Charles Luis Castro

19 ago, 2021

Séries

Apesar da qualidade inconstante dos episódios, Modern Love encontra o amadurecimento em seu novo ano

Como explicar o amor? Músicas, filmes e séries tentam fazer isso desde que foram criadas. Aposto que você tem uma comédia romântica favorita ou uma canção que te faz lembrar de alguém especial. A verdade é que o amor existe nas mais distintas formas e traduzi-lo não é uma tarefa fácil. Lançada em 2019 pelo Amazon Prime Video, a primeira temporada de Modern Love buscou atualizar os contos românticos que existem por aí. Mas será que a segunda temporada da série mantém o mesmo padrão de qualidade?

Assim como em seu primeiro ano, a premissa da temporada é a mesma: os contos foram retirados de uma coluna publicada pelo The New York Times e encenados por rostos conhecidos de Hollywood. As "modernas" histórias de amor se passam nos mais variados cenários como trens, escolas e casas. No entanto, a criação de John Carney perde muito de seu charme na nova leva de episódios, desperdiçando assim bons nomes em tela. Embora seja preciso reconhecer o amadurecimento da temática, a inconstância entre os segmentos é difícil de ser ignorada. Apesar de independentes, é preciso um pouco de sorte para encontrar algo realmente engajante. Por falar em elenco, a nova temporada conta com Anna Paquin, Kit Harington, Tobias Menzies e muitos mais.

Ao situar seus episódios em novas locações, como Londres e Dublin, a segunda temporada de Modern Love abre mão de uma certa unidade. A maior cidade do mundo funcionava como um personagem extra em cada conto, dando ao espectador a sensação de que todas aquelas histórias poderiam muito bem ocorrer ao mesmo tempo. Obviamente que o amor não existe apenas lá, mas falta liga entre os capítulos. "The Night Girl Finds a Day Boy" é um exemplo de como explorar o ambiente em prol do roteiro. A improvável relação entre uma mulher que sofre de uma rara condição genética, trocando assim o dia pela noite, e um professor é também um bom exemplo de como a série lida com as nuances do romantismo, sobre se adaptar ao outro e abrir mão de certas coisas para que o relacionamento funcione.

Vendido como o grande destaque da temporada, "Strangers on a Train" é uma enorme decepção. Estrelado por Kit Harington e Lucy Boynton, esse é o único episódio que aborda o romance durante a pandemia. Curiosamente, deveria criar uma conexão maior com o espectador, afinal, de uma forma ou de outra descobrimos como é difícil lidar com o amor diante de um isolamento social. No entanto, os personagens não possuem carisma e a trama é rasa.

Entre os acertos, a segunda temporada de Modern Love investe mais em protagonistas negros e LGBTQIA+. "How Do You Remember Me?" é um dos melhores episódios da temporada, principalmente por fornecer um certo experimento narrativo. A alternância entre as memórias dos personagens mostra os diferentes pontos de vista de um intenso e único encontro e como cada experiência, por mais breve que seja, nos deixa alguma marca. O amor está nos detalhes e não apenas em sua longevidade. Existe também uma clara tentativa de estabelecer contato com o público mais jovem, em episódios como "Am I Gay or Straight? Maybe This Fun Quiz Game Will Tell Me" e "A Life Plan for Two, Followed by One".

Quando mencionei o amadurecimento da temática, logo o episódio "A Second Embrace, With Hearts and Eyes Open" veio em mente. Investindo na química entre Sophie Okonedo e Tobias Menzies, a história nos lembra que a vida nunca é algo programável e que situações ruins surgem justamente quando tudo parece se encaminhar para um tipo de final feliz. Modern Love acerta justamente quando trabalha com a empatia e o pé na realidade desses contos de amor. É isso que fornece ao público a sensação de que poderíamos passar por algo assim. Ou que já passamos, mas que apenas não foi publicado em um grande jornal.

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