Desde que a segunda temporada da série “O Poderoso Chefinho: De Volta aos Negócios” ficou disponível na Netflix, estou querendo compartilhar o quanto eu gosto desta sequência. O longa-metragem (2017) dirigido por Tom McGrath, com roteiro de Michael McCullers baseado no livro de Marla Frazee (“The Boss Baby”), foi indicado ao Oscar 2018 na categoria animação e superou as expectativas dos mais otimistas “tarólogos da cinematografia”, apesar de ficar bem abaixo na arrecadação comparado a outros filmes da Dreamworks como “Shrek” e “Madagascar”.

“The Boss Baby” o livro que inspirou a série e o filme.

Em 2018, Netflix e Dreamworks apostaram na série que dá continuação a história do filme. O “bossbaby” está de volta aos negócios e tenta equilibrar a vida familiar com o trabalho da Baby Corp com a ajuda de seu irmão e cúmplice, Tim. A primeira temporada estreou em março e a segunda temporada estreou em outubro do ano passado.

A série de animação não possui a mesma qualidade visual do longa metragem, até porque fazer série em 3D na velocidade e no cronograma que as tvs e streamings precisam é um grande desafio. Nem de longe, essa diferença atrapalha a divertidíssima experiência de assistir às duas temporadas de “O Poderoso Chefinho”.

O principal motivo das risadas é a capacidade que a série tem de debater o mundo corporativo com piadas extremamente críticas, utilizando a incrível desenvoltura do ator JP Karliak na voz do chefinho dando vida aos textos (escritos na maioria por Sam Cherington, Alexandra Decas entre outros). Em paralelo, o objetivo maior da Baby Corp é manter a simpatia dos habitantes da terra pelos bebês em sua “desleal” competição com os animais de estimação e até com os idosos. A Baby Corp faz de tudo em seus departamentos para garantir o sucesso dos bebês e de suas famílias.

Essas temáticas (família x mundo corporativo) geram um binômio para comicidade e também grande reflexão. Chefinho e seu irmão Tim aprendem muito juntos, e mesmo com um bebê falante (algo bem fora do comum) os irmãos tem dilemas comuns a todos que tem irmãos.

Outro ponto alto são os personagens antagonistas, personificados nos vilões de corporações inimigas e por “colegas” de trabalho do Chefinho que impedem seu crescimento na empresa ou não oferecem as oportunidades prometidas, em troca de tanto tempo de serviço.

A série, além de muito divertida, é para pessoas de todas as idades. É também um belo exemplo de utilização bem sucedida de temáticas aparentemente difíceis de se trabalhar para o público infantil (como o mercado de trabalho). Não subestima as crianças, envolve adultos e faz você não parar mais de assistir.

“O Poderoso Chefinho: De Volta aos Negócios” é uma excelente pedida para os que amam animações que cumprem uma função primordial rir sem precisar se sujar. A menos que sejam as fraldas. A Dreamworks confirmou o lançamento do segundo longa para 2021 e Alec Baldwin está confirmado como a voz de Babyboss. Enquanto isso: Netflix.