O quarto episódio de VisionQuest, série da Marvel criada por Terry Matalas para o Disney+, amplia o mistério envolvendo o assassino conhecido como Butcherbird e aprofunda a relação entre Visão (Paul Bettany), Tommy Shepard e Ultron (James Spader). Intitulado “Malware”, o capítulo mistura elementos de terror, investigação criminal e espionagem para acompanhar a tentativa dos personagens de descobrir quem está por trás dos ataques contra as inteligências artificiais.
A narrativa também aproxima a produção de WandaVision ao utilizar diferentes gêneros televisivos como parte da história. Enquanto EDITH assume novas personalidades para ajudar na investigação, Visão precisa enfrentar uma ameaça capaz de comprometer seu código. Ao mesmo tempo, Tommy começa a questionar o significado de família, tema que ganha força com a introdução de uma figura importante da história dos androides da Marvel: o Tocha Humana original.
Visão enfrenta o ataque de Butcherbird
O episódio começa a partir dos acontecimentos anteriores, com Visão ainda sob a influência de Butcherbird, a figura encapuzada responsável por ataques violentos. A ameaça continua explorando os pontos vulneráveis do sintozóide, enquanto sua aparência misteriosa e seus olhos vermelhos reforçam o clima de terror.
A direção de Gandja Monteiro aposta em contrastes visuais para representar a invasão. Luzes azuis iluminam os corredores durante o interrogatório de Visão, enquanto o brilho avermelhado associado à agressora cria uma atmosfera inquietante.
Para interromper a conexão entre Butcherbird e Visão, EDITH protagoniza uma sequência que remete a filmes de exorcismo. Vestida como uma sacerdotisa, a inteligência artificial tenta expulsar a presença invasora do sistema do sintozóide. Ultron participa da cena com a declaração de que o poder do código a obriga a partir, misturando referências religiosas e linguagem tecnológica.
O resultado combina suspense e humor, estabelecendo o tom de um episódio que alterna constantemente entre diferentes estilos narrativos.
EDITH transforma a investigação em um procedimento policial
Depois de enfrentar a ameaça inicial, os personagens tentam descobrir a identidade de Butcherbird. A investigação leva EDITH a assumir a aparência de uma detetive de histórias policiais, com sobretudo, palito de dente e um painel repleto de fotografias e conexões.

A mudança de gênero não é apenas estética. A série passa a estruturar parte da narrativa como um procedimento investigativo, enquanto Visão e Ultron trabalham para acessar sistemas de segurança e reunir informações. As discussões entre os dois durante essas operações também oferecem momentos de humor, especialmente quando precisam lidar com os obstáculos impostos pelos sistemas que tentam invadir.
A divisão de tarefas ajuda a organizar a história: enquanto Visão atua no mundo exterior ao lado de Tommy, as inteligências artificiais colaboram a partir da mansão que representa sua consciência. A alternância entre esses espaços permite acompanhar a investigação sem perder de vista os conflitos pessoais dos protagonistas.
Apesar das mudanças visuais, o mistério permanece parcialmente em aberto. A descoberta de que Butcherbird está ligada a um projeto antigo de inteligência artificial conduzido por cientistas amplia a investigação, mas ainda não explica completamente as motivações por trás dos ataques.
A origem de Butcherbird e as referências aos quadrinhos
A investigação revela uma conexão entre a assassina e Josephine Carrington, interpretada por T’Nia Miller, uma das cientistas envolvidas em um projeto pioneiro de inteligência artificial liderado por Katerina Wells, personagem de Mary McDonald.
Ao final do episódio, Butcherbird revela sua verdadeira forma robótica, identificada pelos fãs dos quadrinhos da Marvel como Jocasta. A personagem ainda não recebe oficialmente esse nome na narrativa, mas sua aparência estabelece uma ligação com a história dos androides e das criações artificiais do universo Marvel.
O capítulo também apresenta referências a outros personagens dos quadrinhos. Lisa Molinari, amiga de Tommy, faz alusão à personagem conhecida como Coat of Arms, enquanto as demonstrações de supervelocidade do jovem antecipam sua associação com o codinome Speed.
Outra referência importante surge com a aparição de J.I.M., uma versão do Tocha Humana original, androide sintético criado pelo doutor Phineas Horton. O personagem remete ao herói que estreou na capa de Marvel Comics nº 1, publicado em 1939, estabelecendo uma conexão entre os primeiros anos da editora e a atual exploração de inteligências artificiais na série.

O Tocha Humana original reforça o tema da família
A história de J.I.M. oferece uma das reflexões mais importantes do episódio. Visão explica que o projeto mental do androide era simples demais para lidar com a intensidade das emoções que experimentava. Incapaz de administrar esses sentimentos, ele acabava entrando em combustão.
O protagonista acredita que sua própria estrutura era diferente graças à Joia da Mente, que fazia parte de sua composição original. O Visão Branco, por sua vez, consegue continuar existindo com o auxílio das inteligências artificiais presentes em sua consciência, mesmo sem acesso à joia.
Tommy observa que J.I.M. talvez pudesse ter sido salvo por algo diferente de um componente tecnológico. Quando Visão pergunta se ele está falando de outra Joia da Mente, o jovem responde que o elemento necessário seria uma família.
A conversa desloca o foco da série. Em vez de tratar a sobrevivência dos seres artificiais apenas como uma questão de programação ou capacidade de processamento, VisionQuest sugere que os vínculos afetivos também podem determinar o destino dessas criaturas.

Visão, Tommy e Ultron discutem o significado de família
O tema familiar se estende aos relacionamentos dos protagonistas. FRIDAY investiga as pessoas que serviram de inspiração para as características físicas das inteligências artificiais, enquanto Tommy e Lisa enfrentam divergências sobre a confiança que o adolescente deve depositar em seu novo pai.
A discussão expõe a dificuldade de Tommy para aceitar Visão como figura paterna. Em um momento de irritação, ele acusa Lisa de sentir ciúmes por continuar sendo órfã, revelando como as experiências dolorosas do jovem afetam suas relações.
Ultron também reforça sua posição como pai de Visão e avô de Tommy. Para justificar seus conselhos sobre a adolescência, ele recorre ao conhecimento adquirido assistindo à televisão. Suas observações nem sempre são profundas, mas revelam como os personagens artificiais tentam compreender as relações humanas por meio da cultura popular.
Essa abordagem aproxima VisionQuest de WandaVision. Enquanto a série anterior explorava uma personagem que recorria à televisão para lidar com o luto, a nova produção mostra seres artificiais usando programas e referências culturais para interpretar o mundo e construir suas próprias identidades.
O que acontece no episódio 4 de VisionQuest?
“Malware” amplia o mistério de Butcherbird, apresenta novas conexões com os quadrinhos da Marvel e aprofunda o debate sobre o que transforma uma criação artificial em alguém capaz de experimentar emoções. As mudanças entre terror, investigação policial e espionagem oferecem variedade à narrativa, enquanto a revelação de Jocasta aponta para novos desdobramentos.
O episódio também reforça que a família ocupa um lugar central na trajetória de Visão. A história de J.I.M. e as dificuldades de Tommy mostram que a existência artificial não precisa ser definida exclusivamente por sua origem tecnológica.
Ao explorar a televisão como uma ferramenta para compreender sentimentos e relacionamentos, VisionQuest constrói uma identidade própria dentro do Universo Cinematográfico Marvel. A influência de WandaVision permanece evidente, mas a série começa a transformar essa herança em uma reflexão sobre identidade, pertencimento e a possibilidade de encontrar humanidade mesmo em seres criados artificialmente.