A estreia de Berlim e a Dama com Arminho retorna ao universo de La Casa de Papel apostando novamente na mistura entre romance, luxo e criminalidade. O episódio 1, intitulado “A Coleção”, deixa de lado a urgência explosiva que marcou o início da primeira temporada para construir um plano mais psicológico, centrado no ego de Berlim e em sua necessidade de transformar cada roubo em uma obra de arte. Confira a crítica e o resumo do que rolou.
Ambientada em Sevilha, a nova trama acompanha Berlim e sua equipe em um assalto que nasce menos da ambição financeira e mais da vontade de humilhar um aristocrata poderoso. Ao mesmo tempo, o episódio introduz Candela, figura que rapidamente se transforma no novo interesse amoroso do protagonista e adiciona caos à narrativa.
Berlim e Damian chegam a Sevilha com uma nova proposta de assalto
O episódio começa com Berlim e Damian chegando à costa espanhola a bordo de um iate. Damian apresenta uma ideia considerada lucrativa: invadir o Banco de Marbella e acessar o setor de cofres particulares da instituição. Segundo ele, a cidade concentra milionários russos, sheiks árabes e membros da máfia que escondem joias, dinheiro e documentos ilegais nos cofres.
Berlim, porém, não demonstra interesse imediato pelo plano. Para ele, o golpe parece frio, matemático e sem identidade artística. O personagem continua preso à ideia de que seus roubos precisam ter significado e estilo, algo que diferencia suas ações de crimes comuns.
A mudança de direção acontece quando os dois participam de uma festa frequentada pela elite espanhola. É ali que Berlim conhece Genoveva Dantès, Duquesa de Málaga, usando o nome falso de Simon. O encontro, inicialmente casual, acaba revelando o verdadeiro motivo da aproximação: o marido dela, Álvaro Hermoso de Medina, deseja contratar Berlim para roubar a pintura “A Dama com Arminho”, de Leonardo da Vinci, durante uma exposição em Sevilha.
O novo alvo passa a ser o Duque de Málaga
A proposta irrita Berlim imediatamente. O personagem se sente tratado como um mercenário contratado para satisfazer o capricho de um milionário. Para alguém que enxerga seus assaltos como performances elaboradas, trabalhar para o duque representa uma afronta.
A partir desse momento, “A Coleção” estabelece o verdadeiro conflito da temporada. Em vez de roubar a obra de arte para Álvaro, Berlim decide transformá-lo no alvo do golpe. O problema é que ninguém sabe exatamente o que deve ser roubado. O duque menciona apenas possuir “uma coleção” valiosa, mas sem revelar sua localização.
Esse mistério cria a primeira grande linha investigativa da temporada. Damian percebe que o plano de Berlim nasce mais do orgulho ferido do que de estratégia racional. Ainda assim, a equipe aceita permanecer em Sevilha para descobrir o que Álvaro esconde.

Berlim e a Dama com Arminho mostra o reencontro da equipe após Paris
A estreia também reserva espaço para atualizar a situação dos integrantes da equipe após os eventos da temporada anterior.
Keila e Bruce surgem vivendo um relacionamento estável e aparentemente intenso. O casal promoveu uma grande festa de despedida da antiga vida de Bruce antes de embarcar definitivamente no romance.
Já Cameron e Roi aparecem distantes depois do término do relacionamento. A tensão entre os dois permanece evidente durante o reencontro, criando um desconforto constante nas interações.
Damian, por sua vez, continua lidando com o abandono da esposa. O roteiro mostra que ele mergulhou na rotina acadêmica para combater a solidão, enquanto Berlim tentou escapar emocionalmente viajando pelo mundo em busca de Camille.
Essa parte do episódio reforça algo que sempre definiu o universo de La Casa de Papel: os assaltos funcionam como pano de fundo para conflitos pessoais, relações amorosas e disputas emocionais.

Candela surge como novo interesse amoroso de Berlim
A principal novidade da estreia é Candela. A personagem aparece em uma discussão pública com o namorado e chama a atenção de Berlim imediatamente. Durante uma conversa aparentemente despretensiosa, ela rouba a carteira dele sem dificuldade.
Berlim percebe o furto no mesmo instante, mas prefere observar a habilidade da mulher. Fascinado, ele decide procurá-la novamente. A dinâmica entre os dois rapidamente assume o tom impulsivo que costuma definir os relacionamentos do personagem.
Mais tarde, Berlim obriga Roi a invadir a casa de Candela para recuperar a carteira, mas a situação foge do controle quando ela reage atirando nele com uma espingarda de chumbinho.
O episódio então mergulha em uma sequência caótica envolvendo Candela e o ex-namorado. Ela convence Berlim a acompanhá-la até um parque de trailers para recuperar o dinheiro roubado. Quando o homem se recusa a abrir a porta, Candela bloqueia a saída da casa e inicia um incêndio improvisado enquanto o obriga a confessar uma traição.
A sequência reforça o quanto a personagem funciona como um espelho da impulsividade de Berlim. Ambos parecem atraídos pelo perigo e pelo improviso, algo que deve conduzir boa parte do arco emocional da temporada.

A investigação sobre o duque revela um possível segredo subterrâneo
Enquanto Berlim se envolve com Candela, o restante da equipe concentra esforços na investigação sobre Álvaro Hermoso de Medina.
Keila descobre que, em 1999, o duque mandou construir um túnel ligando sua mansão às vinícolas da família. Mais curioso ainda é o fato de existir um trem particular realizando o trajeto entre os dois pontos.
Bruce percebe que as adegas foram desativadas pouco tempo depois. Cameron, analisando registros financeiros, encontra uma dedução milionária ligada à empresa de segurança suíça Nitax Private Security.
A série sugere que a misteriosa coleção pode estar escondida nesse sistema subterrâneo. Embora o episódio não entregue respostas, a investigação estabelece o quebra-cabeça central da temporada.
O final do episódio 1 aposta em ação e humor
Nos minutos finais, Berlim e Candela acabam sendo parados pela polícia enquanto dirigem um carro roubado. A personagem admite que furtou o veículo, algo que Berlim já suspeitava desde o início.
Quando os policiais descobrem a irregularidade e bloqueiam a rua, os dois trocam rapidamente de lugar dentro do carro para tentar escapar da situação. O episódio encerra exatamente nesse momento, preparando o terreno para uma fuga logo no capítulo seguinte.
A cena resume bem a proposta da série: misturar tensão policial, humor impulsivo e relações afetivas instáveis dentro de um universo estilizado.

Crítica do episódio 1 de Berlim e a Dama com Arminho
Estreia aposta mais em atmosfera do que em adrenalina
“A Coleção” funciona mais como preparação do que como explosão narrativa. Diferente da abertura acelerada da primeira temporada, o episódio prefere construir lentamente os conflitos, introduzir personagens e estabelecer o novo assalto.
Isso faz com que a estreia tenha menos urgência, mas também permite desenvolver melhor o lado emocional de Berlim. A série continua interessada em retratar o personagem como alguém dominado pelo ego, pelo romantismo e pela necessidade de transformar crimes em espetáculos.
Candela surge como peça importante nesse processo. A química entre os personagens injeta energia na narrativa e devolve à série o tom caótico que marcou vários momentos de La Casa de Papel.
Visualmente, a produção mantém o padrão cinematográfico da franquia. Sevilha ganha destaque através da fotografia quente, dos enquadramentos amplos e da trilha sonora carregada de romantização. O resultado reforça a identidade sofisticada da série, ainda que o episódio deixe dúvidas sobre a força do Duque de Málaga como antagonista.
Mesmo começando de maneira mais lenta, Berlim e a Dama com Arminho apresenta elementos suficientes para sustentar o interesse: um novo mistério, um golpe cercado de segredos e um protagonista cada vez mais movido pelo orgulho.