelam uma presença sobrenatural muito mais inquietante do que parecia inicialmente.

É justamente nesse conceito que Undertone encontra sua maior força. As gravações em áudio funcionam como uma porta de entrada para o terror psicológico, permitindo que a imaginação do espectador complete aquilo que a câmera não mostra. Ian Tuason demonstra entender o potencial desse recurso, explorando silêncios, ruídos, vozes distorcidas e mudanças abruptas de percepção sonora para criar uma atmosfera constantemente desconfortável.

O trabalho de design de som é, sem dúvida, o grande destaque do filme. Sempre que Evy coloca seus fones de ouvido com cancelamento de ruído, o ambiente muda completamente. A ausência de sons cotidianos amplifica pequenos ruídos e transforma momentos aparentemente comuns em sequências carregadas de tensão. São escolhas técnicas bastante eficientes, capazes de provocar inquietação sem recorrer exclusivamente aos tradicionais sustos repentinos.

Entretanto, conforme a narrativa avança, Undertone perde parte de sua força. O roteiro apresenta diversas ideias envolvendo folclore, possessões demoníacas e a deterioração psicológica da protagonista, mas raramente desenvolve qualquer uma delas de maneira satisfatória. A impressão constante é de que o filme prefere acumular mistérios a construir respostas, fazendo com que a experiência caminhe mais para a confusão do que para o suspense.

Crítica do filme: vale à pena assistir Undertone na HBO Max?

Essa falta de clareza também enfraquece Evy como protagonista. Seus conflitos familiares, o relacionamento com a mãe, a dinâmica com Justin e até sua crise pessoal aparecem apenas em fragmentos, impedindo que exista uma conexão emocional consistente. Quando o terror finalmente ganha intensidade no último ato, falta envolvimento suficiente para que os acontecimentos tenham verdadeiro impacto dramático.

Ainda assim, Undertone merece atenção pela ousadia de transformar o áudio em protagonista da experiência. Embora a narrativa nunca alcance o mesmo nível de excelência de sua construção sonora, o filme oferece momentos genuinamente perturbadores e demonstra criatividade técnica acima da média. Para quem aprecia terrores atmosféricos e experiências sensoriais, há motivos para conferir a produção na HBO Max. Apenas não espere que o roteiro acompanhe a qualidade do impressionante trabalho de som que sustenta boa parte do suspense.