Sekiro: Shadows Die Twice é uma fantástica jornada de herói da FromSoftware, com jogabilidade desafiadora, porém recompensadora, e um design de fase acima do comum – Por Renê Madeira

Eu morri tão rápido lutando contra o primeiro inimigo que encontrei em Sekiro: Shadows Die Twice. Aquele momento deu o tom de como o resto da minha jornada iria ser. Isso pode não ser uma surpresa se você estiver familiarizado com a FromSoftware, a desenvolvedora japonesa por trás da série Bloodborne e Dark Souls, conhecida por muitos como alguns dos jogos mais difíceis já feitos.

Com ênfase em furtividade, habilidades e combates precisos com inimigos variados, a produtora descarta alguns dos elementos tradicionais de RPG que vimos nos jogos anteriores. Dito isto, não é uma tomada casual na fórmula do estúdio. Em vez disso, Sekiro é o jogo mais difícil que a FromSoftware já fez, e isso apenas torna as vitórias ainda mais satisfatórias.

Em contraste com o estilo narrativo vazio pelo qual os jogos da empresa são conhecidos, Sekiro traz um conto que você pode seguir facilmente. Ele se baseia mais na narrativa tradicional, no diálogo e na cinemática, para que você não precise examinar cada descrição de item em seu inventário para acompanhar a história. Memórias Especiais encontradas em chefes lhe dão uma ideia da motivação e do passado, e é esse tipo de apresentação refinada e desenvolvimento de personagens que torna cada vilão muito mais ameaçador. Enquanto a tradição ainda pode ser encontrada lendo o inventário, é claro que o diretor Hidetaka Miyazaki realmente queria que os jogadores entendessem o que está acontecendo desta vez.

Sekiro: Shadows Die Twice | Confira novo Teaser com um dos chefes

Combinando elementos furtivos de jogos como o do clássico do Playstation 1 Tenchu ​​e a clássica ação frenética da FromSoftware, o combate em Sekiro está entre um dos mais bem realizados em qualquer jogo já criado. As lutas assumem inúmeros padrões diferentes. Já não bastasse a dificuldade, seus inimigos irão insultá-lo de uma maneira que irá lhe tirar do sério, testando sua habilidade de permanecer calmo enquanto você domina seus movimentos.

O combate com inimigos padrões geralmente envolve a sua furtividade, ficando atrás de um alvo ou repelindo ataques até o momento de causar um golpe fatal. Estas execuções furtivas podem alertar os inimigos próximos, então é melhor você estar preparado para se envolver em uma batalha ou encontrar uma maneira de escapar desses novos inimigos. Enfrentar grupos maiores requer uma habilidade de um verdadeiro Shinobi.

Todas as batalhas são uma espécie de dança, como o Lobo de um braço só (como é chamado no jogo), terá de aprender a desviar rapidamente de uma rajada de ataques enquanto ataca com cuidado uma ou duas vezes antes de voltar a defensiva. Sua postura recarrega para você e inimigos, então você terá que determinar quando vale a pena ser agressivo. Uma dança perfeitamente cronometrada e bem executada é a chave para o sucesso no combate, reduzindo o tempo necessário para vencer uma luta. Escolher o movimento errado dá ao inimigo a oportunidade de acertar um de seus golpes, muitas vezes levando a morte e encarando o mesmo inimigo novamente.

Sekiro é mais punitivo do que qualquer outro jogo da FromSoftware. Seus primeiros chefes batem de frente com os da série Dark Souls, capazes de acabar sua saúde sem você hesitar em bloquear um único golpe. Com barras de saúde enormes e postura que parece nunca quebrar, batalhas podem continuar por vários minutos e exigem sua completa atenção.

As batalhas contra chefes em Sekiro são cinematográficas, imediatamente se consolidando como uma das melhores do gênero. No começo, me senti muito injustiçado, ao ponto de não saber mais o que fazer. Nenhum dos meus ataques funcionava, eu só via aquele boss na minha frente e pensava, “já era”. No entanto, lenta, mas seguramente, comecei a analisar cada movimento e formular uma estratégia. Inúmeras tentativas, mas logo saí vitorioso, tremendo, mas vitorioso.

Meu veredito é que Sekiro: Shadows Die Twice é uma grande realização de uma fantástica jornada de um herói, com uma jogabilidade repleta de ação desafiadora, porém recompensadora, e um design de fase acima do comum que nos atrai a querer explorar cada lugar existente. No começo, o jogo acaba com você sem nenhum tipo de piedade, então com o passar dos aprendizados, mortes, itens, descobertas, habilidades, você se torna um verdadeiro Shinobi, que acaba com o jogo, e isso é fantástico.

– Renê Madeira