Cleaner, lançado no Brasil como Resgate em Grande Altitude, transforma um arranha-céu em zona de guerra para construir um thriller de ação que mistura tensão claustrofóbica, suspense vertical e ecos evidentes de Die Hard. Dirigido por Martin Campbell, cineasta conhecido por trabalhos como GoldenEye e Casino Royale, o longa aposta em uma fórmula conhecida, mas encontra energia na condução da ação e na presença de Daisy Ridley. Leia a nossa crítica:
A trama acompanha Joey, uma limpadora de janelas que trabalha em um edifício corporativo de Londres. O cotidiano da personagem já começa em crise: além de enfrentar problemas financeiros e profissionais, ela precisa lidar com a situação delicada do irmão Michael. Quando um grupo ecoterrorista invade uma gala empresarial realizada no prédio e faz centenas de pessoas reféns, Joey se torna a única pessoa capaz de agir do lado de fora do edifício.
O roteiro de Simon Uttley entende exatamente o tipo de filme que deseja entregar. Resgate em Grande Altitude nunca tenta esconder suas referências ao cinema de ação dos anos 1980 e 1990. Há elementos de The Towering Inferno, da tensão confinada de Phone Booth e, principalmente, da estrutura clássica de um herói isolado enfrentando terroristas em um espaço fechado. A diferença é que Campbell troca parte do espetáculo explosivo por uma abordagem mais contida e britânica.
Essa escolha funciona especialmente nas sequências externas do prédio. Campbell explora constantemente a sensação de altura, utilizando andaimes, plataformas suspensas e corredores estreitos para construir suspense visual. O diretor transforma o lado de fora do arranha-céu em um campo de batalha improvisado, onde qualquer erro pode significar queda livre. Mesmo sem reinventar o gênero, o cineasta demonstra domínio técnico para manter o ritmo da narrativa.
Grande parte do funcionamento do longa passa pela atuação de Ridley. Depois de anos associada à franquia Star Wars: The Force Awakens e suas continuações, a atriz encontra aqui um papel de ação mais físico e direto. Joey não é construída como uma heroína sarcástica ou carregada de frases de efeito. A personagem opera em silêncio, concentrada em sobreviver e proteger o irmão. Ridley sustenta essa postura com presença constante nas cenas de combate e perseguição.
O relacionamento entre Joey e Michael também ajuda o filme a encontrar algum peso emocional em meio ao caos. Interpretado por Matthew Tuck, o irmão da protagonista se torna peça importante dentro do conflito, e os momentos entre os dois oferecem pequenas pausas dramáticas que evitam que a produção se transforme apenas em uma sequência de explosões e confrontos.

Do outro lado, o antagonista Noah, vivido por Taz Skylar, adiciona imprevisibilidade à trama. Diferente de vilões estrategistas clássicos do gênero, Noah é impulsivo e caótico. O personagem cria tensão justamente pela instabilidade de suas decisões, ainda que o roteiro não aprofunde as discussões políticas envolvendo o grupo extremista. O debate entre ativismo e violência aparece de forma superficial, servindo mais como motor narrativo para as cenas de ação.
O elenco ainda conta com Clive Owen, embora sua participação seja menor do que o marketing sugere. O ator funciona mais como apoio para o desenrolar da trama do que como uma presença dominante dentro da história.
Crítica do filme: vale à pena assistir Resgate em Grande Altitude no Prime Video?
Mesmo com diálogos previsíveis e soluções convenientes em determinados momentos, Resgate em Grande Altitude entende sua proposta. O filme não tenta reinventar o thriller de ação, mas entrega exatamente o que promete: tensão constante, combates em espaços reduzidos e uma protagonista tentando sobreviver em circunstâncias extremas. Para o público do Prime Video, a produção surge como uma opção eficiente para quem procura um suspense direto, sustentado pela experiência de Martin Campbell e pela presença física de Daisy Ridley.