Possuída no Deserto (Killing Faith, 2025) é um faroeste que abandona rapidamente a narrativa tradicional para mergulhar em uma história marcada por violência, mistério e elementos sobrenaturais. Dirigido e roteirizado por Ned Crowley, o filme (disponível na HBO Max) acompanha uma jornada pelo Oeste americano de 1849, período marcado pela expansão territorial e pela corrida do ouro.
A trama acompanha Bender (Guy Pearce), um médico viúvo e cético que aceita escoltar Sarah (DeWanda Wise), uma mulher recém-liberta, e sua filha até uma cidade distante. A menina possui uma característica assustadora: tudo o que toca aparentemente morre. Enquanto Sarah acredita que a filha está possuída, Bender suspeita de uma doença desconhecida.
A viagem, inicialmente apresentada como uma missão para encontrar um curandeiro, transforma-se em uma sucessão de encontros perigosos. Entre as figuras encontradas pelo caminho estão Shakespeare (Raoul Trujillo), um caçador indígena, Maggie (Joanna Cassidy) e o pregador Ross (Bill Pullman). O grupo nunca sabe exatamente em quem pode confiar, o que mantém a atmosfera de tensão durante boa parte da produção.
Guy Pearce é o principal destaque de Possuída no Deserto
Guy Pearce conduz o filme com uma atuação que combina ceticismo, desgaste emocional e culpa. Bender é um homem marcado por perdas e incapaz de enxergar sentido espiritual no mundo ao seu redor. Sua relação com Sarah e a menina, porém, transforma gradualmente sua jornada em uma possibilidade de redenção.
DeWanda Wise também encontra espaço para construir uma personagem determinada. Sarah não é apenas uma passageira da história sobrenatural, mas uma mulher tentando proteger a filha em uma sociedade marcada pelo racismo e pela violência.
Bill Pullman, por sua vez, surge mais tarde e ganha importância ao representar o conflito entre fé e razão.

Violência e atmosfera pesam mais que a história
Visualmente, Killing Faith aposta em paisagens áridas, fotografia de tons quentes e imagens perturbadoras. Corpos mutilados, substâncias estranhas e mortes violentas ajudam a transformar o Oeste em um território quase infernal.
A proposta lembra filmes como Bone Tomahawk, especialmente pela combinação entre faroeste e horror. A diferença é que Crowley investe mais no aspecto surreal e religioso, criando uma atmosfera de pesadelo.
O orçamento limitado fica perceptível em alguns efeitos visuais e cenários, enquanto o terceiro ato recorre a soluções mais convencionais. Ainda assim, essas limitações não anulam a identidade do longa.

Vale a pena assistir a Possuída no Deserto na HBO Max?
Possuída no Deserto funciona melhor quando abraça sua mistura de gêneros. O filme não pretende ser um faroeste tradicional e encontra seus melhores momentos justamente na violência, no suspense e na dimensão sobrenatural.
Com Guy Pearce e DeWanda Wise no centro da história, a produção entrega uma experiência irregular, mas suficientemente peculiar para quem procura um faroeste diferente.