Charles Luis Castro

17 maio, 2021

Séries

Investindo em suas principais qualidades, adaptação da famosa franquia de jogos chega ao fim

O encerramento de uma série costuma ser um momento de aflição para os fãs. De um lado, existe a expectativa por um final digno, que honre toda a jornada apresentada até o momento. Do outro, um certo receio de que nem tudo consiga se desenrolar da melhor forma. Game of Thrones é o exemplo que não me deixa mentir. A última temporada de Castlevania também passou por isso. A boa notícia é que uma das séries mais amadas da Netflix chega ao fim de uma maneira consciente e que deve agradar os fãs.

Algumas semanas após os intensos eventos da terceira temporada, nossos protagonistas continuam travando suas intermináveis batalhas. Trevor Belmont (Richard Armitage) e Sypha Benaldes (Alejandra Reynoso) descobrem que os fiéis seguidores de Drácula (Graham McTavish) ainda procuram formas de tirá-lo do inferno, deixando uma trilha de mortos pelo caminho. Alucard (James Callis) segue isolado no antigo castelo de seu pai. Porém, quando um pedido de socorro chega em sua porta, ele precisa agir para evitar que algo terrível aconteça. A principal reclamação sobre o último ano foi o excesso de tramas e a lentidão para desenvolvê-las. Aqui, o ritmo é bem mais acelerado, com ação e sanguinolência tomando conta de todos os episódios.

Com todas as peças posicionadas, Castlevania passa a resolver as tramas pendentes. A ideia é solucionar as mais simples e deixar o foco para o trio de protagonistas. A jornada de vingança de Isaac (Adetokumboh M'Cormack) é encerrada em algumas poucas cenas, algo estranho se levarmos em conta o foco recebido por ele nos episódios anteriores. O mesmo vale para o núcleo de Carmilla (Jaime Murray) e Hector (Theo James), que entra em rota de colisão com o antigo Mestre de Forja de Drácula. Em cenas muito bem animadas e membros decepados voando pela tela, esses capítulos são encerrados com um gosto amargo. O desenvolvimento desses personagens acaba sendo abandonado justamente em prol dessa agilidade narrativa.

O roteiro de Warren Ellis abusa de algumas facilitações, o que poderia ter um resultado bem diferente do esperado. No entanto, seu domínio das rédeas de Castlevania impede que a série siga por um rumo estranho. A direção de Sam Deats e Amanda Sitareh B. brilha especialmente nas cenas de ação. Relembrando suas origens no universo dos videogames, a última temporada não tem vergonha de preencher os episódios com os mais diversos tipos de monstros. Adotando, dessa forma, a dinâmica de enfrentar os chefões das fases. Tudo isso envolto pela já característica violência gráfica apresentada pela franquia.

Se compararmos com a primeira temporada, é inegável o quanto a trama de Castlevania evoluiu. A última e grandiosa batalha nem de longe lembra o começo tímido da jornada. Logo, existe a sensação de recompensa ao vermos os personagens principais em ação. Tudo foi construído para que eles brilhassem no final e o resultado é bastante satisfatório. Ao longo de suas temporadas, Castlevania conseguiu captar o espírito de uma das maiores franquias de jogos do mundo, enquanto trabalhou temas como fé, ambição, amor, traição e a busca por alguma tipo de rumo para a humanidade. O encerramento otimista funciona como esse sopro de esperança por dias melhores.

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