4 FATOS sobre RIO, animação brasileira de sucesso 4 FATOS sobre RIO, animação brasileira de sucesso

4 FATOS sobre RIO, animação brasileira de sucesso

Lançado em 2011, o filme “Rio” (leia a nossa crítica) não apenas conquistou as bilheterias, mas também apresentou o Brasil ao mundo com uma ótica vibrante e musical. Aqui estão 4 fatos por trás da produção, da inspiração carioca ao seu impacto duradouro na indústria da animação.

“Rio”, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, é muito mais do que uma história sobre uma arara azul domesticada que viaja ao Rio de Janeiro para salvar sua espécie. É um projeto pessoal de Saldanha, que nasceu e foi criado na cidade, e desejou por anos criar uma homenagem à sua terra natal. O filme se tornou um sucesso internacional, arrecadando mais de US$ 484 milhões nas bilheterias globais.

O elenco e a trilha sonora: uma celebração multicultural

A produção reuniu um elenco de estrelas de peso para dar vida aos personagens. O ator norte-americano Jesse Eisenberg emprestou sua voz a Blu, a arara tímida, enquanto a atriz Anne Hathaway deu vida à destemida Jade. A escolha do elenco também buscou autenticidade brasileira: o ator global Rodrigo Santoro interpretou o personagem Túlio tanto na versão estadunidense quanto na brasileira.

A verdadeira estrela sonora do filme, no entanto, é sua trilha sonora eclética e contagiante. A produção contou com a curadoria do renomado maestro e produtor Sérgio Mendes, que também aparece no filme. A canção “Telling the World”, interpretada pelo cantor Taio Cruz (que tem mãe brasileira), tornou-se um grande sucesso. O grande destaque ficou com a faixa “Real in Rio” (ou “Favo de Mel” como ficou em português), composta por Sérgio Mendes, Carlinhos Brown e Siedah Garrett, que foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original em 2012, concorrendo ao prêmio máximo do cinema.

A cidade como personagem

Para capturar a essência única do Rio de Janeiro, a equipe da Blue Sky Studios (que infelizmente fechou as portas em 2021) realizou um extenso trabalho de pesquisa. Uma equipe de artistas e desenvolvedores viajou ao Rio para fotografar, esboçar e absorver a atmosfera da cidade.

O diretor de arte, Thomas Cardone, liderou a missão de transformar a beleza natural e urbana em animação digital. O objetivo era ir além dos cartões-postais óbvios e capturar a luz, a textura e o espírito da cidade. Cardone afirmou que a equipe se esforçou para que “quando você assiste ao filme, você sinta o Rio de Janeiro”. Referências diretas, como o bondinho do Pão de Açúcar, a floresta da Tijuca, a feira livre da Glória e a vista do Morro Dois Irmãos foram meticulosamente recriadas, fazendo da cidade uma personagem central da narrativa.

A mensagem de conservação por trás da aventura

No cerne da aventura cômica de Blu e Jade está uma mensagem séria sobre conservação ambiental e tráfico de animais. O enredo foi diretamente inspirado pela ameaça real de extinção que paira sobre a Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e a Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus).

O início do filme, que mostra Blu sendo capturado por contrabandistas, reflete uma realidade trágica para milhares de aves nativas das Américas. Organizações como o Instituto Arara Azul, no Pantanal, trabalham há décadas para combater o tráfico e promover a reprodução dessas espécies ameaçadas. “Rio”, portanto, serve como uma porta de entrada lúdica para um problema ambiental crucial.

O legado e a sequência de “Rio”

O sucesso de “Rio” foi imediato. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original por “Real in Rio” e venceu o prêmio de Melhor Filme de Animação no CinemaCon naquele ano. A recepção positiva levou à produção de uma sequência, “Rio 2”, lançada em 2014, que expandiu a aventura para a Amazônia e aprofundou as questões de conservação.

“Rio” permanece como um marco por ter levado a animação mainstream para os trópicos, celebrando a cultura, a música e as paisagens do Brasil com um olhar apaixonado e autêntico, solidificando Carlos Saldanha como um dos grandes nomes da animação contemporânea.