O terceiro episódio de VisionQuest, série da Marvel criada por Terry Matalas para o Disney+, aprofunda os dilemas emocionais de Visão (Paul Bettany) enquanto ele tenta sobreviver aos ferimentos sofridos no confronto com Paladino e construir uma relação com Tommy Shepard. Intitulado “Reboot”, o capítulo aborda temas como mortalidade, identidade e luto, mostrando como seres artificiais podem desenvolver vínculos que vão além de sua programação.
Enquanto pai e filho seguem em fuga, a consciência de Visão também enfrenta as consequências do sacrifício de JARVIS. A despedida do programa de inteligência artificial leva os demais sistemas associados a Tony Stark a refletirem sobre a morte e a influência de seus criadores. Paralelamente, Paladino precisa lidar com as próprias feridas, enquanto uma figura misteriosa de olhos vermelhos surge como uma nova ameaça. O episódio combina esses conflitos com uma referência inesperada à sitcom dos anos 1980 Small Wonder, usada para aprofundar a dificuldade de Visão em se aproximar do filho.
Uma nova ameaça surge durante a fuga de Visão
O episódio começa com uma sequência violenta protagonizada por uma figura encapuzada cujos olhos brilham no escuro. A personagem reaparece ao longo da narrativa, atacando suas vítimas em cenas marcadas pelo contraste entre a escuridão e a iluminação avermelhada. Seus movimentos precisos e a composição visual transformam esses confrontos em alguns dos momentos mais impactantes da série até aqui.
Enquanto essa ameaça misteriosa começa a agir, Visão e Tommy continuam tentando escapar de Paladino. O mercenário também precisa se recuperar dos ferimentos provocados pelo sintozóide no episódio anterior, o que o obriga a abandonar parte da confiança demonstrada durante seus primeiros confrontos.
A presença da figura encapuzada amplia o perigo para os dois lados. Paladino, que antes parecia controlar a situação, também passa a enfrentar uma ameaça capaz de colocar sua própria sobrevivência em risco.
A morte de JARVIS provoca uma despedida na mente de Visão
Depois do sacrifício de JARVIS no segundo episódio de VisioQuest, os programas de inteligência artificial que habitam a consciência de Visão se reúnem para uma cerimônia de despedida. O programa abriu mão de sua existência para fornecer a energia necessária à recuperação do sintozóide, deixando uma ausência que os demais sistemas precisam compreender.
Durante a reunião, FRIDAY relembra seus últimos momentos com Tony Stark em uma conversa com EDITH. A cena destaca a ligação entre as inteligências artificiais e o homem responsável por criá-las, embora a tentativa de reproduzir o impacto emocional da despedida de Stark não alcance a mesma intensidade.

Ainda assim, o funeral reserva momentos que revelam características inesperadas dos personagens. DUM-E demonstra capacidade para apresentar uma reflexão mais elaborada, enquanto U surpreende com seu talento musical. O humor dessas descobertas contrasta com a seriedade da cerimônia e reforça a personalidade dos programas.
A conversa entre FRIDAY e EDITH também ganha importância quando a primeira explica que ambas carregam ecos de pessoas reais. A observação leva EDITH a considerar a própria mortalidade, fazendo com que a sequência ultrapasse a simples homenagem a JARVIS.
Paladino enfrenta o medo da morte em VisionQuest
Enquanto Visão e seus sistemas tentam processar a perda, Paladino também é obrigado a refletir sobre a própria existência. Primeiro, ele cuida dos ferimentos sofridos no confronto anterior. Depois, a figura encapuzada invade sua mente, trazendo à tona informações que ajudam a revelar aspectos de sua origem.
A mudança é significativa para um personagem apresentado inicialmente como um profissional frio e confiante. Ferido e confrontado com sua vulnerabilidade, Paladino deixa de parecer um adversário invencível. Sua postura revela um homem que tenta seguir o código transmitido por seu pai adotivo, mesmo quando suas escolhas o colocam em situações extremas.
O episódio utiliza esse momento para aproximá-lo dos demais personagens. Assim como Visão, Paladino precisa lidar com a possibilidade da morte e com as experiências que determinaram quem ele se tornou.

Visão e Tommy compartilham experiências de morte e renascimento
A relação entre Visão e Tommy permanece complicada. O sintozóide tenta assumir uma posição paterna, mas o adolescente não demonstra facilidade para confiar nele. Apesar das diferenças, os dois compartilham uma experiência fundamental: ambos morreram e tiveram suas vidas retomadas em circunstâncias que alteraram a relação com suas próprias identidades.
No caso de Visão, suas lembranças foram transferidas para o Visão Branco após os acontecimentos de WandaVision. Tommy, por sua vez, passou por uma experiência relacionada à morte de Thomas Shepherd, cujo corpo se tornou a nova morada para Tommy Maximoff. O processo remete aos acontecimentos de Agatha Desde Sempre, que aprofundou a história dos filhos de Wanda Maximoff.
A trajetória de Tommy também revela uma infância marcada por dificuldades. As lembranças de sua morte, provocada por colegas que o afogaram, ajudam a explicar parte de sua resistência emocional. Sua experiência contrasta com a imagem de família feliz que ele encontra nas sitcoms que costuma assistir.
Assim como Wanda, Tommy parece buscar conforto em histórias televisivas que apresentam lares estáveis e relações familiares idealizadas. A diferença é que, apesar de ter encontrado em Visão uma possível figura paterna, ele ainda não consegue aceitar plenamente essa aproximação.

Small Wonder inspira a tentativa de aproximação entre pai e filho
Um dos momentos centrais de “Reboot” acontece quando Ultron incentiva Visão a tentar diferentes maneiras de conversar com Tommy. A sequência apresenta versões sucessivas do sintozóide, cada uma tentando estabelecer uma conexão emocional com o adolescente.
As tentativas fracassam repetidamente. Tommy se irrita, rejeita as abordagens do pai e abandona a conversa, enquanto as diferentes versões de Visão demonstram frustração diante da dificuldade de criar um vínculo verdadeiro.
Ao fundo, a sitcom Small Wonder, produzida nos anos 1980 e centrada em uma família que adota uma menina robô, reforça o contraste entre a ficção televisiva e a realidade dos personagens. Na série, os relacionamentos familiares parecem simples e previsíveis. Para Visão e Tommy, porém, a aproximação exige enfrentar traumas, desconfiança e dúvidas sobre suas próprias identidades.
A sequência conecta as principais ideias de VisionQuest: a dificuldade de definir o que torna alguém humano, o peso das experiências passadas e a possibilidade de construir relações significativas mesmo depois de perdas profundas.
O que acontece no episódio 3 de VisionQuest?
“Reboot” aprofunda o lado emocional da série ao colocar a mortalidade no centro da jornada de Visão, Tommy e Paladino. A despedida de JARVIS dá continuidade às consequências do episódio anterior, enquanto a vulnerabilidade do mercenário acrescenta novas camadas a um personagem inicialmente definido por sua postura ameaçadora.
O relacionamento entre Visão e Tommy, entretanto, permanece como o principal eixo dramático. O sintozóide deseja proteger o filho, mas descobre que assumir esse papel não significa conquistar sua confiança imediatamente. A experiência de ambos com a morte e o renascimento cria uma conexão possível, embora as feridas emocionais de Tommy dificultem essa aproximação.
Ao utilizar Small Wonder como contraponto à realidade dos protagonistas, VisionQuest transforma uma referência à televisão dos anos 1980 em uma reflexão sobre família, identidade e humanidade. O episódio sugere que Visão não precisa provar que continua sendo o mesmo ser de antes, mas aprender a construir uma relação verdadeira com o filho que agora tenta proteger.