The Old Guard (Netflix) | Crítica

117

Apoiado no talento de Charlize Theron, The Old Guard é um filme de ação honesto e eficiente

A discussão sobre imortalidade sempre esteve presente na cultura pop. Filmes, séries, livros e toda a variedade de materiais já trataram desse assunto, nos mais diferentes níveis. E, geralmente, um mesmo questionamento costuma surgir: o que fazer com o tempo que nos é dado? The Old Guard, novo longa original da Netflix, tenta dar sua versão para essa resposta. Investindo em diversão de qualidade e uma história simples, mas com alguns momentos inspirados.

Baseada na HQ homônima da Image Comics escrita por Greg Rucka e desenhada por Leandro Fernández, a trama acompanha Andy (Charlize Theron) que lidera uma equipe de indivíduos imortais formada por Booker (Matthias Schoenaerts), Joe (Marwan Kenzari) e Nick (Luca Marinelli). Após caírem numa emboscada, eles precisam caçar as pessoas que descobriram seus segredos enquanto lidam com o surgimento de uma garota com o mesmo dom, Nile (KiKi Layne). Desse ponto, The Old Guard assume seu papel de um filme de ação bastante honesto, consciente de suas limitações e principalmente de seus pontos fortes.

O fato do roteiro ter sido escrito pelo próprio Rucka ajuda nessa transição de mídias. Com domínio total de sua criação, ele consegue manter a história engajante durante boa parte das duas horas de duração do filme. E acerta na arriscada decisão de não fornecer explicação sobre a condição peculiar dos personagens principais, investindo o tempo em explorar a forma como eles utilizam esse dom (ou maldição). No entanto, para alcançar tal resultado, Rucka precisou apoiar-se em flashbacks e textos expositivos. Elementos que incomodam, mas que não chegam a sabotar o filme.

Porém, The Old Guard sabe que ação e violência são o seu chamariz. A direção de Gina Prince-Bythewood (A Vida Secreta das Abelhas) trabalha muito bem os momentos de pancadaria, guiando o espectador da maneira mais objetiva possível. Com takes longos e um domínio eficiente do espaço, a diretora faz de cada cena mais agitada algo especial. É preciso elogiar também as coreografias de lutas, mesclando a utilização de armas de fogo, armas brancas e artes marciais.

Cena de The Old Guard. Divulgação: Netflix.

Nas atuações, Charlize Theron é quem mais se destaca. Ao longo da carreira, ela já havia mostrado em filmes como Mad Max: Estrada da Fúria e o recente Atômica que consegue brilhar em longas de ação. Sua personagem entrega um constante ar de melancolia, evidenciando assim o peso de ter vivido por eras conhecendo o pior lado da humanidade. O resto do elenco não é ruim, mas sofre por ter pouco tempo de tela. Isso afeta até mesmo o desenvolvimento dos personagens, que vivem de pequenos momentos isolados para demonstrarem alguma profundidade.

O lado vilanesco do filme é outro ponto negativo. O bilionário do ramo farmacêutico Merrick (Harry Melling) é extremamente caricato, do tipo que poderia soltar uma risada maléfica enquanto explica seu mirabolante plano. Sua principal função é apenas fornecer os soldados que são trucidados por Andy e sua equipe.  Nem mesmo a tentativa de levantar uma discussão sobre ética e até onde é possível ir em nome de um bem maior funciona.

Em termos gerais, The Old Guard é bastante eficiente naquilo que se propõe a fazer. Mesmo com deslizes, consegue equilibrar uma certa carga dramática com momentos de ação descerebrada. É o típico escapismo necessário depois de um dia corrido. E se Resgate fez tanto sucesso, nada impede que esse longa siga o mesmo caminho.

Publicidade