Uma homenagem ao cinema de ação dos anos 1980 no Apple TV
Há algo coerente em Mayday (2026) chegar pelas mãos de Jonathan Goldstein e John Francis Daley. Depois de explorarem a comédia de grupo em A Noite do Jogo e misturarem fantasia e humor em Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes, a dupla retorna com uma produção que olha diretamente para o cinema de ação dos anos 1980.
Ambientado em 1987, durante os últimos anos da Guerra Fria, o filme combina espionagem, perseguições e humor para construir uma espécie de comédia de parceiros improváveis. A referência mais evidente é Top Gun, mas Mayday também recupera o espírito de produções que transformavam personagens incompatíveis em aliados diante de uma ameaça maior.
A nostalgia funciona melhor quando o filme do Apple TV não tenta apenas reproduzir aquela estética, mas brinca com seus próprios clichês. Há espaço para referências à cultura pop americana, à música e ao imaginário da Guerra Fria, enquanto a direção mantém um ritmo próximo ao dos grandes filmes de ação daquele período.
Ryan Reynolds e Kenneth Branagh são o coração do filme Mayday
A história acompanha Troy “Assassino” Kelly (Ryan Reynolds), piloto da Marinha dos Estados Unidos enviado em uma missão secreta sobre território soviético. Quando seu avião é abatido, ele precisa se ejetar e acaba atrás das linhas inimigas.
É nesse momento que entra Nikolai Ustinov (Kenneth Branagh), um ex-agente da KGB que decide ajudar o americano. A partir daí, os dois precisam atravessar o território soviético enquanto tentam encontrar uma maneira de escapar.
O contraste entre os protagonistas é o principal motor de Mayday. Reynolds aposta novamente em seu conhecido estilo de humor, enquanto Branagh encontra uma abordagem mais descontraída e surpreendentemente cômica para Nikolai.
O resultado é uma dinâmica que funciona justamente porque os atores não tentam esconder as diferenças entre seus personagens. As discussões, provocações e referências a Top Gun ajudam a transformar uma situação potencialmente dramática em uma aventura de sobrevivência com espírito de buddy movie.

Quando a nostalgia pesa mais do que a história
O problema é que Mayday nem sempre consegue transformar suas referências em algo realmente novo. A estrutura da narrativa é familiar, e algumas situações parecem existir apenas para conduzir os personagens de uma sequência de ação à seguinte.
O segundo ato também apresenta soluções convenientes demais para alguns conflitos. Personagens secundários, como a filha de Nikolai, interpretada por Maria Bakalova, e o pai de Troy, vivido por David Morse, acabam subaproveitados, deixando a sensação de que determinadas possibilidades dramáticas poderiam ter sido desenvolvidas com mais cuidado.
Reynolds, por sua vez, ocasionalmente parece interpretar uma variação de sua própria persona cinematográfica, o que reduz um pouco o impacto de Troy como personagem. Branagh consegue compensar essa limitação ao conferir humanidade e humor a Nikolai.

Crítica do filme: vale a pena assistir a Mayday no Apple TV?
Mayday está longe de reinventar a comédia de ação, mas também não depende exclusivamente de suas referências para funcionar. A direção de Goldstein e Daley mantém o filme em movimento, enquanto as cenas de ação têm escala e clareza suficientes para sustentar a proposta.
No fim, a produção funciona melhor como uma homenagem bem executada ao cinema de uma época do que como uma obra particularmente original. A química entre Ryan Reynolds e Kenneth Branagh, porém, dá ao filme personalidade suficiente para tornar a jornada divertida.
Mayday é uma comédia de ação eficiente, nostálgica e conduzida por dois protagonistas que encontram um bom equilíbrio entre humor e aventura.