Passageiro do Mal (Passenger, 2026) - Crítica e Fatos do Filme de Terror de André Øvredal Passageiro do Mal (Passenger, 2026) - Crítica e Fatos do Filme de Terror de André Øvredal

Passageiro do Mal (2026) | Crítica do Filme de Terror de André Øvredal

O diretor norueguês André Øvredal construiu uma carreira sólida dentro do terror ao combinar atmosfera, folclore e criaturas inquietantes em produções como A Autópsia de Jane Doe e A Última Viagem do Demeter. Em Passageiro do Mal (Passenger, 2026), seu novo lançamento nos cinemas brasileiros, ele volta a explorar o medo do desconhecido, desta vez em uma trama que transforma uma simples viagem de estrada em uma experiência marcada por paranoia e perseguição sobrenatural.

A trama do terror de André Øvredal, que transforma uma viagem de van em um pesadelo sobrenatural nas estradas

A história acompanha Tyler (Jacob Scipio) e Maddie (Lou Llobell), um casal recém-noivo que decide abandonar a vida convencional para morar em uma van e cruzar os Estados Unidos. A aventura, no entanto, sofre uma mudança radical quando eles param para ajudar vítimas de um acidente em uma estrada isolada. Pouco depois, sinais estranhos começam a surgir, indicando que algo os seguiu naquele trecho esquecido do mapa.

O roteiro de Zachary Donohue e T.W. Burgess trabalha com elementos conhecidos do terror folclórico e das histórias de estrada. A premissa não é exatamente original, mas encontra força na maneira como desenvolve a relação entre os protagonistas. Tyler e Maddie são personagens críveis, com conflitos cotidianos e objetivos diferentes para o futuro, o que ajuda a criar envolvimento emocional antes que os acontecimentos sobrenaturais assumam o controle da narrativa.

Grande parte da eficiência de Passageiro do Mal está na direção de Øvredal. O cineasta demonstra domínio na construção da tensão e sabe utilizar espaços abertos para transmitir sensação de isolamento. Estradas vazias, estacionamentos desertos e áreas remotas ganham uma presença ameaçadora. Algumas sequências se destacam pelo uso criativo da câmera e da iluminação, produzindo imagens que permanecem na memória mesmo após o encerramento da sessão.

A criatura conhecida como “Passageiro” também funciona como uma figura perturbadora. Sua presença é construída gradualmente por meio de aparições breves, visões e sinais que aumentam a sensação de insegurança. O trabalho físico de Joseph Lopez contribui para tornar a entidade uma ameaça constante, enquanto o desenho sonoro reforça a atmosfera de desconforto.

Crítica do filme: vale à pena assistir Passageiro do Mal nos cinemas?

Por outro lado, o filme perde parte de sua força na segunda metade. Conforme a trama avança, algumas soluções narrativas passam a depender de convenções já bastante exploradas pelo gênero. Os sustos tornam-se mais frequentes, mas nem sempre mais eficazes. Além disso, personagens com potencial, como a misteriosa viajante interpretada por Melissa Leo, acabam recebendo menos espaço do que poderiam.

Ainda assim, Passageiro do Mal entrega aquilo que muitos fãs procuram em uma sessão de terror: tensão contínua, momentos de impacto visual e uma ameaça sobrenatural capaz de transformar um ambiente comum em algo ameaçador. Não reinventa o gênero, mas demonstra como uma direção competente pode elevar uma premissa familiar e transformá-la em uma experiência envolvente para quem gosta de histórias de horror ambientadas na estrada.