The Last of Us Part II é a melhor experiência já criada nos games | Crítica

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The Last of Us Part II

“Vivenciei momentos únicos com The Last of Us Part II. Coisas que nunca imaginaria que pudessem ser feitas em um game eu vi acontecer nesta continuação”

Por Renê Madeira

Alguns jogos nos chocam com sua coesão e montagem. Da dublagem brilhante à narrativa e jogabilidade cativante, essas experiências e sensações duram muito tempo conosco. Muitos dos jogos da equipe PlayStation fazem isso, mas The Last of Us (2013) estabeleceu um novo padrão sem precedentes no que poderia ser um jogo. Agora, depois do que parece uma eternidade de espera, a sequência da jornada muito amada e aclamada pela crítica está finalmente pronta. The Last of Us Part II é, sem dúvidas, o jogo mais esperado do ano por boas razões: é realmente tão bom quanto esperávamos. Ao mudar de marcha para viajar com Ellie, continuamos a história de sobrevivência com a busca do que significa ser humano, alternando entre momentos de relacionamento e companheirismo com a necessidade brutal de sobreviver. Se o jogo ainda é uma dúvida para você, te garanto que agora é a hora de você ter a certeza. Este texto NÃO contém spoilers.

Seguindo os passos de Ellie

Desta vez, temos muito mais do que estaladores e outras vítimas do fungo cordyceps, que os sobreviventes precisam enfrentar. Um culto misterioso apareceu e ameaça o modo de vida de Ellie mesmo no pós-apocalipse. O modo stealth ainda é a melhor saída para o jogo, com melhorias e acréscimos notáveis que os jogadores podem aprimorar e desbloquear habilidades para melhorar sua criatividade no momento de furtividade.

O jogo começa quatro anos após os eventos do primeiro. Encontramos Ellie e Joel na cidade de Jackson, onde Tommy, o irmão de Joel vive. Também conhecemos Jesse e Dina, os novos amigos de Ellie. A vida parece boa e pacífica em Jackson. A cidade é altamente protegida. Existem lojas, bares, restaurantes, escolas e hortas. Homens, mulheres e crianças vivem em prosperidade e em total segurança.

Ao ponto de esquecermos por um momento que estamos em um mundo pós-apocalíptico. Tudo isso é possível graças à boa organização da cidade. Todos os dias, inúmeras patrulhas são realizadas para proteger os arredores de Jackson. Tudo parece estar indo bem, mas a paz e a tranquilidade nunca duram muito em um mundo onde a violência e o medo dominam há mais de três décadas. Enquanto Jackson enfrenta um inverno, uma tragédia atinge o povo de Jackson, e especialmente a Ellie, que embarca em uma perigosa jornada para Seattle.

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Na continuidade de Uncharted 4 – A Thief’s End (2016) ou Uncharted – The Lost Legacy (2017), aqui, a Naughty Dog oferece aos jogadores um vasto mapa que permite visitar uma grande parte da cidade de Seattle. Ainda não estamos no mundo aberto, mas a desenvolvedora está cada vez mais próxima disso. Você tem a opção de seguir o mapa de Ellie e avançar pelas principais localizações, ou explorar a cidade livremente e descobrir edifícios que provavelmente, poderá encontrar algo útil, ou apenas passar por algum perrengue.

O mapa quase aberto de The Last of Us Part II e seus novos (e velhos) perigos

O mapa se parece um pouco como um mundo aberto com missões bem mais laterais, onde você poderá visitar lugares apenas pelo prazer de descobrir a cidade. Às vezes, esses lugares serão desertos com objetos de coleção para encontrar. Em outros momentos, você encontrará infectados! De qualquer forma, essa possibilidade é boa e parece indicar para nós que a Naughty Dog está começando a se mover cada vez mais em direção ao mundo aberto. Uma pista para o próximo título?

Andar pelas ruas e ver decorações de Seattle nos faz pensar em Boston, palco do primeiro jogo. A cidade está irreconhecível, devastada por mais de 30 anos de pandemia. A natureza gradualmente recupera seus direitos sobre prédios parcialmente destruídos e desmoronados, torrentes de rios separam a cidade em duas e o panorama é incrivelmente lindo. Seattle é uma enorme zona de perigo onde várias facções se chocam.

Há uma milícia com muitos homens bem armados e bem organizados, que geralmente são acompanhados por seus cães para nos rastrear. Por outro lado, há também uma seita religiosa, muito discreta, que favorece ataques furtivos sem armas de fogo, mas com muitas facas e arco com flechas que realmente machucam. E, por fim, haverão os infectados.

Você terá a chance de descobrir um novo tipo de infectado que é muito rápido e gosta de se esconder para atacá-lo de surpresa (e que você não pode detectar com sua audição especial). Você também terá a alegria de conhecer a principal novidade desta obra: uma espécie de minicolosso que pode arremessar bombas de esporos tóxicas. E este é apenas um exemplo dos novos inimigos esperando por você.

Em termos de infectados, não há grandes mudanças. No geral, se você é discreto, isso não deve causar muitos problemas. Para inimigos humanos, a história é diferente.

A inteligência artificial foi revisada e aprimorada nesta obra, com inimigos que estão sempre em guarda, que te procuram em todos os cantos, atrás de móveis ou até em baixo de veículos. Será bastante difícil avançar (mas não impossível). Agora é possível se esconder embaixo de veículos, em grama alta ou sob certos móveis. Isso nos permite tentar abordagens diferentes. Mas tenha cuidado, porque os inimigos são muito atenciosos e é muito difícil ser realmente furtivo. Cuidado também com os cães que podem seguir a trilha do seu cheiro, o que complica bastante a tarefa.

Jogabilidade e acessibilidade

Ellie pode ouvir seus inimigos à distância e você ainda pode criar itens para melhorar suas armas e criar armadilhas. Você pode pular de uma plataforma para outra, subir e descer rapel ou rastejar sob objetos. Quanto ao resto, a jogabilidade simples (mas eficaz) do primeiro jogo é preservada e muito bem aprimorada. Observe também que, desde o início de campanha, você pode escolher entre cinco modos de dificuldade (muito fácil, fácil, normal, difícil, muito difícil) e que um novo jogo + estará disponível após o término.

A Naughty Dog é conhecida por oferecer jogos incríveis, tanto em termos de roteiro quanto em narrativa, mas também em termos de produção. Aqui tudo é graficamente incrível, com muita atenção aos detalhes e excelentes animações. Você nunca encontrará sequências mal executadas ou feias. Todo o jogo é realmente bonito e muito bem feito.

O jogo irá levá-lo em uma jornada. Montanhas cobertas de neve em Jackson, no centro de Seattle, passando pelos arredores da cidade ou mesmo pelos bairros residenciais, oferecendo paisagens variadas e densas. Alguns efeitos de luz e reflexos na chuva são realmente impressionantes e se aproximam muito do fotorrealismo. Se alguns planos são mais bonitos que outros, no geral, The Last of Us Part II permanece muito bonito e impressionante no PlayStation 4.

Desse modo, vale a pena destacar a narrativa. A Naughty Dog marcou o mundo dos games com o primeiro game da franquia, nos faz vibrar com a história de Uncharted 4 e, agora, repete o feito em TLOU2. A encenação é brilhante, o jogo alterna entre presente e passado através de flashbacks bem encaixados. Não irei abordar o cenário para evitar spoilers. No entanto, já podemos dizer que a desenvolvedora acertou no quesito narrativa.

Alguns aceitarão a história, outros não. Mas quando você dedica um tempo para analisar tudo e dar um passo atrás, pode ver apenas um grande sucesso. O jogo irá surpreendê-lo, fazer você sorrir, chorar, pensar e ver a vida com outros olhos. Você viverá momentos incríveis, garanto.

Não posso terminar essa análise de The Last of Us Part II sem falar em acessibilidade. Até o momento, é sem dúvida o jogo da Naughty Dog mais acessível e um dos melhores jogos do PlayStation neste quesito. Inúmeras opções estão disponíveis para tornar a experiência o melhor possível a um grande número de jogadores com deficiência. Pegando as legendas como exemplo, no game é possível escolher o tamanho, a cor e organizá-las com um plano de fundo para melhorar a leitura. É possível ainda configurar seu controle como desejar e da maneira mais confortável para você.

Mas o grande esforço vem do modo especial. É possível pôr o jogo em preto e branco “negativo”, com inimigos que aparecem em vermelho, objetos para pegar ou coletar em amarelo e nosso personagem com nossos aliados em azul. Sem esquecer a possibilidade de ativar o guia com as instruções a seguir para continuar seu jogo. A ideia é ajudar as pessoas que têm problemas para encontrar o caminho no espaço. São feitos grandes esforços para tornar o jogo o mais acessível possível e é realmente um belo gesto para se destacar aqui.

Quanto à interface do jogo, novamente é simples, minimalista, mas eficaz. Como o que a Naughty Dog vem fazendo desde The Last of Us e Uncharted 4. Um menu muito simples. Um HUD discreto na tela que nos mergulha na imersão. É simples, fácil de usar e intuitivo.  

The Last of Us Part II
Reprodução: PS4 PRO

Conclusão

Após sete anos de espera e com um final mais que suficiente, é com muita impaciência e muita preocupação que embarcamos na aventura de The Last of Us Part II. O primeiro é tão perfeito e impressionante, que uma sequência não era necessária. Esta sequência é claramente impressionante e legítima, carregando uma mensagem forte ao longo de suas 30 horas de jogatina. A narrativa e a encenação são incríveis, com atenção aos detalhes presentes. Certas sequências com certeza irão te marcar, te fazer ficar mal, te deixar muito pra baixo, porque tudo pode acontecer, e os eventos não podem ser alterados.

Aprendi muito com o jogo. Vivenciei momentos únicos, coisas que nunca imaginaria que pudessem ser feitas em um game. Tudo controlado por mim, minhas mãos suavam enquanto eu jogava, por não saber o que estaria me esperando pela frente. Chorei inúmeras vezes sem notar. Ri junto aos personagens pois me sentia parte daquilo. Foi a melhor experiência que já tive com um jogo. Lições bem passadas, dolorosas, mas bem passadas.

Tenho a impressão de que, com The Last of Us Part II, a Naughty Dog queria nos dizer que a vida às vezes é difícil. O mais impressionante nesta sequência é que o jogo é verossímil do começo ao fim. Cada cena, dramática ou alegre, é realmente realizada de uma maneira muito realista. Lamentamos até a escolha ousada de colocar a música em segundo plano, com pouquíssimos momentos marcantes e melodias discretas muito parecidas. Mesmo durante cenas intensas, praticamente não há música, como se certos momentos fortes tivessem acontecido conosco de verdade na vida. A calma congela nosso sangue e, às vezes, testemunhamos coisas terríveis, sem podermos fazer nada. Por que sim, Joel nos diz durante o jogo: “Eu sei que você gostaria que isso acontecesse de outra forma. E eu também.”

RESUMO:

  • A melhor experiência de jogo que já tive;
  • Jogabilidade fluída, engajante e viciante;
  • Incrível narrativa e atuação;
  • São os melhores gráficos já apresentados para PlayStation;
  • Te faz pensar e passar por situações inesperadas, como a vida.

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