Blindspot – Ponto cego e clichês óbvios

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Uma bolsa misteriosa surge no meio da movimentada Times Square. O Esquadrão Anti-Bombas é chamado. Mas para a surpresa de todos, surge de dentro dela uma bela mulher, coberta de tatuagens do pescoço aos pés. Assustada e confusa, ela olha tudo ao seu redor sem reconhecer nada.

É assim que começa Blindspot, nova série da NBC que teve seu episódio piloto vazado (sim, eles ainda preferem usar esse termo). Com algumas doses intercaladas de tensão, mistério e ação, o episódio tenta fugir do óbvio mostrado em outras produções do gênero. Mas convenhamos, é uma missão praticamente impossível. Jaimie Alexander (a musa mortal Lady Sif dos filmes do Thor) vive aqui Jane Doe, a bela tatuada que saiu de dentro da mala e que sofre de amnésia, devido a uma droga que foi injetada em seu corpo. Tudo nela é um mistério, exceto um nome destacado em suas costas com letras garrafais, Kurt Weller (Sullivan Stapleton, que esteve presente em 300 – A Ascensão do Império). Aqui ele faz as vezes do agente fodão do FBI que já cansamos de ver em inúmeros outros filmes e séries.

Tudo rola muito rápido do aparecimento de Jane até sua aceitação por parte da equipe do FBI. Não é preciso ser nenhum gênio para manjar que todas aquelas tatuagens serviam para alguma coisa. No episódio piloto, uma delas leva ao encalço de um terrorista. Se cada tatuagem for uma pista para um crime passado ou futuro, teremos muitas temporadas pela frente.

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Jane e todo clima ao seu redor logo caem no clichê universal. Ela, de repente, se lembra que fala um dialeto chinês obscuro, além de mandar muito bem nas artes marciais. Seus lapsos de memória mostram um pouco de seu treinamento, além de um rosto que possivelmente será figurinha carimbada no decorrer da temporada. Também não é preciso ter olhos muito atentos para perceber que sua relação com o agente Kurt resultará em um romance, mais cedo ou mais tarde.

spot_cosmonerdClaro que os pontos negativos não são culpa de Jaimie. Tendo um espaço maior para atuar, ela não compromete e prova que será mesmo a grande estrela da série. Seja nas cenas onde aparece semi-nua ou em diálogos que exigem uma certa dose de talento para não se tornarem risíveis, a jovem atriz mostra que pode oferecer mais do que apenas um rosto bonito. Em uma era onde vivemos uma escassez de personagens femininas fortes, Jane poder ter seu lugar ao sol. Não seria justo chamá-la de Jason Bourne de saias, quando na verdade ela tem potencial para ser uma nova Nikita ou até superar o que Jennifer Garner mostrou em Alias.

Enquanto brinca com os pontos cegos que batizam a série, Blindspot passa a sensação de ter um potencial adormecido. Mas que vai precisar de alguém muito bom para despertá-lo, porque aparentemente Greg Berlanti (Arrow e Flash) não vai conseguir. Como disse antes, vez ou outra nos deparamos com tramas assim. Mas é preciso que elas nos cativem, caso contrário…

Sei que estou chicoteando demais um episódio piloto, mas para um público tão exigente quanto o de séries, o batido clichê de que “a primeira impressão é a que fica” nunca sai de moda. Resta esperar por mais alguns episódios para ver se é produtivo continuar insistindo na série ou se ela vai perder espaço na concorrida janela de lançamentos de fim de ano.

Blindspot estreia nos EUA no dia 21 de setembro. Aqui no Brasil, a série ainda não possui previsão de estreia e nem emissora oficial.

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