Loddlenaut mergulha em fofura mas é um grande trabalhão

Não sei se é o mercado me dando mais opções ou a vida adulta me pedindo por mais momentos pra descansar, mas eu comecei a apreciar muito esses jogos cuja proposta é só relaxar fazendo algo fofinho e bonitinho. E, aparentemente, uma das coisas mais relaxantes de se fazer em videogame é… limpar lugares? O prazer de ver tudo ficando limpinho enquanto você ouve um podcast sem precisar suar de cansaço é um sonho que eu esperava ter jogando Loddlenaut, jogo de estreia da texana Moon Lagoon.

Loddlenaut

A ideia é que você assuma o trabalho de limpar um planeta oceânico que está coberto de sujeira e lixo de todas as formas imagináveis, deixados por uma corporação capitalista que explorou até o último centímetro cúbico do lugar — e você pode reciclar tudo pra melhorar seu equipamento. No meio de tanta coisa, ainda tem pequenas criaturinhas chamadas loddles, que parecem axolotes e estão em busca de um habitat mais limpo e saudável para poderem crescer (e se reproduzir).

Essas três propostas de gameplay em Loddlenaut funcionam e se complementam com diferentes níveis de sucesso. A melhor parte (de longe) do jogo é realmente limpar as áreas do oceano. Assim como uma boa partida do simulador de lavadora de alta pressão, ir vendo as paredes e o chão todos sujos ficando um brinco é muito satisfatório. Conforme você avança na pequena história, novos equipamentos, que lidam com outros tipos de sujeira, também vão sendo desbloqueados e complementam muito bem a experiência. Por mim, o jogo podia ser só isso!

Loddlenaut

Mas ele não é. Loddlenaut incorpora, junto com a relaxante mecânica de limpeza, vários elementos de sobrevivência e gerenciamento de recursos. Você tem um oxigênio limitado que precisa ser recarregado em arcos especiais, seu inventário não tem espaço para tudo que você encontra e a travessia entre as diversas áreas que ainda estão juntas precisa ser toda feita manualmente.

Não me entenda mal, nenhum desses elementos é ruim por si só — jogos como SteamWorld Dig ou Dave the Diver fazem isso muito bem em propostas bem parecidas. O problema é que o foco desses jogos é mais enérgico e aventureiro, e não uma proposta de relaxamento como é em Loddlenaut. Essas mecânicas de sobrevivência não são complexas e interessantes o suficiente para serem um desafio legal, e ainda me fazem sair da vibe relax que o jogo até então proporcionava.

Pra piorar, a experiência de gerenciar todas essas burocracias também não me agradou muito. O que era pra ser apenas uns minutinhos entre mergulhos para limpar o oceano viram muitos minutos trocando itens de lugar no inventário, colocando cada lixo no seu reciclador certo… Era bem comum eu passar mais tempo na minha caverna fazendo o “trabalho chato” do que realmente indo limpar as coisas, o que definitivamente torna tudo ainda mais irritante.

E se acha que eu me esqueci dos loddles… o jogo também esquece! Eles estão sempre presentes nas novas áreas de Loddlenaut, mas é quase um minigame à parte: você pode levar eles para os habitats, tentar descobrir qual fruta é a comida preferida deles, ver eles passando por metamorfoses e mudando de cor, mas é meio que só isso. Definitivamente são fofos e bonitinhos, mas se integram tão mal ao resto da proposta que eu esqueci que eles estavam lá depois das duas primeiras horas de jogo.

Eu sei apreciar uma boa mecânica relaxante de limpeza, e Loddlenaut tem exatamente isso… intercalado com várias burocracias que ficam ainda mais morosas por causa de uma experiência de usuário aquém do que eu esperava. Só queria limpar as coisas e brincar com uns bichinhos fofinhos, sabe? Não passar um tempão cuidando do meu oxigênio e do meu inventário para não falecer no oceano. Mas se isso não te incomodar, ele é uma ótima pedida para um jogo tranquilo de limpar o oceano e ver tudo ficar límpido como a água deve ser. Afinal, se tem uma coisa que ele faz bem é dar prazer e diversão à ideia de limpar mais uma cagada inerente do sistema capitalista.

Loddlenaut está disponível para PC na Steam.

*Uma cópia do jogo foi gentilmente cedida ao CosmoNerd pelo time de desenvolvimento para a produção deste texto.