Vinícius Augusto Bozzo

20 dez, 2021

Filmes

Cinco anos depois do primeiro filme da franquia, Sing 2 chega aos cinemas brasileiros a partir do dia 23 de dezembro de 2021. A sequência do musical animado é mais uma vez dirigida e escrita por Garth Jennings, o mesmo de O Guia do Mochileiro das Galáxias, e uma dezena de videoclipes muito bem sucedidos. Repetir o bom sucesso de 2016 é talvez o maior desafio de todo o filme e também da Illumination Enterteinment, mesma produtora de Meu Malvado Favorito. Uma duríssima missão! Não apenas pela qualidade do primeiro filme, mas, principalmente, porque muita coisa aconteceu no mundo da animação nesses anos.

Sing 2 traz de volta a trupe de cantores comandada pelo corajoso produtor e coala Buster Moon. Depois de conquistar o seu espaço no teatro da cidade, agora ele está querendo impactar a maior produtora do entretenimento da cidade Redshore. Uma espécie de mistura de Nova York, Miami e Las Vegas. Esse é o estopim do roteiro para tirar todos os talentos da zona de conforto e enfrentar novos desafios. Buster Moon vai ter que convencer o chefão da produtora que é capaz e acaba inventando uma mentirinha. Buster diz que é muito amigo de Clay Calloway, um antigo astro do rock que está há anos fora da mídia.

O filme acerta em muitos pontos. Personagens carismáticos que já haviam conquistado o público em 2016 voltam com mais força e convincentes desafios. Apesar de muitos, neste ponto o roteiro dá conta do recado com saídas simples, mas eficientes. As cores e a animação está ainda melhor do que no primeiro filme, mostrando que a Illumination (pertencente ao grupo NBCUniversal) não está para brincadeira. Ao lado da Sony, entra pra valer na briga com Dreamworks, Pixar e Disney.

O elenco de voz original é um escândalo de fantástico. Matthew McConaughey, Reese Witherspoon, Scarlett Johansson e Pharrell Williams não é pouca coisa. Eu assisti ao filme dublado, em cabine exclusiva para a imprensa, mas as músicas estão com a voz original, em inglês. O que à princípio não me incomoda, mas lembro que no primeiro filme da franquia Wanessa Camargo dá voz, em português, à música da sua personagem.

Aliás, o elenco das vozes brasileiras retornam, como Sandy, Fiuk e Wanessa. Ainda temos Paulo Ricardo (do RPM) como a voz do leão solitário Clay Calloway. Sim, a versão original é com Bono Vox, do U2. Não sei quem é o nosso Bono brasileiro e acho que Paulo Ricardo sustenta muito bem na voz do Clay. Uma grata surpresa. Sacada de mestre também é colocar Fábio Jr dublando o gorilão segurança que é o pai do personagem dublado por Fiuk. Tudo em família.

As músicas formam o prato principal de Sing 2. Assim como o primeiro filme, canções consagradas se misturam com canções originais. Neste caso, acho até que o filme merecia mais canções originais. A música inédita Your Song Saved My Life do U2 faz parte da trilha sonora, que não lançava nada novo desde 2017. Pra quem ama a banda, Sing 2 é um banquete. O filme traz mais três covers do grupo: Where the Streets Have No Name, Stuck in a Moment You Can’t Get Out Of e I Still Haven’t Found What I’m Looking For. O filme poderia se chamar Sing U2? Talvez!

Brincadeiras a parte, isso não chega a ser um problema. O filme é divertido e novos personagens são inseridos na turma. Acho que a beleza e bonita história do leão Clay Calloway rouba a cena, o que tira um pouco de força do personagem principal, o coala Buster Moon.

Outro ponto que questiono é o enfraquecimento do grupo como talento, algo que é a grande conquista da história do primeiro filme. A criação de um bonito espetáculo de Sing acaba sendo minimizada logo no início de Sing 2. A saída da cidade sede do grupo e a avaliação da produtora de Redshore colocando-os como um showzinho de bairro não são convincentes como uma ruptura efetiva para levar a história para frente. É como se um personagem acompanhasse o Cirque Du Soleil e chamasse de atração de parque de diversões do interior. Essa incoerência não atrapalha o bom divertimento para as crianças e nem faz com que a discreta palminha de pais e mães fãs de U2 aconteça nas salas de cinema. Animais cantantes sempre funcionam bem nas telonas.

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