“Pais e Filhos” é o sétimo episódio da primeira temporada de Família Soprano (The Sopranos), série criada por David Chase para a HBO e estrelada por James Gandolfini como Tony Soprano. Exibido em 21 de fevereiro de 1999, o capítulo aprofunda a relação entre Tony e seu filho, A.J., enquanto o protagonista revisita acontecimentos da própria infância e começa a perceber como sua criação influencia a maneira como educa os filhos.
A.J. se envolve em problemas na escola
O episódio começa com A.J. e dois amigos entrando escondidos na igreja da escola para beber vinho de comunhão como parte de uma brincadeira. O grupo chega embriagado à aula de educação física e não consegue acompanhar as atividades. Um dos garotos chega a vomitar diante dos colegas, levando os três à diretoria.
Tony é chamado à escola e encontra A.J. ainda sob efeito do álcool. O psicólogo Peter Galani explica que o comportamento do garoto pode estar relacionado a um possível transtorno de déficit de atenção. A escola determina uma suspensão de três dias, enquanto Tony e Carmela prometem estabelecer uma punição em casa.
Durante o jantar com Livia e Junior, porém, a situação se complica. Livia lembra que Tony também causava problemas quando era criança, o que irrita o filho e acaba estimulando ainda mais o comportamento de A.J. Carmela então decide deixá-lo de castigo por três semanas.
Tony começa a enxergar a si mesmo em A.J.
Mais tarde, Tony conversa com Carmela sobre o comportamento do filho e se pergunta se A.J. sabe alguma coisa sobre os negócios da família. Carmela lembra que Meadow já tem conhecimento de parte da verdade, e Tony reconhece que, em algum momento, os dois filhos precisarão entender melhor quem é o pai.
Tony também concorda que A.J. deve passar por uma avaliação psicológica. A situação faz com que ele próprio volte à terapia com a doutora Melfi e reflita sobre a possibilidade de o comportamento do filho ser uma espécie de reflexo do seu.
Essas reflexões levam Tony a recordar a infância em Newark, em 1967. Ainda garoto, ele testemunha o pai, Johnny Boy Soprano, e Junior agredirem um integrante de uma gangue rival. É uma das primeiras ocasiões em que Tony percebe claramente que os negócios da família estão ligados ao crime.

As lembranças da infância de Tony
Na terapia, Tony conta a Melfi que seu pai era respeitado na comunidade, mas também participava de extorsões e atividades criminosas. Quando questionado sobre o que A.J. sabe, Tony insiste que é um empresário legítimo e admite que ainda não contou ao filho sobre sua verdadeira profissão.
Outra lembrança mostra a relação complicada de Tony com os pais. Ele recorda Livia ameaçando feri-lo com um garfo e também percebe como sua irmã, Janice, recebia tratamento diferente dentro da família.
Tony também volta mentalmente a um parque de diversões que, na realidade, servia de fachada para atividades da Máfia. Durante uma operação policial, um criminoso é morto e Johnny Boy acaba preso. A experiência marca Tony profundamente, mas, apesar do ambiente violento em que cresceu, ele admite a Melfi que sentia orgulho de ser filho de Johnny.
O protagonista começa então a questionar se as tendências destrutivas que identifica em A.J. foram herdadas de seu pai.

A.J. pergunta se Tony é da Máfia
Enquanto passa pela avaliação psicológica, A.J. visita Livia como parte de sua punição. Ao descobrir que o neto está fazendo testes psicológicos e que Tony também frequenta um terapeuta, Livia reage emocionalmente, preocupada com o que o filho pode estar dizendo sobre ela durante as sessões.
Em outro momento importante, Tony leva A.J. ao dentista. Uma pane no carro acaba proporcionando aos dois uma oportunidade de conversar. O garoto se recusa a revelar detalhes da avaliação e, em seguida, faz uma pergunta direta ao pai: Tony é membro da Máfia?
A suspeita vem da observação dos homens que fotografavam os presentes no funeral de Jackie Aprile Sr. Tony evita admitir a verdade e descreve Jackie como um homem “complicado”, ressaltando que não pretende que A.J. siga o mesmo caminho.
Tony percebe que pode quebrar o ciclo familiar
Na terapia, Melfi relaciona novamente as lembranças de Tony aos sonhos que ele teve anteriormente, especialmente aquele envolvendo os patos. O protagonista começa a compreender que seu medo de perder a família está conectado à própria infância e à relação com os pais.
Tony também conversa com Livia sobre Rocco Alatore, um antigo conhecido de Johnny Boy que teria se mudado para Nevada e enriquecido. O encontro mostra que a relação entre mãe e filho continua marcada por provocações e ressentimentos.
No fim, Dr. Galani informa que A.J. apresenta um quadro limítrofe de transtorno de déficit de atenção. Mais importante para Tony, porém, é o que ele aprendeu ao longo desses acontecimentos: embora tenha herdado comportamentos e vivido sob a influência de Johnny Boy, ele não precisa reproduzir o mesmo modelo de pai.
Tony passa a dedicar mais tempo ao filho, sinalizando uma mudança em sua relação com A.J. “Pais e Filhos” termina justamente com essa possibilidade: Tony pode não conseguir escapar completamente do legado de sua família, mas ainda pode escolher como será sua própria relação com os filhos.