Mighty No. 9 | Crítica

326
Mighty No. 9

Nos dias atuais o crowfunding se tornou parte da indústria de games. Através desse financiamento temos em mãos diversos títulos excelentes que muitas produtoras não quiseram financiar como Mighty No. 9. Acredito também que através do crowfunding é possível demonstrar o interesse do público em determinados estilos de jogo em que as produtoras dizem não serem rentáveis atualmente, demonstrando uma demanda do público por eles. É aí que entra MN9, tido como o “sucessor espiritual” de Mega Man, o título parou a internet quando o lendário produtor Keiji Inafune (esse tido como o criador de Mega Man), colocou no kickstarter projeto de seu novo jogo que viria a ser o MN9. Chegando a ser o recordista de arrecadação no site de financiamento coletivo. Arrecadando um valor aproximado de quatro milhões de dólares.

Eu como um grande fã do Blue Bomber criei uma enorme expectativa para o lançamento do jogo. Mas entre inúmeros adiamentos e uma no mínimo bizarra campanha de financiamento, onde a Comcept (empresa responsável pelo jogo), reabriu o financiamento antes mesmo de esse chegar ao fim, irritando muito de seus backers, chegando também até anunciar uma parceria misteriosa com uma empresa chinesa que possuía assets de outra companhia em seu site. Tudo isso relegou o jogo a segundo plano, mas enfrentando todos esses problemas, eis que temos Mighty No. 9 em mãos e o que posso dizer é que por parte de minha pessoa as expectativas não foram correspondidas.

O Jogo

As primeiras reações da comunidade na internet não foram nada favoráveis ao game, muito se reclamou que o jogo estava feio, não fazendo jus a jogos da atual geração. Pelos vídeos divulgados, faço parte desse grupo que acha MN9 um jogo feio, mas quando coloquei o jogo no console para minha surpresa ele estava mais feio do que vi nos vídeos.

O jogo tem uma aparência “morta” suas cores são um tanto sóbrias demais, seus cenários de fundo são sem criatividade e doloridos de se olhar, isso sem falar em alguns efeitos, como os de explosões, por exemplo, que beiram a antigos jogos da geração do Playstation 1.

A versão testada foi a do Nintendo Wii U, pude jogar o game tanto na minha TV, quando pela tela do gamepad, que possui uma resolução em 480p. Posso afirmar quem em ambas o jogo é igualmente feio, possuindo alguns serrilhados que é só mais um ingrediente nesse bolo de feiura que é MN9 graficamente.

Mas muitos jogadores não se importam tanto com gráficos, querem sim é saber da jogabilidade, pois ora poxa! Esse jogo pode ser o novo Mega Man! Não, ele não é. MN9 sofre com um level design pouco inspirado e desafios enfadonhos. Há várias fases onde o mesmo desafio de matar uma quantidade de determinados inimigos para seguir em frente existe e é repetido de maneira cansativa. Já a fase denominada “rodovia” possui um dos piores level design que já joguei em jogos atualmente, os estágios desse nível são quase idênticos, ficar saltando de um carro enfrentando inimigos repetidos até chegar ao chefe da fase. Para se ter uma ideia, em determinado momento da fase você vai entrar em um túnel e o Dr. Sanda vai lhe avisar que sua visão pode ficar prejudicada, mas o tal do túnel só é distinguido de outro estágio da fase por um filtro amarelado que é colocado, nada diferente do estágio anterior em que nos encontrávamos.

Com relação aos personagens existentes e aos inimigos comuns do jogo, todos carecem de uma dose de carisma, além de sempre haver a sensação de você já ter visto isso antes. Alguns inimigos chegam a serem idênticos aos dos antigos jogos do querido robozinho azul, me passando uma impressão de descaso ao longo do game.

Você já viu isso em algum lugar
Você já viu isso em algum lugar

Aspectos Técnicos

Quanto aos aspectos técnicos do jogo, foi-se muito falado que a versão de Wii U seria a mais problemática, trazendo consigo até alguns problemas de travamento do console. O que posso dizer que em todo o tempo que joguei isso não aconteceu comigo. Em compensação sofri de quedas de frames incríveis que quase deixaram o game impraticável.

Convém mencionar que os loadings existentes são bastante demorados chegando a demorar cerca de 15 a 20 segundos ou mais.

Os controles funcionam de maneira satisfatória, sem problemas para executar os movimentos do personagem não havendo lags ou delays em seus comandos.

Outro fator que me trouxe incômodo no jogo foi sua trilha sonora praticamente descartável. Ora, se chamamos Mighty No. 9 de “sucessor espiritual” de Mega Man, é aqui mais um ponto que MN9 falha diante da aventura do robozinho azul. Garanto que mesmo tendo jogado MN9 recentemente, não conseguir fixar uma música em minha cabeça. Até mesmo a dublagem do jogo é horrível, possuindo um chefe de fase que repete sem parar os sons “piu piu piu” sempre que atira em Beck, seu personagem.

Mas nem só de coisas ruins MN9 é feito, apesar da dublagem ruim, toda fala dentro do jogo é dublada, ou seja, cada personagem possui sua voz. O jogo também está legendado em português-brasileiro, mesmo no console da Nintendo.

Aqui os problemas com frames foram enormes
Aqui os problemas com frames foram enormes

Gameplay

O gameplay do jogo se mostra interessante quanto aos upgrades temporários, ou seja, Beck ganha algumas melhorias temporárias eliminando os inimigos através de seu dash. A mecânica é legal, rendendo uma boa dose de estratégia ao jogo e, por muitas vezes, faz o jogador escolher qual inimigo vai atacar primeiro em busca de determinado Power up para a situação em que se encontra.

As batalhas com os chefes são divertidas, aqui sim relembra um pouco os jogos do Blue Bomber, tendo que descobrir cada padrão de ataque dos chefes. Ainda que essas batalhas fiquem comprometidas pelo fraco design dos personagens ou pela sensação de personagens cópias de outros jogos, as batalhas com os bosses de fase também resta prejudicada pela facilidade, aliás, todo o jogo apresenta um desafio baixo, dificilmente algum inimigo comum vai te derrotar, você pode morrer pelas armadilhas e elementos de plataforma da fase, mas o desafio ainda é inferior a outros jogos do gênero. Mas resta mencionar que perdi algumas vidas por não enxergar inimigos no cenário graças à confusa decisão de level design.

Gostaria de mencionar também que as habilidades “roubadas” por Beck dos chefes vencidos se mostraram pouco úteis ao longo da aventura, quase não as usei durante o jogo.

Considerações Finais

O veredicto final é que MN9 prometeu e não cumpriu, o jogo aparenta ser apenas mais um clone de Mega Man diante de tantos outros clones existentes no mercado. O que posso afirmar é que MN9 é um jogo preguiçoso, não se esforçou no seu gameplay, nem em seus cenários, desafios enfadonhos, design e conceito de personagens copiados de outros games e trilha sonora meia boca. O que preocupa é que o jogo recebeu um orçamento bom e teve a batuta de Keiji Inafune, além de ser esperando por muitos e por muito tempo. A recomendação que posso fazer é que se você procura um jogo atual de plataforma posso lhe indicar Ori and the Blind Forest, Guacamelee Shovel Knight e Teslagrad.