Edipo Pereira

13 jun, 2022

Filmes

A capacidade da Disney de extrair recursos das suas marcas é algo pra lá de notório, então não foi exatamente uma surpresa quando Lightyear, um filme solo do personagem que inspirou o brinquedo de Toy Story, foi anunciado. Iniciada 1995, a franquia abriu essa possibilidade desde o primeiro longa ao apresentar um novo brinquedo para o menino Andy e, só agora, com a qualidade gráfica nas animações atingindo seu nível de excelência, a Pixar entrega o projeto para os fãs e novos espectadores.

A trama acompanha Buzz após ser abandonado no planeta hostil a 4,2 milhões de anos-luz da Terra, T’Kani Prime, ao lado de sua comandante e sua equipe. Enquanto ele tenta encontrar um caminho de volta para casa através do espaço e tempo, um grupo de recrutas ambiciosos e o encantador gato-robô de companhia, Sox, se juntam ao herói. Temos então uma autêntica aventura sci-fi na qual o patrulheiro espacial é, dentro da sua personalidade arrogante, atormentado pelos erros técnicos que cometeu e paga um custo muito alto para tentar corrigir o que ele julga ser um problema.

Qual é o diferencial de Lightyear?

Essa é a estreia do diretor Angus MacLane como único diretor de um longa metragem, tendo dividido o posto anteriormente com Andrew Stanton em Procurando Dory (2016). Porém, se não bastasse o respaldo por já trabalhar na Pixar, MacLane se credencia também por ter comandado dois curtas de Toy Story lançados em 2011 e 2013. No filme de 2022, ele consegue entregar um bom trabalho mesclando bem as cenas de ação e aventura (visualmente lindas) com momentos de humor e outros mais carregados emocionalmente.

Mas isso já era esperado, certo? A Pixar dificilmente erra nesse aspecto, pois é a principal referência de qualidade nas animações e seu método de trabalho transmite uma sensação de colaboração interna constante e rotativa, o que garante boas produções enquanto forma novos quadros na empresa, como é o caso do próprio Angus MacLane.

Sendo assim, o principal acerto com Lightyear é no roteiro que o diretor coescreve com Jason Headley. Além de funcionar perfeitamente como uma ação e aventura de ficção científica, o filme consegue trazer lições valiosas a partir da jornada de um protagonista obcecado em ser perfeito e não depender de ninguém, se mostrando fechado a ajuda, seja de um recruta ou até mesmo de um sistema de pilotagem automática. Seu elo com uma maior empatia do espectador está na amizade nutrida com a comandante Alisha, outra competente patrulheira espacial que deu a oportunidade de Buzz se destacar quando novato.

A passagem do tempo na narrativa é muito peculiar, pois a cada tentativa de Buzz para criar uma nova fonte de energia para eles escaparem do planeta hostil no qual foram parar, muitos anos se passam para quem está no planeta - enquanto para Buzz são apenas alguns minutos. O resultado disso é a população de T’Kani Prime envelhecendo por toda uma vida enquanto Lightyear os encontra a cada cinco anos mais ou menos, pois todas as suas tentativas não funcionam como o esperado.

Enquanto isso, as pessoas no planeta estão tocando sua vida normalmente, se adaptando à condição imposta pela adversidade de outrora. Buzz, ao contrário, é um homem preso aos seus erros do passado e não percebe o quão feliz e satisfatória foi a vida da amiga e de sua família. É nesse ponto que a trama apresenta Izzy, neta de Alisha, acompanhada por outros três companheiros improváveis para Buzz, que mostrarão ao herói a importância de trabalhar em equipe e aceitar que uma ajuda não faz mal a ninguém.

lightyear-vilao-zurg

O antagonismo do vilão Zurg é outro ponto bem trabalhado, pois consegue trazer ares de novidade tanto para o espectador eventual de cinema quanto para os fãs de Toy Story, especialmente os que se recordam da referência a Star Wars no segundo filme.

E a dublagem do Marcos Mion?

Sobre a dublagem de Marcos Mion ao invés de Guilherme Briggs, você pode ler os perigos que essa ação da Disney oferecia clicando aqui. Sobre o resultado em si, é justo dizer que Mion entrega o que o personagem pede, cumprindo o seu papel sem comprometer. Os mais saudosistas, no entanto, poderão ficar lembrando da voz marcante de Briggs em muitos momentos.

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