Disponível no catálogo do Prime Video, Boca de Fumo (Trap House, 2025) é um thriller policial dirigido por Michael Dowse e estrelado por Dave Bautista que aposta em ritmo acelerado e ação constante para compensar escolhas narrativas questionáveis. O filme parte de uma premissa curiosa sobre agentes da DEA infiltrados e rapidamente deixa claro que sua prioridade não está na verossimilhança do procedimento policial, mas na construção de um suspense direto e funcional. Confira a crítica do filme:
A trama de Trap House
Logo nos primeiros minutos, o roteiro assinado por Tom O’Connor e Gary Scott Thompson apresenta um grupo de agentes que, apesar de atuarem de forma supostamente sigilosa, mantêm relações pessoais estreitas entre si — inclusive envolvendo seus filhos. A decisão narrativa chama atenção por expor fragilidades evidentes de segurança, algo que o próprio filme acabará explorando, ainda que os personagens pareçam ignorar as consequências desse tipo de proximidade.
Dave Bautista interpreta Ray Seale, um agente marcado por perdas recentes e por um senso de culpa que atravessa toda a narrativa. Sua atuação segue uma linha contida, apostando em expressões fechadas e em uma postura física que reforça o desgaste emocional do personagem. A trama ganha impulso quando uma operação da DEA termina de forma trágica, resultando na morte de um colega próximo. O filho do agente morto, Jesse (Blu del Barrio), se vê forçado a deixar o país, o que acaba funcionando como gatilho para o conflito central do filme.
É justamente a partir da perspectiva dos adolescentes que Boca de Fumo toma um rumo mais arriscado. Filhos de agentes federais, eles decidem agir por conta própria para ajudar o amigo, roubando equipamentos da DEA e planejando um assalto a uma boca de fumo. O líder do grupo é Cody, filho de Ray, o que adiciona uma camada de tensão pessoal à investigação conduzida pelo protagonista. A ironia dramática é explorada quando Ray questiona quem teria coragem de roubar traficantes experientes, sem perceber que o perigo está mais próximo do que imagina.
Michael Dowse, que já havia dirigido Bautista na comédia de ação Stuber (2019), demonstra aqui maior controle de tom. O diretor abandona o humor escancarado e aposta em uma abordagem mais seca, focada na progressão da ação. O ritmo é um dos principais trunfos do filme: as sequências se encadeiam rapidamente, evitando pausas que poderiam evidenciar as fragilidades do roteiro. As cenas de perseguição e confronto são bem coreografadas e fazem uso eficiente de locações como rodovias isoladas e túneis subterrâneos.

Crítica: vale à pena assistir Boca de Fumo no Prime Video
Apesar do clima tenso, o filme reserva momentos que flertam com a comédia involuntária, especialmente no reencontro entre pai e filho, que começa de forma impulsiva antes de ceder ao pragmatismo necessário para evitar consequências legais mais graves. O epílogo sugere um olhar mais conciliador sobre amadurecimento e responsabilidade, ainda que essa evolução aconteça de maneira apressada.
Boca de Fumo não reinventa o thriller policial, mas entrega uma experiência consistente dentro de suas limitações. Sustentado pelo carisma de Dave Bautista e por uma direção competente nas cenas de ação, o longa se destaca como uma opção sólida para quem busca entretenimento direto no Prime Video.