Fuga Mortal (The Mongoose, 2026), do Prime Video, aposta em uma fórmula conhecida dos filmes de ação estrelados por Liam Neeson: um protagonista com passado militar, habilidades extraordinárias e uma situação que exige colocar tudo em risco. Desta vez, porém, o principal instrumento de sobrevivência do personagem não é apenas sua experiência em combate, mas um poderoso Ford Mustang Shelby. O resultado é um longa que encontra suas melhores qualidades nas perseguições, embora tenha dificuldades para sustentar uma história convincente.
Dirigido por Mark Vanselow, que estreia na direção de um longa-metragem após trabalhar durante anos como coordenador e profissional de dublês, o filme acompanha Ryan Flanagan (Neeson), um ex-integrante das Forças Especiais conhecido pelo apelido de Fang. Quando se torna alvo de uma perseguição policial, ele precisa utilizar suas habilidades ao volante para escapar das autoridades, transformando uma fuga em um espetáculo acompanhado pela imprensa e pelo público.
Liam Neeson e as perseguições são os destaques de Fuga Mortal
A grande atração de Fuga Mortal está nas sequências de ação envolvendo o Mustang Shelby Super Snake GT350 vermelho. O veículo praticamente divide o protagonismo com Neeson, que protagoniza perseguições em alta velocidade, manobras arriscadas, curvas fechadas e até movimentos na contramão para despistar dezenas de viaturas.
O envolvimento de Vanselow com o universo dos dublês aparece justamente nesses momentos. As cenas automobilísticas têm energia e conseguem oferecer o entretenimento esperado de uma produção do gênero. Em determinados momentos, entretanto, a insistência em exibir as qualidades do carro faz o filme parecer uma longa propaganda da Ford.
Outro elemento divertido é a interação de Fang com a assistente virtual do veículo, cuja voz feminina estabelece diálogos bem-humorados com o protagonista. A dinâmica lembra produções clássicas como A Super Máquina e ajuda a quebrar a tensão das perseguições.

Roteiro previsível enfraquece a história
Fora das sequências automobilísticas, o roteiro de Thompson Evans apresenta problemas consideráveis. A narrativa segue um caminho bastante linear, com poucas surpresas realmente eficientes. Mesmo quando surgem reviravoltas, boa parte delas pode ser antecipada com facilidade.
Também existe uma dificuldade em estabelecer limites para as habilidades do protagonista. Fang escapa de situações nas quais dificilmente sobreviveria, enquanto alguns obstáculos parecem desaparecer convenientemente para permitir a continuidade da perseguição. Isso reduz a sensação de perigo e compromete a credibilidade da história.
O passado militar do personagem, incluindo experiências traumáticas no Afeganistão, acrescenta uma camada dramática à narrativa, mas nem sempre é explorado com a profundidade necessária. Já a participação de Marisa Tomei como a ex-esposa de Fang introduz um conflito pessoal que envolve um novo relacionamento abusivo, embora essa trama paralela não consiga ganhar a mesma força da ação.

Vale a pena assistir a Fuga Mortal no Prime Video?
Fuga Mortal não representa uma renovação do cinema de ação nem está entre os trabalhos mais interessantes de Liam Neeson no gênero. Ainda assim, entrega aquilo que promete em suas melhores sequências: perseguições empolgantes, um protagonista experiente e um carro que praticamente rouba a cena.
O roteiro previsível, os diálogos pouco naturais e as situações exageradamente convenientes impedem que o longa alcance um resultado mais consistente. Por outro lado, quem procura um filme descompromissado para acompanhar uma boa sequência de perseguições encontrará motivos para se divertir.
No fim, Fuga Mortal funciona melhor quando deixa a história em segundo plano e coloca Liam Neeson atrás do volante. É um entretenimento razoável para quem gosta de ação automotiva, desde que não espere muito além disso.