Dolly A Boneca Maldita (2026) Crítica do Filme de Terror Dolly A Boneca Maldita (2026) Crítica do Filme de Terror

Dolly (2026) Crítica do Filme de Terror | Paramount+

Terror do Paramount+ aposta em boneca assustadora, mas não consegue escapar das próprias referências

O terror sempre encontrou nas bonecas um elemento eficiente para provocar desconforto. Com seus rostos infantis, olhares imóveis e aparência aparentemente inocente, esses objetos conseguem despertar uma sensação de estranheza que poucos elementos do gênero reproduzem com tanta facilidade. É justamente nessa premissa que se apoia Dolly, filme de terror de 2026 dirigido por Rod Blackhurst, que também assina o roteiro ao lado de Brandon Weavil e está disponível no Paramount+.

Misturando violência, atmosfera sombria e elementos do terror rural, a produção apresenta uma antagonista que parece saída de um pesadelo. Interpretada por Max the Impaler, Dolly é uma figura imprevisível, cuja presença ajuda a sustentar boa parte da tensão. A performance aposta em movimentos agressivos e uma energia quase animalesca, construindo uma personagem que inevitavelmente remete a Leatherface, de O Massacre da Serra Elétrica.

O elenco também conta com Sean William Scott, que oferece uma atuação consistente e funciona como contraponto à brutalidade da história. Fabiane Teresa acompanha o ritmo da produção e consegue transmitir as emoções exigidas por sua personagem, mesmo quando o roteiro não oferece material suficiente para aprofundá-la. Já Ethan Suplee acaba subaproveitado, com uma participação que poderia ter sido mais explorada.

Dolly encontra dificuldades para desenvolver sua história

Apesar das boas atuações, o roteiro representa uma das principais limitações do filme. Os diálogos são pouco inspirados e, em determinados momentos, soam artificiais. Felizmente, a produção consegue compensar parte dessas dificuldades com silêncios, expressões e reações dos personagens, que frequentemente comunicam mais do que as próprias conversas.

A narrativa também apresenta problemas de desenvolvimento. Algumas informações parecem insuficientemente trabalhadas, deixando lacunas que prejudicam o envolvimento com os acontecimentos. As motivações nem sempre ficam claras, enquanto determinados momentos dramáticos não alcançam o impacto esperado.

Tecnicamente, o resultado é irregular. O desenho de som poderia aproveitar melhor os recursos característicos do terror, especialmente na construção de sustos e momentos de tensão. A montagem também compromete algumas sequências, com escolhas de ritmo que diminuem o efeito de situações potencialmente assustadoras.

O Massacre da Serra Elétrica é a principal inspiração

Se existe um aspecto em que Dolly realmente se destaca, é na fotografia. A composição visual demonstra cuidado com enquadramentos, texturas e ambientação, recuperando a estética suja e ensolarada de produções clássicas do terror.

A influência de O Massacre da Serra Elétrica (1974), de Tobe Hooper, é evidente tanto na atmosfera quanto na construção dos personagens. Entretanto, a homenagem ocasionalmente se transforma em dependência, fazendo com que o longa pareça mais interessado em reproduzir uma fórmula conhecida do que em desenvolver uma identidade própria.

Dolly A Boneca Maldita (2026) Crítica do Filme de Terror

Dolly tem potencial para se transformar em uma franquia?

Apesar dos problemas de roteiro e execução, Dolly está longe de ser um fracasso. A personagem-título tem presença suficiente para sustentar outras histórias, enquanto os momentos de criatividade visual demonstram que existe potencial para desenvolver algo mais interessante em uma continuação.

Uma sequência que assumisse definitivamente a estrutura de um slasher, explorando melhor a violência e a imprevisibilidade da antagonista, poderia ser um caminho interessante. Por enquanto, o filme fica no meio do caminho entre uma homenagem ao terror clássico e uma tentativa de construir uma nova franquia.

Dolly é um filme que chega perto de encontrar sua própria identidade, mas acaba preso às referências que tenta homenagear. Ainda assim, a personagem principal merece outra oportunidade. Com um roteiro mais consistente e maior atenção ao desenvolvimento da história, existe espaço para que Dolly conquiste seu próprio lugar entre os nomes conhecidos do terror.