Charles Luis Castro

9 jun, 2021

Filmes

Terceiro longa do casal Warren não consegue replicar a fórmula de sucesso de seus antecessores

O universo de Invocação do Mal - incluindo seus diversos spin-off - é um dos mais rentáveis produtos cinematográficos dos últimos anos. Conquistando principalmente o público, os longas certamente estão entre os responsáveis pela nova onda de popularização do terror. Muito desse sucesso reside no talento de James Wan, que dirigiu os dois primeiros capítulos da franquia e atuou como produtor nos demais segmentos. Foi sua habilidade em mesclar a onda sobrenatural que tomou conta do gênero no início dos anos 2000 e a tendência de conectar histórias dentro de uma franquia que deu o tom dessas produções. Contudo, ele não retornou para dirigir Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio. E isso tem um preço.

Após um conturbado exorcismo, Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga) descobrem que o mal não foi completamente derrotado. Agora, eles precisam encarar um desafio terrível para salvar a vida de Arne Cheynne Johnson (Ruairi O’Connor). O longa adapta um dos mais famosos casos dos Warren, onde a justiça dos Estados Unidos viu o primeiro réu da história que alegou possessão demoníaca como motivação para seu crime. Com tantos elementos a serem trabalhados, um projeto desse tipo necessita de uma direção consciente. Mas o resultado final está bem abaixo dos longas anteriores, pecando tanto no terror quanto na vertente investigativa.

O diretor Michael Chaves, responsável pelo fraco A Maldição da Chorona, tem experiência dentro desse universo. Porém, ele não possui a habilidade para transformar clichês do gênero em momentos empolgantes. Algo que James Wan fez com louvor nos dois primeiros filmes. Logo, ele busca afastar Invocação do Mal 3 da atmosfera e ambientação de seus antecessores. O que poderia conferir um aspecto de originalidade ao projeto resulta em um filme sem identidade. O terror precisa dividir espaço com um suspense investigativo e um drama de tribunal. A alternância entre esses blocos torna a experiência vazia. Por isso, se você espera um longa de casa assombrada com vários jumpscares, pode acabar profundamente frustrado.

O roteiro de David Leslie Johnson-McGoldrick preenche a tela com referências de filmes anteriores da franquia e de clássicos do gênero como O Exorcista. Contudo, falha em desenvolver os personagens secundários e apresentar uma ameaça marcante ao casal de protagonistas. Embora suas vidas estejam em constante perigo, a narrativa não consegue estabelecer um senso de urgência. O espaçamento entre as cenas de tensão contribui para essa quebra de imersão.

Com tantos problemas estruturais, Invocação do Mal 3 encontra forças em seus protagonistas. Estamos diante de uma das tramas mais intimistas da franquia, onde o drama dos Warren se sobressai ao problema central do filme. Ed e Lorraine são o coração dessas histórias e o longa opta por ampliar não apenas a relação de ambos com o sobrenatural, mas também o amor que os une. Aliás, os dons de Lorraine são mais explorados aqui, especialmente nos momentos de apreensão. Existe um ar de encerramento de jornada que permeia esse capítulo, logo, nada mais justo que o casal tenho maior destaque.

Apesar de entender as motivações do diretor, Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio peca justamente por se afastar demais dos elementos que consagraram a franquia. E não digo isso como se o filme apresentasse ideias mirabolantes, muito pelo contrário. Fórmulas são replicadas justamente porque funcionam e nem sempre mudanças resultam em algo melhor. Caso esse tenha sido o último ato dos Warren nos cinemas, certamente iremos lembrar de seus dias de glória e não dessa despedida pouco inspirada.

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