Rebel Moon Rebel Moon

Rebel Moon: os rebeldes sem causa de Zack Snyder

Sejamos sinceros aqui. Todos nós sabemos o que iremos encontrar em um filme dirigido por Zack Snyder, certo? O excesso de câmera lenta, o estilo acima da narrativa e doses gigantescas de autorreferências. Foi assim em sua passagem pela DC Comics, principalmente durante o período em que se aventurou por filmes de super-heróis e possivelmente continuará enquanto ele trabalhar. Mas o que ainda nos faz consumir suas obras? Penso que algum tipo de busca por uma diversão estilizada como recompensa. Eis que chega Rebel Moon, o épico espacial sci-fi do diretor que foi ignorado pela Disney como uma versão de Star Wars. Financiado e lançado pela Netflix, o longa é tudo que já sabemos sobre Snyder. Com o agravante de falhar até mesmo como aventura clichê.

E quem espera encontrar uma versão de Star Wars mais sombria e realista, longe das malvadas garras da Disney, é bom regular as próprias expectativas. Rebel Moon no máximo está no mesmo patamar de A Ascensão Skywalker, o que é mais próximo que o longa chega da obra de George Lucas. Sem espaço para uma construção de mundo decente, o cerne é o que todos conhecem: um império fascista que controla a galáxia levando destruição e morte por onde passa é desafiado por personagens distintos unidos por um desejo em comum. Apostando na mística dos heróis falhos que buscam redenção, Snyder esvazia seus personagens de carisma e urgência.

Quando as forças do Mundo-Mãe comandadas pelo terrível Almirante Noble (Ed Skrein) ameaçam a paz num pacato planeta, a relutante Kora (Sofia Boutella) decide viajar pelo universo atrás de guerreiros para combater esse mal. Quando um roteiro é pensado para focar na construção de uma equipe, os personagens em tela precisam cativar o espectador. Logo, são necessárias situações que gerem empatia e reforcem a ideia de um trabalho em equipe, mesmo que disfuncional na maior parte do tempo. Peguemos como exemplo Guardiões da Galáxia, que executa essa premissa com maestria. Rebel Moon anda na contramão, entregando um grupo sem o menor carisma e sintonia. Isso torna toda a jornada do longa um desafio maior do que o necessário. Devemos investir tempo para acompanhar personagens com os quais não nos importamos?

Isso tira qualquer tipo de peso do roteiro escrito por Snyder, Kurt Johnstad e Shay Hatten. Quando uma nada sutil traição acontece, você não poderia se importar menos. Todo background dos integrantes da equipe é feito por diálogos expositivos, assim como as cenas de recrutamento se resolvem de maneira convenientemente rápida. Esse tempo que foi economizado poderia ter sido utilizado para construir algum tipo de laço entre os rebeldes. Nem isso ocorre.

Mas se o roteiro é falho, a questão visual vale a pena? Bom, depende do quanto você se impressiona com o estilo de Snyder. O design de produção é bastante genérico na maior parte do tempo, com figurinos básicos. No máximo o lado dos vilões ainda possui algum tipo de identidade. Parece que nunca conhecemos esse mundo de verdade, que o épico na realidade foi concebido em escala mínima. Algumas cenas de ação ainda se salvam, mas na maior parte do tempo Rebel Moon é apenas mais um filme com excesso de câmera lenta em momentos inoportunos. O principal exemplo está numa cena de sacrifício que deveria ser emocionante, mas é cômica. Novamente, quem compra a ideia do diretor terá um banquete completo para se deliciar.

A pior questão envolvendo Rebel Moon é a ameaça de que a versão do diretor será lançada no futuro para complementar a experiência. Mas qual a necessidade de lançar um produto inacabado num serviço de streaming? Bom, talvez isso faça sentido na mente visionária de Zack Snyder. A verdade é que assistir ladrões lutando contra zumbis em Las Vegas é muito mais divertido que acompanhar os rebeldes espaciais sem causa. E ainda teremos a parte dois dessa história…