Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa | Crítica

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Depois do erro cinematográfico cometido pela DC/Warner em 2016, com Esquadrão Suicida, todas as suas produções dos anos seguintes tiveram que provar seu valor perante o público e a crítica. Desde então, cada filme lançado traz um pedido de desculpas implícito. Exatamente pela ânsia de reverter e deixar de ser alvo de piadas, a empresa vem se dedicando e se moldando cada vez mais, demonstrando alto desempenho em suas produções — prova clara disso é o filme Coringa, que recebeu 11 indicações ao Oscar —, e o mais novo acerto da empresa se chama: Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. 

Estreando nas telas de cinema a partir do dia 6 de fevereiro em território brasileiro, o filme foi concebido no momento propício para ser adorado pelo público, uma época onde a linguagem do momento é o empoderamento feminino, ou seja, DC acertou na medida e na dose para garantir o sucesso de sua nova aposta cinematográfica, fazendo assim com que a empresa fique ilhada em um mar de elogios com suas novas produções.

Arlequina (Margot Robbie) está de coração partido. Seu romance com o palhaço do crime chegou ao fim, e agora ela busca novos amores e motivações para direcionar sua atenção, e é a partir desse ponto que a história tem início.

Aves de Rapina nos traz um lado mais leve, despreocupado e imprudente de Harley. Sabe explorar a fragilidade e solidão na personagem sem perder o tom divertido ou sentimentaliza-la em excesso, trazendo uma carga dramática desnecessária. Por reconhecer o benefício da imunidade que o título de posse do Coringa lhe dava, vemos uma relutância explícita em abandonar o antigo título, especialmente pelo apego sentimental que ainda é existente, mas, ao começar a ser subjugada e inferiorizada, Harley decide que é a hora de se afirmar em Gotham. A seu estilo, ela anuncia seu término e recomeço da maneira mais colorida possível, mas Quinzel mal sabia que essa notícia iria despertar o interesse da cidade inteira de possuir sua cabeça em uma bandeja. 

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As outras personagens são introduzidas ao mesmo tempo, de um jeito lúdico, mas cada uma, de forma regrada e organizada. É possível descobrir um pouco mais sobre elas a medida em que a narrativa vai se desenvolvendo, pois suas histórias e passado não estão tão evidentes.

O filme avança de forma lenta, o que não chega a ser cansativo, pois os personagens no geral conseguem manter seu interesse vivo na obra, apesar da demora no desenvolvimento verdadeiro do enredo. É um filme colorido, mas desprovido de inovadores efeitos visuais, o que também não serve como um defeito ou empobrece a produção.

As coreografias das cenas de ação estão ótimas, empolgantes e vivas, o que desperta uma grande animação em quem assiste, arrisco a dizer que seja um dos pontos altos do filme. 

O roteiro está bem estruturado e equilibrado, com começo, meio e fim em uma história fechada e conclusiva. O final deixa uma leve abertura para o telespectador, juntamente com sua imaginação, supor o que poderia vir acontecer a seguir no futuro das personagens, mas o ciclo da história se dá por encerrada. Outra observação interessante é justamente sobre a linha narrativa da história, que ela se encaixa perfeitamente com a narradora, Arlequina, ou seja, há uma certa confusão proposital na linha de acontecimentos, pois a intenção é fazer o espectador se sentir dentro da consciência da personagem, o filme inteiro é uma conversa mental entre Harley consigo mesma. 

Um filme divertido como Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é uma das melhores escolhas a se fazer quando desejar assistir alguma produção em cartaz, conseguindo agradar o público e aos fãs que aguardavam ansiosos e tensos pelo resultado final. Definitivamente não desapontou e foi um ótimo novo pedido de desculpas da DC.

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