GLOW – 3ª Temporada (Netflix) | Crítica

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Divulgação

GLOW chega a sua 3ª temporada na Netflix depois de agradar bastante nas duas primeiras, que mostraram um grupo de mulheres desajustadas sob o comando de pessoas não tão competentes assim na missão de transformá-las em autênticas lutadoras de luta-livre em plenos anos 80.

A deixa para esses novos episódios foi promissora, onde temos a equipe liderada por Ruth e Debbie promovendo seu show em Las Vegas, grande local para a diversão adulta capitalista, sem grande apelo para o que temos como valores morais de uma sociedade cristã.

Muitas lutadoras e muitas histórias

Desse modo, GLOW utiliza suas lutadoras também para mostrar o contexto dos marginalizados na sociedade dos EUA no período. Uma ou outra vertente é pouco explorada e se resolve em alguns diálogos, servindo para dosar a tensão ao longo dos capítulos, como ocorre com Jenny e Melanie, que estão na condição de refugiadas. Já o romance entre Arthie e Yolanda traz uma outra temática (a LGBT) mais elaborada, onde uma está em vias de se conhecer sexualmente enquanto a outra se encontra num estágio mais avançado.

Infelizmente, essa 3ª temporada de GLOW não acertou no ritmo de sua narrativa. Ter diversas subtramas acontecendo não é exatamente um problema, mas nesse caso o núcleo principal precisa se sustentar, e não é o que acontece com Ruth, Debbie e Sam Sylvia. Todos estão nivelados por baixo em núcleo emocional, banalizando a série nesse momento. O fato de algumas dessas histórias não serem concluídas também não ajuda muito.

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Pelo menos somos compensados com muitas cenas divertidas, embaladas pela ambientação dos anos 80 em Las Vegas. Jogatina e outras imoralidades são exibidas constantemente, servindo como instrumento para momentos inusitados na história.

GLOW é carisma

Apesar de faltar alguns momentos-chave, os personagens principais continuam com seu carisma e curva de aprendizagem mantidos. Alison Brie é uma grande atriz, e Ruth é quem encabeça o sentimento de outras garotas como Machu Picchu (Britney Young) de que o espetáculo de luta-livre não representa mais suas ambições, e um rompimento está se desenhando. Betty Gilpin, que interpreta Debbie, está levando sua personagem para além da moça loira que representa os ideais americanos. Marc Maron não fica atrás no quesito carisma, com seu personagem (Sam Sylvia) em constante mudança, apesar dele se encaixar perfeitamente na condição de homem do seu tempo.

No geral, assistir GLOW é uma experiência prazerosa, apesar do desequilíbrio dessa 3ª temporada. Há muita coisa valorosa em tela além do que já mencionamos como o machismo estrutural, felizmente diminuído em alguns sentidos nos dias atuais; o abuso de remédios para conseguir aguentar uma rotina estressante de trabalho; e a liberdade sexual, numa época onde, via de regra, era melhor se manter dentro do armário. São temas que podem ser espelhados para os dias atuais de modo bastante evidente.