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A repetição de fórmula em The Flash

Charles Luis Castro

12 dez, 2016

Após sua ótima primeira temporada, The Flash encontra-se em um momento conturbado. A terceira temporada já registrou uma queda de audiência, e o pior, falta criatividade para superar os problemas. Deixando a diversão e leveza de lado, a produção tenta se apoiar em questões mais densas e dramáticas. Quando bem trabalhado, funciona, mas é uma tentativa falha na maior parte do tempo.

The Present, 9º episódio da atual temporada e o último do ano, conserta alguns equívocos enquanto esbarra na repetição da fórmula cambaleante do segundo ano. O "mistério" envolvendo a identidade do Doutor Alquimia foi finalmente concluído. Dando um vislumbre do passado de Julian (Tom Felton), o episódio mostra o que todos já imaginavam: ele é apenas um peão de Savitar. Um arauto que acompanha o Deus da Aceleração ao longo das eras.

Um solução simples, que combinou perfeitamente com a proposta do vilão. Não adiantaria esticar por mais alguns episódios, afinal a trama precisa avançar. Resta saber o que vai acontecer com aqueles que ganharam poderes através da Pedra Filosofal. Será que Savitar irá utilizá-los como marionetes em algum momento? Mas o que resta para The Flash é um novo velocista como vilão. E o pior, mais um que tem rixa com a versão futura do Velocista Escarlate. Flash Reverso e Zoom devem ter aberto uma escola

Savitar é ameaçador e poderoso. Com seu visual futurista e animalesco, é um vilão que apresenta uma dificuldade para Barry. O grande problema é que já vimos isso antes e já temos uma ideia de como vai terminar. Até em suas raras aparições, o Deus da Velocidade apresenta o mesmo método de ação. Será que ninguém consegue pensar em algo novo?

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A questão da viagem no tempo é outro agravante no atual momento da terceira temporada. Passada a decepção com o Ponto de Ignição, foi possível compreender a proposta dos produtores. As consequências da cagada feita por Barry Allen seriam desenvolvidas ao longo dos episódios, criando situações tensas. Mas não foi bem assim. Fora alguns momentos, ainda falta um momento realmente impactante.

Após brincar com o passado, The Flash flerta com o futuro. A visão de Iris sendo morta por Savitar certamente ficará marcada na mente de Barry e guiará seus passos nos próximos episódios. Mas sabemos que estamos diante de uma série que geralmente apresenta cenários parecidos, apenas para evitá-los de alguma forma mirabolante. Mais interessante que nos mostrar algo no futuro, seria apresentar o Flash que desperta o ódio de tantos inimigos.

Mas nem tudo está ruim em The Flash. A dinâmica da equipe continua afiada, mesmo que tenha sido testada em vários momentos. A relação de Barry e Cisco, uma das melhores coisas das outras temporadas, esteve em risco. Apesar de criar um clima diferente, a ideia já estava se desgastando. Por sorte, resolveram enquanto havia tempo. Assim como a enrolação sobre Wally West assumir o manto de Kid Flash. H.R. é bastante divertido, apesar de claramente esconder um segredo. Outro assunto para o resto da temporada.

Só que o grande destaque do episódio e da primeira parte da temporada vai para Jay Garrick. Assumindo um papel de conselheiro e até mesmo de pai, já que o Flash da Terra-3 é um doppelganger do pai de Barry. A interação entre os dois heróis garante os melhores momentos do episódio, inclusive alguns diálogos importantes para moldar a personalidade heroica do Flash da Terra-1. Uma pena que John Wesley Shipp não pode aparecer em todos os episódios, seria o sopro de qualidade que a temporada precisa.

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A terceira temporada de The Flash entra em uma pausa necessária, que pode ser utilizada para rever alguns conceitos e escolhas. Apesar de ser um dos personagens mais queridos e carismáticos da DC Comics, é preciso muito mais para manter o público interessado em uma série. É o melhor o Velocista Escarlate resolver seus problemas e rápido.

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