Exit 8 (2026) Crítica do filme de terror Exit 8 (2026) Crítica do filme de terror

Exit 8 (2026) Crítica do Filme de Terror | Paramount+

terror japonês transforma um corredor de metrô em um pesadelo psicológico

Adaptar videogames para o cinema nem sempre é uma tarefa simples, especialmente quando a experiência original depende mais de mecânicas do que de uma narrativa convencional. Em Exit 8, o diretor Genki Kawamura encontra uma solução interessante para esse desafio ao transformar um jogo independente de terror em um suspense psicológico sobre repetição, ansiedade e medo do desconhecido. Disponível no Paramount+, o longa aposta na atmosfera e na observação dos detalhes para construir uma experiência inquietante.

 

A história acompanha um homem comum, interpretado por Kazunari Ninomiya, que está a caminho de um compromisso de trabalho quando recebe uma ligação inesperada de sua ex-namorada. A notícia de que ela está grávida provoca uma série de dúvidas sobre seu futuro. Pouco depois, ele percebe que está preso em uma passagem subterrânea de metrô aparentemente interminável, onde os mesmos corredores se repetem sem oferecer uma saída evidente.

Para escapar, precisa seguir regras bastante específicas: observar atentamente o ambiente, identificar qualquer anomalia e retornar caso encontre alguma alteração. Se tudo estiver normal, deve continuar caminhando. O objetivo é alcançar a misteriosa Saída 8, mas cada erro o obriga a recomeçar.

Exit 8 transforma repetição em tensão psicológica

A simplicidade da premissa é justamente um dos maiores acertos do filme. Kawamura reproduz a lógica do videogame de Kotake Create e coloca o espectador na mesma posição do protagonista: observar cartazes, portas, iluminação e pequenos elementos que podem indicar uma mudança no cenário.

A fotografia de Keisuke Imamura contribui para essa sensação de desorientação. Inicialmente, a câmera assume uma perspectiva em primeira pessoa, aproximando a experiência cinematográfica daquela proporcionada pelo jogo. Depois, a narrativa ganha enquadramentos mais tradicionais, sem abandonar a sensação de confinamento.

O corredor excessivamente limpo, a iluminação artificial e a ausência de pessoas criam um ambiente desconfortável. Conforme as anomalias ficam mais perturbadoras, o terror também ganha contornos psicológicos. Sons de bebês, acontecimentos inexplicáveis e a presença de um menino encontrado pelo protagonista ajudam a estabelecer conexões com suas incertezas sobre a paternidade.

Uma adaptação eficiente, mas que perde força

Outro destaque está no trabalho sonoro. O silêncio é utilizado para aumentar a expectativa, enquanto pequenas alterações nos ruídos do ambiente tornam situações aparentemente banais mais ameaçadoras. A utilização de Boléro, de Maurice Ravel, também dialoga com a estrutura repetitiva da produção.

Kazunari Ninomiya sustenta bem a narrativa com uma atuação contida, baseada em expressões e reações sutis. Afinal, boa parte da experiência depende menos dos diálogos e mais da maneira como o personagem reage ao ambiente e ao próprio desgaste psicológico.

Exit 8 (2026) Crítica do filme de terror

Entretanto, a repetição que inicialmente funciona como principal mecanismo de tensão acaba se tornando uma limitação. Depois de estabelecer suas regras e apresentar algumas das melhores anomalias, Exit 8 encontra dificuldades para manter o mesmo nível de envolvimento. A expansão da narrativa para outros personagens também enfraquece parcialmente a força de sua proposta inicial.

Ainda assim, Genki Kawamura entrega uma adaptação criativa, que compreende o potencial de sua inspiração e encontra no cinema uma maneira de explorar suas ideias. Embora não seja um terror particularmente assustador, Exit 8 funciona como um suspense atmosférico sobre ansiedade, escolhas e a dificuldade de encontrar uma saída quando a própria realidade parece estar presa em um ciclo.