O Bastardo (Bastarden) Crítica do filme com Mads Mikkelsen O Bastardo (Bastarden) Crítica do filme com Mads Mikkelsen

O Bastardo (2024) Crítica do Filme com Mads Mikkelsen | Prime Video

Mads Mikkelsen conduz épico dinamarquês sobre ambição e sobrevivência

Ambientado na Dinamarca do século XVIII, O Bastardo (Bastarden) acompanha uma tentativa quase impossível de transformar uma região inóspita da Jutlândia em uma área habitável. Dirigido por Nikolaj Arcel e estrelado por Mads Mikkelsen, o filme (disponível no Prime Video) combina drama histórico, conflito social e uma história de sobrevivência para construir um retrato de um homem consumido pela própria ambição.

Mikkelsen interpreta Ludvig Kahlen, um capitão recém-saído do Exército que procura a Corte dinamarquesa com uma proposta ousada: ocupar e cultivar os áridos campos da Jutlândia em troca de um título de nobreza. A região é considerada praticamente inútil, mas Kahlen acredita que pode transformá-la e, ao mesmo tempo, conquistar o reconhecimento social que sempre lhe foi negado.

A missão rapidamente se transforma em uma batalha contra a natureza e contra os interesses daqueles que controlam a região. O principal adversário é Frederik de Schinkel (Simon Bennebjerg), um proprietário local que não aceita a presença de Kahlen e passa a utilizar sua influência para expulsá-lo. O confronto entre os dois se torna cada vez mais violento, colocando em evidência as profundas diferenças entre a aristocracia e os personagens que vivem à margem daquela sociedade.

O filme, porém, encontra sua maior força quando deixa de tratar a conquista da terra como seu único objetivo. Kahlen recebe a ajuda de Ann Barbara (Amanda Collin) e Johannes (Morten Hee Andersen), um casal que fugiu de Schinkel, e acaba acolhendo também Anmai Mus (Melina Hagberg), uma jovem que surge inesperadamente em sua trajetória. Aos poucos, esse grupo improvisado cria uma espécie de família, obrigando o protagonista a reconsiderar as prioridades que orientaram sua vida.

É justamente nesse processo que Mads Mikkelsen entrega uma das atuações mais marcantes de O Bastardo. Kahlen é inicialmente um homem rígido, orgulhoso e pouco disposto a demonstrar sentimentos. Mikkelsen trabalha essas características por meio de pequenos gestos e expressões, permitindo que mudanças aparentemente discretas revelem as contradições do personagem.

Amanda Collin também se destaca como Ann Barbara, cuja trajetória ganha cada vez mais importância à medida que a história avança. Já Melina Hagberg traz espontaneidade para Anmai Mus, criando uma relação inesperadamente afetiva com Kahlen. Simon Bennebjerg, por outro lado, abraça o excesso de Frederik de Schinkel e transforma o antagonista em uma presença ameaçadora.

A direção de Nikolaj Arcel evita transformar o longa em um simples épico de época. A fotografia de Rasmus Videbæk valoriza a paisagem árida e hostil da Jutlândia, enquanto os interiores iluminados por velas criam uma atmosfera que contrasta com a dureza dos campos. Direção de arte, figurinos e trilha sonora também contribuem para a reconstrução daquele período sem chamar atenção excessiva para si mesmos.

O Bastardo (Bastarden) Crítica do filme com Mads Mikkelsen

Crítica de O Bastardo: vale à pena assistir ao filme no Prime Video?

O principal problema está no ritmo durante a reta final. Depois de atingir um ponto que funcionaria naturalmente como encerramento, O Bastardo prolonga sua conclusão, diminuindo parte do impacto acumulado ao longo da narrativa. A repetição de conflitos entre Kahlen e Schinkel também pode tornar determinados trechos previsíveis.

Ainda assim, o resultado é um drama histórico sólido, que utiliza uma disputa por território para discutir ambição, desigualdade, pertencimento e os limites da busca por reconhecimento. Mais do que a transformação da terra, o verdadeiro arco de O Bastardo está na transformação de Ludvig Kahlen — e é nessa dimensão humana que o filme encontra sua maior força.