Better Call Saul – 5ª Temporada (Netflix) | Crítica com spoilers

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Penúltima temporada do spin-off de Breaking Bad une as narrativas de Jimmy e Mike

Better Call Saul, a spin-of de Breaking Bad, encerrou a pouco tempo a sua quinta e penúltima temporada (meu Deus como estamos velhos!). A série da Netflix conta a história do famoso advogado pilantra e como ele se transformou de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) em Saul Goodman. Nos novos episódios, os núcleos de Mike (Jonathan Banks) e Jimmy acabam se juntando mais e chegamos cada vez mais perto de uma conclusão. Confira nossa crítica com spoilers.

Jimmy e Kim

A quinta temporada foca finalmente na transformação de Jimmy em Saul, agora já podendo atuar na advocacia novamente. Uma das minhas coisas favoritas de Better Call Saul que acaba sendo enaltecida nessa temporada é a relação de Jimmy com Kim (Rhea Seehorn) e como a série mostra como eles são diferentes nas suas abordagens da lei. Enquanto Kim tenta sempre fazer a coisa certa, Jimmy a puxa para fazer cada vez mais malabarismos com a justiça. Kim está em um emprego dos sonhos trabalhando para um grande banco mas ela se sente vazia, tendo que fazer trabalhos pro bono para ajudar os mais necessitados. Enquanto isso, Jimmy procura cada vez mais ser um advogado de sucesso procurando inclusive clientes sem o menor escrúpulo.

O que vemos na relação dos dois é um confrontamento de ideologias antagônicas que acabam se completando. Jimmy sempre procurando cada vez mais mostrar a todos que é um advogado competente e fazer uma fortuna com a profissão, inclusive se envolvendo com o perigoso Cartel. Já Kim sabe que é uma boa profissional, e acha que essa sua habilidade pode fazer muito pela sociedade do que trabalhar para um banco.

Não é que ela seja a pessoa mais correta do mundo. Muitas vezes, por influencia de Jimmy, ela entorta um pouco as leis para conseguir seus objetivos, mas é sempre lutando por aquilo que ela acha que é certo. Por esses e outros detalhes ela é minha personagem favorita da série.

Mike

Do outro lado da história temos o núcleo de Mike, que eu confesso não gostar muito. Sempre achei esse núcleo uma ferramenta de fan service para fazer referências à série original. Mike é um bom personagem mas os conflitos que envolvem ele e Gus Fring (Giancarlo Esposito) não me interessam muito pois sabemos como vai acabar. Já Nacho (Michael Mando) e o recém-chegado Lalo (Tony Dalton), são figuras interessantes com seus próprios arcos narrativos e sem ligação com Breaking Bad. Dessa forma temos um elemento de surpresa pois não sabemos qual será o futuro deles.

Lalo acaba sendo o principal elo de ligação entre o mundo de Mike e Jimmy, inclusive colocando Kim no meio disso tudo. Se Better Call Saul seguir a mesma filosofia de Breaking Bad, sabemos que isso pode não acabar muito bem. Por falar na série original, essa é a temporada que mais se assemelha a ela. Temos até um episódio no deserto que lembra bastante uma situação que Walter e Jesse passaram. É natural, pois a história se move para cada vez mais próximo dos acontecimentos de Breaking Bad. Fico feliz que essa aproximação vem sendo trabalhada de forma orgânica e bem desenvolvida, uma marca registrada da narrativa de Vince Gilligan.

Por falar em Vince Gilligan, comentar sobre a qualidade técnica de Better Call Saul é chover no molhado. A série mantém ainda muito do estilo narrativo que consagrou o programa estrelado por Bryan Cranston. Isso somado com uma fotografia maravilhosa e atores acima da média torna-a uma das melhores produções da Netflix.

Conclusão

Better Call Saul encerra a quinta temporada de modo fabuloso e dá um ótimo gancho para a sua última temporada que contará com 13 episódios. Jimmy e Kim estão totalmente inseridos dentro do Cartel e agora possuem planos para conseguir o dinheiro da Sandpiper. Estou ansioso para ver como essa história vai acabar e se conectar com Breaking Bad.