O Aniversário (2025) Crítica do Filme disponível no Prime Video O Aniversário (2025) Crítica do Filme disponível no Prime Video

O Aniversário (2025) Crítica do Filme | Prime Video

Drama político com ator de Lanternas aposta no desconforto no Prime Video

O Aniversário (Anniversary, 2025) parte de uma situação aparentemente familiar para construir um thriller político cada vez mais perturbador. Dirigido pelo polonês Jan Komasa e escrito por Lori Rosene-Gambino, o filme (disponível no Prime Video) acompanha uma família americana que começa a se desintegrar à medida que um movimento autoritário ganha força nos Estados Unidos.

No centro da história estão Ellen (Diane Lane), uma professora de ciência política com posições progressistas, e Paul (Kyle Chandler), chef e dono de um restaurante frequentado pela elite de Washington. O casal comemora 25 anos de casamento ao lado dos filhos, mas a chegada de Liz (Phoebe Dynevor), antiga aluna de Ellen e futura estrela da mídia conservadora, muda completamente a dinâmica familiar.

Um thriller político que invade a vida familiar

A estrutura de O Aniversário é um dos seus principais diferenciais. Em vez de acompanhar uma crise política em escala convencional, o roteiro mostra seus efeitos dentro de uma única família ao longo de cinco anos.

A ascensão de Liz e de seu movimento, chamado “The Change”, funciona como um espelho da transformação da sociedade. Inicialmente apresentado como uma proposta de união e “senso comum”, o movimento gradualmente assume características autoritárias, enquanto seus discursos passam a influenciar decisões políticas e relações pessoais.

Essa abordagem faz com que o filme seja menos interessante quando tenta explicar suas ideias diretamente e muito mais eficiente quando mostra as consequências delas. Olhares desconfortáveis durante reuniões familiares, mudanças de comportamento e conflitos entre pais e filhos acabam transmitindo mais do que os discursos políticos.

Diane Lane e Kyle Chandler sustentam o filme

O elenco é um dos pontos mais fortes. Diane Lane interpreta Ellen com uma combinação convincente de inteligência, indignação e vulnerabilidade, enquanto Kyle Chandler oferece um contraponto mais reservado como Paul.

Phoebe Dynevor também se destaca como Liz, justamente por evitar transformar a personagem em uma vilã caricatural. Sua cordialidade e aparente preocupação com as pessoas tornam a ascensão da personagem ainda mais inquietante.

Madeline Brewer, Zoey Deutch, Dylan O’Brien e McKenna Grace completam a família, representando diferentes maneiras de reagir às mudanças políticas e sociais apresentadas pelo roteiro.

O Aniversário não é um filme perfeito

O maior problema está no primeiro ato. A quantidade de informações necessárias para estabelecer os personagens e o cenário político torna o começo relativamente lento. Algumas ideias também são apresentadas de maneira excessivamente explícita, o que pode dar ao filme uma aparência de panfleto político.

A segunda metade, porém, é consideravelmente mais forte. Conforme o movimento ganha poder, a produção abandona parte da exposição inicial e aposta no suspense, na paranoia e no desconforto. O conflito político passa a ser percebido principalmente pelas consequências dentro daquela casa.

Há ainda situações que exigem certa disposição do espectador para aceitar algumas decisões narrativas. Mesmo assim, a proposta ambiciosa consegue permanecer na cabeça depois dos créditos.

O Aniversário (2025) Crítica do Filme disponível no Prime Video

Crítica do filme: vale a pena assistir a O Aniversário?

O Aniversário não tenta oferecer uma representação sutil de seus temores políticos. É um filme direto, desconfortável e deliberadamente provocativo, que utiliza a deterioração de uma família para discutir como movimentos autoritários podem conquistar espaço por meio de ressentimento, influência e promessas aparentemente conciliadoras.

Não agradará a todos, especialmente quem procura um thriller político mais convencional ou menos explícito em suas posições. Para quem aceita a proposta, entretanto, o filme encontra sua força justamente no incômodo que provoca.

Sendo assim, O Aniversário tem problemas de ritmo e algumas escolhas excessivamente didáticas, mas é sustentado por boas atuações, uma premissa inquietante e uma segunda metade que transforma o drama familiar em um thriller político cada vez mais tenso.