James Watkins conduz thriller sobre manipulação e violência
Remakes de filmes de terror costumam enfrentar resistência, principalmente quando partem de obras recentes e bem avaliadas. É exatamente esse o caso de Não Fale o Mal (Speak No Evil), versão dirigida por James Watkins para o thriller dinamarquês lançado em 2022. Em vez de reproduzir integralmente o tom do original, o cineasta opta por adaptar a história para um público mais amplo, sem abrir mão da tensão que transformou a premissa em um dos conceitos mais comentados do terror contemporâneo. Confira a nossa crítica do longa disponível para assistir na Netflix.
A trama acompanha Ben (Scoot McNairy), Louise (Mackenzie Davis) e a filha Agnes, uma família americana vivendo em Londres que tenta superar dificuldades pessoais e conjugais. Durante uma viagem à Itália, eles conhecem Paddy (James McAvoy) e Ciara (Aisling Franciosi), um casal aparentemente acolhedor que os convida para passar um fim de semana em sua casa no interior da Inglaterra.
O que começa como uma oportunidade de descanso rapidamente se transforma em uma experiência desconfortável. Pequenos episódios de invasão de limites e comportamentos inadequados surgem gradualmente, enquanto os visitantes insistem em ignorar os sinais de alerta. A tensão cresce justamente pela incapacidade dos protagonistas de confrontar situações que claramente ultrapassam o aceitável.
Nesse aspecto, Não Fale o Mal funciona como um estudo sobre submissão social. O roteiro explora o quanto a necessidade de ser educado, compreensivo ou agradável pode levar pessoas a permanecerem em ambientes perigosos. Muitas das decisões dos personagens podem gerar frustração no público, mas fazem parte da proposta central do filme: mostrar como relacionamentos abusivos costumam se sustentar por meio de manipulação emocional e constrangimento psicológico.

O principal trunfo da produção é James McAvoy. O ator constrói Paddy como uma figura carismática e inquietante ao mesmo tempo. Em um momento, ele parece apenas um anfitrião expansivo e espontâneo; no seguinte, transmite uma sensação constante de ameaça. Essa dualidade mantém o espectador em alerta durante toda a narrativa e dá ao longa boa parte de sua força dramática.
Scoot McNairy e Mackenzie Davis também entregam atuações consistentes, especialmente quando o roteiro exige que o casal demonstre desgaste emocional sem recorrer a longas explicações. A dinâmica entre os dois ajuda a reforçar a fragilidade da família diante da influência exercida por Paddy.

Crítica do filme: vale à pena assistir Não Fale o Mal na Netflix?
Embora abandone parte do niilismo presente na versão original, Não Fale o Mal compensa essa escolha apostando em uma reta final mais convencional, porém eficiente. O suspense psicológico dá lugar a uma escalada de violência e sobrevivência que dialoga com thrillers populares das décadas de 1980 e 1990.
Sem reinventar o gênero, Não Fale o Mal entrega uma experiência tensa, sustentada por atuações sólidas e por uma reflexão desconfortável sobre os limites da cordialidade. E, graças à presença magnética de James McAvoy, o filme encontra uma identidade própria mesmo vivendo à sombra de seu antecessor.