Depois de dois celebrados trabalhos como roteirista, Taylor Sheridan assume a cadeira de diretor em Terra Selvagem, um drama investigativo onde Jeremy “Gavião Arqueiro” Renner faz valer a ida ao cinema (por Márcio Bastos)

Como roteirista de Sicário: Terra de Ninguém (indicado a três Oscars), Taylor Sheridan começou a chamar dicumforça a atenção de Hollywood. No ano seguinte, continuou fazendo zoada com A Qualquer Custo (onde recebeu sua primeira indicação à estatueta) e o prestígio adquirido permitiu ao amiguinho Sheridan fazer escolhas ainda mais ambiciosas. Agora, além de roteirista, ele brinca de diretor em sua nova investida: Terra Selvagem.

Inspirado em fatos, o filme traz Jeremy Renner (A Chegada) como protagonista. Ele interpreta o amargurado caçador Cory Lambert, que carrega a incurável dor de ter perdido uma filha adolescente. Ao encontrar o corpo de outra adolescente congelado – uma amiga de sua filha falecida – ele acaba se envolvendo na caçada pelos responsáveis e, no rastro, experimenta enfrentar sua própria dor frente a frente na tentativa de algum tipo de redenção.

Reforçando sua preferência por temas profundos, Sheridan assume o desafio de aproximar o espectador do drama de Cory e fazê-lo vivenciar um pouco da carregada atmosfera que o cerca. Para isso, a empatia é essencial e seu trunfo está em um Jeremy Renner fazendo a melhor atuação de sua carreira até aqui. Um trabalho colaborativo em que o roteiro entrega um personagem cheio de nuances, com ótimas falas, e o ator aproveita a oportunidade para mostrar um talento que eu ainda não tinha visto em nenhum de seus trabalhos anteriores.

Na dobradinha com o protagonista, entra em cena Elizabeth Olsen (Capitão América: Guerra Civil) fazendo a oficial Jane Banner, uma pouco experiente agente do FBI que é designada para acompanhar o caso. A boa química entre ambos, e a acertada decisão de Sheridan em não cair no tentador clichê de um romancezinho sem vergonha, podem ser apontados como mais dois pontos positivos na projeção.

Como terceiro protagonista de destaque, encontramos a terra selvagem do título. Pense num lugar desgraçado que eu não iria querer morar nem que me pagassem. Em alguns momentos fica a sensação de estarmos assistindo a um faroeste clássico, tirando as paisagens secas e ensolaradas e, em seu lugar, colocando uma reserva indígena coberta de neve até a tampa. Para reforçar que o tal lugar não é muito legal de se viver, esbarramos com algumas figuras que ignoram completamente a lei e se tornaram tão geladas quanto o ambiente hostil em que vivem. Com isso, o abandono – que vem junto com uma crítica ao enorme descaso como são tratados os nativos americanos –, e a ânsia de se fazer justiça com as próprias mãos, também viram alvo de nossa atenção.

Sem imprimir uma assinatura que ainda o identifique como diretor, Sheridan, que trabalhou com Denis Villeneuve em Sicário, mostra que escolheu bem a escola a seguir. Seu cinema também caminha sem se afobar e opta por ser mais visual, fugindo de diálogos expositivos que revelem o que já está sendo mostrado em cena. Só falta nos próximos filmes o novato diretor ir além disso, mostrando que, assim como Renner, ele ainda guarda algumas surpresas.

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