Sonic: O Filme | Crítica

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Das telas interativas dos videos-games para as telonas do cinema, Sonic: O Filme estreou! Dirigido por Jeff Fowler, a adaptação live-action do ouriço azul mais rápido e famoso do mundo era esperada pelos fãs mais antigos dos jogos e pela nova geração que se diverte ainda com os remasters da série da SEGA. E também é importante por marcar o retorno de Jim Carrey aos filmes hollywoodianos.

Muito se especula quando é anunciado uma adaptação de jogo para filme. A maior parte do público reage com certa descrença na qualidade do vindouro material, por já tantas decepções, tais como Resident Evil, Prince of Persia, Mario etc. Com Sonic, a situação foi bastante parecida por conta dos primeiros materiais liberados do longa. Muito repercutiu nas redes sociais o primeiro visual do protagonista, tanto é que fez com que os realizadores da obra repaginassem a aparência do herói. Quando feito, surgiu uma faísca de esperança de que o resultado final poderia ser satisfatório.

Pois bem, Sonic (Ben Schwartz) é um ouriço que consegue viajar por mundos com seus anéis mágicos, e acaba parando na Terra, lugar que tomou como casa. Porém, vive escondido dos olhares humanos, até que um dia tudo isso muda e ele vai precisar da ajuda de Tom Wachowski (James Marsden) para salvar sua vida. Antes de mais nada é importante ressaltar que Sonic é um filme bastante honesto consigo mesmo e com o público. Ele não se leva a sério e sabe se entender como um produto de entretenimento leve, afinal, seu produto original era um jogo de aventura para crianças. E isso se reflete bastante e positivamente ao longo da projeção.

O roteiro do filme é bem fácil de deduzir. Em fato, com quinze minutos de projeção já é possível saber com clareza o meio e o fim da aventura. De longe, não é o ponto forte do longa, onde mora as valências dessa adaptação são nas suas relações afetivas entre os personagens. Somos introduzidos a todo o núcleo principal de personagens que irá compor a história, e validando-se de clichês atrás de clichês – como, por exemplo, o do policial boa pinta que ajuda todos na cidade pequenina, para que simpatizemos quase que instantaneamente por essas personas -, existe um ar nostálgico de comédias e aventuras dos anos 90, o ar sessão da tarde, que para os mais saudosistas, funciona em demasia.

A relação entre Tom e Sonic chega a ser quase que paternal, pelo fato de que o protagonista é surpreendido facilmente com qualquer coisa que só pareça divertida e pelo seu jeito de se expressar, é muito infantil, um garoto inocente e jovem, mas sem parecer bobo e imaturo. As peças de roteiro se encaixam de forma sinestésica para que todas as questões apresentadas sejam resolvidas da forma mais satisfatória possível. Sonic quer um amigo para dividir aventuras, seu amigo aparece em função de um problema apresentado. Tom quer ser um policial a fazer algo grande, ele conhece Sonic e entra junto nesse problema. A necessidade, problema e resolução é fluída e o sentimento de recompensa é entregue.

A história funciona quase como um roadmovie, o que para esse filme foi um acerto gigantesco. Tendo em vista que estamos falando de um personagem feito em CGI contracenando com um ator de verdade. Existe um distanciamento quase que imediato com o público quando há algo com efeitos de computador inseridos, principalmente quando se refere ao protagonista da história e com o adendo de ser uma adaptação live-action. Tornar a aventura dos dois personagens a mais íntima possível era uma das melhores saídas para que a relação passasse a ser crível com a agilidade que a narrativa necessita. Embora o visual tenha sido repaginado, ainda existe uma certa falta de acabamento no Sonic. Falta uma textura, algo que pareça que ele está ali realmente no ambiente, o personagem parece não ter peso e o ambiente, tirando as cenas de ação, não reagem bem com sua presença em cena. Porém, se observamos pelo prisma de que é um jogo na vida real, a experiência se torna melhor.

E por falar em anos 90, é um baita deleite olhar novamente Jim Carrey (Dr. Eggman) nos cinemas. Ele aqui está no seu lugar mais que confortável, é uma mistura vilanesca de Ace Ventura, com O Mentiroso e Grinch. Em 90% das vezes, suas piadas funcionam. Tem timing, e não se limitam a só texto, existe um trabalho corporal hilário. É um personagem deliciosamente exagerado. E, para o que o filme pede, um personagem altamente bidimensional, porém, funcional. Dr. Eggman funciona tão bem em tela que acaba ofuscando seu inimigo Sonic, este que, embora o principal, tem linhas de piadas menos funcionais, pelo simples fato de que toda hora Sonic reage com uma piada ou um gesto engraçado. É um personagem divertido e que arranca risadas, mas diferente de Dr. Eggman, não tem tanto timing.

Sonic é um filme divertido sobre amizade, companheirismo, é bastante engraçado e consegue abraçar tanto o público que jogava os jogos clássicos da SEGA quanto o público atual. Entra para o hall de filmes bons adaptados de jogos e ainda embarca na moda das cenas pós-créditos, que inclusive são muito boas (principalmente a primeira). É um aventura divertida e sem idade para se entreter.