Evil Dead Burn mantém a franquia viva com violência extrema e uma história mais dramática
Poucas franquias de terror conseguiram atravessar mais de quatro décadas sem perder relevância. Desde que Sam Raimi apresentou o primeiro A Morte do Demônio em 1981, a série se reinventou diversas vezes, alternando entre o horror puro, a comédia sangrenta e reboots que expandiram sua mitologia. Agora, A Morte do Demônio: Em Chamas (Evil Dead Burn), dirigido por Sébastien Vanicek, dá sequência a essa nova fase iniciada por A Morte do Demônio (2013) e A Morte do Demônio: A Ascensão (2023). Confira a nossa crítica do filme.
Embora não seja uma continuação direta do longa anterior, o filme estabelece conexões com os acontecimentos recentes da franquia enquanto apresenta uma história independente. O resultado é um capítulo que aposta em personagens mais desenvolvidos, cenas de violência ainda mais explícitas e uma abordagem emocional incomum para a série.
A trama acompanha Alice (Souheila Yacoub), que tenta lidar com a morte do marido, William (George Pullar). Durante o período de luto, ela passa alguns dias com a família do falecido em uma antiga propriedade isolada. O ambiente já é marcado por conflitos antigos, ressentimentos e relações familiares desgastadas antes mesmo da chegada de uma nova manifestação do Necronomicon.
Como manda a tradição de Evil Dead, a paz dura pouco. A presença dos Deadites transforma o encontro familiar em uma sequência de ataques brutais, possessões e confrontos que levam cada personagem ao limite físico e psicológico.
Ao contrário da trilogia original estrelada por Bruce Campbell, A Morte do Demônio: Em Chamas dedica mais tempo à construção de seus protagonistas antes do horror dominar a narrativa. Vanicek procura explorar o trauma de Alice e introduz temas como abuso doméstico, culpa e relações familiares tóxicas sem interromper o ritmo da história.
Essa abordagem dramática funciona na maior parte do tempo e torna as perdas mais impactantes quando os Deadites começam sua carnificina. Ainda assim, o desenvolvimento emocional nunca supera aquilo que o público espera da franquia: muito sangue, mutilações e criatividade nas mortes.
Nesse aspecto, o diretor francês entrega exatamente o prometido.

As cenas de violência estão entre as mais intensas já vistas na franquia. Objetos cotidianos se transformam em armas improvisadas, enquanto o filme utiliza efeitos práticos em larga escala para criar sequências que lembram o terror extremo europeu. Ferimentos gráficos, ossos quebrados, mutilações e litros de sangue aparecem sem qualquer preocupação em suavizar a experiência.
Apesar do tom sombrio predominante, Vanicek também recupera parte do humor macabro que sempre diferenciou Evil Dead de outras franquias do gênero. Algumas situações absurdas, diálogos irônicos e o comportamento provocador dos Deadites ajudam a aliviar a tensão sem descaracterizar o clima de horror.
Visualmente, o longa também demonstra personalidade. O diretor utiliza movimentos de câmera inspirados na obra de Sam Raimi, incluindo os tradicionais planos em primeira pessoa que acompanham a movimentação da entidade demoníaca pela floresta. Ao mesmo tempo, incorpora planos-sequência, truques de espelhos, mudanças rápidas de perspectiva e uma fotografia mais fria, que reforça o ambiente decadente da propriedade onde a história acontece.
A montagem dinâmica e o desenho de som também merecem destaque, especialmente durante as sequências de perseguição, quando cortes rápidos e efeitos sonoros ampliam constantemente a sensação de urgência.
Nem tudo, porém, funciona com a mesma eficiência.

O roteiro recorre diversas vezes aos tradicionais sustos repentinos, apoiados por explosões sonoras previsíveis. Em alguns momentos, esses recursos substituem a construção natural da tensão, algo que acaba destoando da atmosfera perturbadora criada pelas cenas mais violentas. Algumas piadas também são repetidas além do necessário, reduzindo o impacto do humor negro característico da franquia.
Mesmo assim, essas escolhas não comprometem o resultado geral.
Crítica do filme: vale à pena assistir A Morte do Demônio: Em Chamas?
A Morte do Demônio: Em Chamas demonstra que a franquia continua encontrando novos caminhos sem depender diretamente de Ash Williams ou da direção de Sam Raimi. Sébastien Vanicek respeita a mitologia construída ao longo das últimas décadas, recupera elementos clássicos da série e imprime seu próprio estilo visual em uma produção que privilegia o horror físico acima de tudo.
Ainda que não reinvente nada, o filme entrega exatamente aquilo que os fãs esperam: uma experiência intensa, violenta e repleta de Deadites memoráveis, consolidando mais um capítulo consistente para uma das franquias mais influentes da história do cinema de terror.