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Séries

AL-Andalus: O Legado estreia no HISTORY 2 nesta quinta

Edipo Pereira

10 mar, 2022

Os vestígios das cidades comandadas por califas, seus monumentos, usos e costumes, que se disseminaram em terras europeias desde o século VIII, ainda estão em vigor e podem ser vislumbrados em Al-Andalus: O Legado, a nova série de seis episódios que será exibida a partir da próxima quinta-feira, 10 de março, no HISTORY 2. A produção abrange disciplinas que tiveram grande influência oriental, como medicina, matemática, arquitetura, agronomia, engenharia e arte, entre outros ramos da cultura e da ciência.

A marca indelével deixada por aquele exército pioneiro de árabes e berberes (do norte da África) desde 711, quando atravessaram o Estreito de Gibraltar para conquistar uma região habitada por visigodos que professavam a fé cristã. Hoje, o caráter de espanhóis e portugueses é um legado andaluz: o da convivência ao longo dos séculos entre cristãos e minorias muçulmanas e judias que trouxeram seus costumes para a Península Ibérica.

Por meio de testemunho de especialistas, como professores de literatura, matemáticos, pesquisadores, historiadores, arquitetos, engenheiros e escritores especializados, o caldeirão de vozes que percorre Al-Andalus: O Legado contextualiza as circunstâncias em que as descobertas mais notáveis foram desenvolvidas durante séculos de tradição islâmica na atual Espanha e Portugal. Com desenhos de época, mostrados em alta resolução, e textos antigos digitalizados, juntamente com a exposição de elementos de vários séculos atrás, o especial revela uma dinâmica documental completa a cada episódio.

Quanto à gastronomia, a dieta andaluza tem muito a ver com a dieta mediterrânica, ao revolucionar a incorporação dos produtos da terra (incluindo o inédito sistema de irrigação por gotejamento), tendo em conta que antes havia uma base alimentar regida pelo peixe e, posteriormente, complementada pelo consumo de aves. Além disso, foi introduzido o uso de produtos lácteos fermentados, ovos e doces reservados para ocasiões importantes.

Al-Andalus: O legado também detalha o triunfo do modelo islâmico da concepção de Medina Azahara, como uma proclamação do primeiro califa andaluz Abderramán III, e uma representação do paraíso na terra. Construído 90% com materiais obtidos num raio de 50 km da cidade de Córdoba (epicentro religioso), este símbolo de poder predominou com o uso do arco na arquitetura califa e rochas ornamentais.

O documentário também mergulha em técnicas antigas, como a realização de cirurgia de catarata, implementada pelo célebre médico Mohamed Al-Gafequin, sem anestesia, que também recomendou banha, óleo de rosas e um curativo adequado para o pós-operatório do paciente.

Quanto à matemática, as traduções de textos muçulmanos trouxeram álgebra e algoritmos para uma península que se surpreendeu com o uso da trigonometria: a arte de resolver triângulos. O legado islâmico também foi visto na criação de mecanismos automatizados, ainda em vigor.

A chegada da pólvora, vinda do Oriente, foi crucial para a guerra e complementada pelo desembarque da língua árabe, outra ferramenta fundamental de conquista. Das 88 mil palavras da língua espanhola, 4 mil têm raízes árabes. O gene árabe na instrumentação musical também teve grande influência na Espanha e em toda a Europa com elementos como o alaúde (a base sobre a qual a teoria musical da época foi criada), o qanun (uma cítara que era tocada horizontalmente), o vender (um pendero), o rebab e o santur.

EPISÓDIOS “AL-ANDALUS: O LEGADO” NO HISTORY 2

QUINTA 10 DE MARÇO

#1 ENGENHARIA

A sociedade do século XXI está alicerçada em grande parte sobre os pilares da engenharia e da tecnologia. O que poucas pessoas sabem, é que a base de muitas das invenções e aparelhos que usamos todos os dias já eram conhecidos há mais de mil anos em Al-Andalus. Os habitantes da Península Ibérica trouxeram do Oriente aparelhos como as rodas d’água e a pólvora, um composto químico que mudou para sempre a guerra. Eles também desenvolveram mecanismos automatizados que continuam a influenciar a robótica hoje em dia.

QUINTA 17 DE MARÇO

#2 MEDICINA

A medicina que conhecemos hoje seria muito diferente sem o legado deixado por Al-Andalus. Na Península Ibérica, foram aplicados conhecimentos médicos que continuam a nos surpreender 10 séculos depois. Na Idade Média, os andaluzes eram capazes de operar catarata, sabiam cauterizar hemorragias internas e até ousavam realizar cirurgias estéticas.

QUINTA 24 DE MARÇO

#3 AGRONOMIA

Muitas das frutas e legumes que consumimos diariamente vieram dos muçulmanos que habitaram a Península Ibérica durante quase oito séculos. Além disso, revolucionaram a forma de cultivar e irrigar as terras da atual Espanha e Portugal. Entre as inovações, eles introduziram a irrigação por gotejamento, uma forma de gerenciar a água de forma sustentável e que é usada atualmente em grande parte do planeta.

QUINTA 31 DE MARÇO

#4 ASTRONOMIA E MATEMÁTICA

As ciências exatas experimentaram uma verdadeira revolução sob o reinado de emires e califas na Península Ibérica. Do Oriente veio a trigonometria Al-Andalus, cálculo sexagesimal, algoritmos e álgebra. Esses ramos da matemática herdados dos andaluzes são essenciais para a engenharia e a tecnologia. Graças a eles, temos aplicativos em nossos celulares, gostamos de videogames, o GPS nos diz como chegar ao endereço desejado e conseguimos colocar os satélites em uma posição exata no espaço.

QUINTA 7 DE ABRIL

#5 CULTURA E COSTUMES

Os andaluzes viveram durante quase oito séculos e deixaram uma marca profunda nos usos e costumes dos atuais habitantes da Espanha e Portugal. A gastronomia ibérica seria completamente diferente sem a herança deles. Além disso, foram responsáveis pela chegada do papel, do xadrez e do cavalo árabe à Península e promoveram a cultura musical espanhola, lançando as bases para o que é hoje o flamenco.

QUINTA 14 DE ABRIL

#6 ARQUITETURA E ARTE

A Alhambra de Granada ou a Mesquita de Córdoba atestam a grandeza da arquitetura de Al-Andalus. A produção também revela o segredo que o Patio de los Naranjos da Mesquita de Córdoba esconde há séculos.

Classificação Indicativa: livre

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