Explosões, robôs e tecnologia: O verdadeiro delírio dos anos 90 Explosões, robôs e tecnologia: O verdadeiro delírio dos anos 90

Steel Assault

Nos começo dos anos 1980, os fliperamas eram uma parte dominante da cena dos games, povoando os arcades com jogos que eram simples de entender, intensos e divertidos. À primeira vista, não parecem ser especialmente difíceis, mas alguns minutos de jogatina deixam claro que o desafio não é para qualquer um: apenas os que mais perseverarem conseguem ter sucesso e se gabar da sua pontuação mais alta para os amigos. Isso, e os que têm trocados suficientes para colocar dentro da máquina. Essa mentalidade seguiria temática e visualmente para os anos 1990, uma era cheia de sua própria atitude “radical”, que abraçava o visual explosivo e intenso dos arcades para sua estética, traduzindo uma época bastante saudosa para alguns jogadores.

Atualmente, a cena de fliperamas já é bem mais escassa, e várias de suas convenções já são consideradas bem antiquadas, como a dificuldade ofensivamente injusta ou o “jogar pela pontuação” – mas não significa que os bons aspectos precisaram ser deixados de lado. Se tomarmos o que encantava os jogadores nos fliperamas e unirmos isso às convenções mais modernas de jogos, podemos ter resultados com todo o espetáculo bombástico e a ação intensa sem precisar que os jogadores se frustrem o tempo todo ou tenham que continuar empurrando moedas dentro da máquina, e é precisamente isso que Steel Assault faz.

Explosões, robôs e tecnologia: O verdadeiro delírio dos anos 90
Explosões, robôs e tecnologia: O verdadeiro delírio dos anos 90

Publicado pela Tribute e desenvolvido pela Zenovia Interactive (marcando o primeiro jogo lançado pela empresa), Steel Assault é um jogo indie que com certeza pega carona na explosão de intensidade que os arcades e os anos 1990 iniciaram, com visuais e jogabilidade rápida e cheia de espetáculos – algo que deixasse o Michael Bay com inveja. No controle de Taro Takahashi, um membro da resistência ao império ditador de Magnus Pierce, você precisará rapidamente pular, esquivar, usar seu chicote de energia e algumas manobras de tirolesa para atravessar uma América pós-apocalíptica e derrotar os generais de Magnus Pierce.

AÇÃO FRENÉTICA E EXPLOSIVA

Steel Assault é um jogo que não gasta tempo para arremessar o jogador direto na ação: com uma cinemática de alguns poucos segundos, a primeira fase já está pronta para ser jogada, e não demora muito para a tela começar a ser coberta de ambientes coloridos e detalhados na estética de 16-bits, seguido de música intensa e controles bem fluidos e rápidos.

Em termos visuais, Steel Assault caberia perfeitamente nos fliperamas dos anos de 1990, junto a jogos como Strider ou Metal Slug, em toda a sua beleza e charme pixelizados, mas, em termos de áudio e música, parece algo já pertencente aos consoles que utilizavam tecnologia de CD – como o primeiro PlayStation ou o Sega Saturn -, com a qualidade de áudio bem superior, e tudo isso se condensa em uma mistura que é um verdadeiro deleite para os olhos e ouvidos.

Steel Assault é um verdadeiro colírio para os olhos de fãs de jogos retrô
Steel Assault é um verdadeiro colírio para os olhos de fãs de jogos retrô

Steel Assault não se preocupa com rodeios e rapidamente testa as habilidades de quem joga, com inimigos constantemente reaparecendo em diferentes tipos e de várias direções, tiros vindo de todos os lados, obstáculos de plataforma que precisam ser atravessados com o uso de uma linha de tirolesa bem posicionada e timing bem preciso para desviar na hora certa. Taro Takahashi, nosso protagonista, conta apenas com um duplo pulo, seu chicote de energia e um gancho que conecta em duas extremidades (quaisquer plataformas que estejam em seu alcance), criando a mencionada linha de tirolesa – que traduz o aspecto mais original do jogo, exigindo que o jogador pense rápido e crie estas plataformas temporárias para desviar de morte certeira.

Pular em pleno ar para se pendurar e ter que repetir o processo em alguns segundos - essa é a intensidade!
Pular em pleno ar para se pendurar e ter que repetir o processo em alguns segundos – essa é a intensidade!

Todos esses elementos podem ser um pouco demais para sua primeira vez jogando, e é bem importante dizer que é um jogo desafiador – especialmente se você não for acostumado com jogos similares -, mas com um pouco de prática, logo Steel Assault se torna extremamente satisfatório de se jogar. Os controles fluidos fazem todas as manobras rápidas de esquiva e utilização do chicote e gancho funcionarem perfeitamente bem em sequência, e em nenhum momento o jogo fica maçante ou tedioso. Pular de uma plataforma para o ar, chicotear um robô que está te sobrevoando e imediatamente criar uma plataforma com a tirolesa enquanto desvia de tiros de outros inimigos – tudo isso nunca fica velho, e, novamente, é altamente satisfatório de se fazer.

O QUE É BOM ACABA RÁPIDO

Infelizmente, tão rápido quanto começa, Steel Assault termina. Contando apenas com 5 fases (nomeadas como “capítulos” no jogo) – que, em defesa destas, possuem uma duração razoável -, incluindo uma boa dose de chefes e minichefes espalhados por elas, Steel Assault, em uma jogatina comum, leva no máximo duas horas para ser completado. Mesmo apresentando um bom desafio, onde jogadores de primeira viagem tentarão novamente várias vezes, é bem justo em questão de seus checkpoints e de quanta energia você tem para os encontros do jogo – o que é em si não é ruim, pelo contrário, é um ponto positivo, mas acaba fazendo com que a experiência acabe bem rápido, e não existe muita razão para voltar além das dificuldades maiores e, talvez, experimentar os filtros de visuais e música que deixam o jogo mais parecido com um jogo de Mega Drive.

Falando nas dificuldades, Steel Assault conta com 4 dificuldades (Very Easy, Easy, Normal e Hard, ou Muito Fácil, Fácil, Normal e Difícil, em tradução livre), onde as três primeiras mudarão o dano recebido e a quantidade de inimigos na tela, o que certamente é o esperado para dificuldades diferentes. A quarta dificuldade adiciona um problema um pouco maior: todas as fases precisam ser terminadas em uma jogada só. Se você for derrotado alguma vez, vai voltar para o começo daquela fase, sem nenhum checkpoint disponível. Infelizmente, é um pulo bem grande e com certeza aumenta a frustração, e isso se dá principalmente por causa da nomenclatura de tais dificuldades.

Os chefes gigantescos de Steel Assault
Os chefes gigantescos de Steel Assault

A maioria dos jogadores procura a dificuldade “Normal” quando joga algum jogo pela primeira vez, já que é a dificuldade aparentemente mais balanceada, e muitas vezes o jeito intencional de o jogo ser jogado, mas em Steel Assault isso acaba por não ser exatamente verdade. O modo “Normal” é perfeitamente possível de se terminar com alguma perseverança, mas a falta de checkpoints na dificuldade mais alta apenas põe mais frustração em uma aventura que já é feita para ser difícil, e é um pulo bem grande a ser dado e que tira bastante da satisfação do fator replay do jogo. Títulos mais coerentes seriam “Easy, Normal, Hard e Very Hard” – Fácil, Normal, Difícil e Muito Difícil, em tradução livre -, e com certeza forneceriam mais horas aos jogadores.

Além das 4 dificuldades, Steel Assault também conta com um modo Arcade, e apesar deste aparentar ser um modo separado, infelizmente também desaponta. É apenas o jogo na dificuldade mais alta, com um pequeno detalhe: se você for derrotado uma vez, volta para o começo da primeira fase, independente de onde esteja. Com certeza é um modo que terá seus fãs, mas o sentimento que passa é que foi apenas um modo colocado de última hora para tentar alongar o fator replay do jogo, se segurando numa medida de dificuldade que apenas jogos de arcade consideravam, que era pedir que o jogador execute tudo perfeitamente de uma vez só – e atualmente, é um estilo ultrapassado, que nem jogos famosos por serem difíceis (como a série Dark Souls) utilizam.

Ainda vale jogar pelos modos Easy e Normal, de qualquer forma
Ainda vale jogar pelos modos Easy e Normal, de qualquer forma

VEREDICTO

Steel Assault é uma verdadeira carta de amor a jogos ao estilo arcade dos anos 1990, sendo completa com o desafio elevado, trilha sonora fantástica e uma jogabilidade rápida, fluida e altamente divertida, mas peca em sua duração curta e fator replay pouco otimizado. Não é um jogo com um preço muito alto, o que favorece sua aquisição, mas ainda assim, recomendaria esperar alguma promoção, por menor que seja. Fica também recomendado que sua primeira jogatina seja na dificuldade Easy, para que depois a dificuldade Normal possa ser aproveitada como uma experiência plenamente satisfatória com a dificuldade na medida certa.

Steel Assault está disponível para Steam e Nintendo Switch.