Becky C.

6 jan, 2022

Filmes

Texto com um leve spoiler da trama, então se você for sensível a isso, indico voltar após assistir

"Encanto, da Walt Disney Animation Studios, conta a história dos Madrigal, uma família extraordinária que vive escondida nas montanhas da Colômbia, em uma casa mágica, em uma cidade vibrante, em um lugar maravilhoso conhecido como um Encanto. A magia deste Encanto abençoou todos os meninos e meninas da família com um dom único, desde superforça até o poder de curar. Todos, exceto Mirabel. Mas, quando ela descobre que a magia que cerca o Encanto está em perigo, Mirabel decide que ela, a única Madrigal sem poderes mágicos, pode ser a última esperança de sua família excepcional".

Encanto veio para ficar. Trazendo a típica problemática familiar, mas com uma nova ótica: o da aceitação (mas diferente de Frozen). Com uma protagonista maravilhosa, dublada pela nossa amada Rosa Diaz - a atriz Stephanie Beatriz -, Maribel é a única da sua família que não tem poderes e, por isso, se sente um peixinho fora d'água, segurando seus sentimentos negativos e tentando se convencer que é tão especial quanto todos os Madrigals. Claro que ela é, mas é difícil ver o seu próprio valor quando está sendo constantemente comparada aos outros ao seu redor ou sendo deixada de lado.

Com a sua perspectiva única, Maribel é a única esperança de salvar o milagre que deu os poderes da família Madrigal. Sua irmã mais velha Luiza é superforte por fora, mas em sua canção vemos o quão sobrecarregada e insegura se sente, afinal, se por um acaso ela não conseguir mais segurar todo aquele peso, quem ela é? Isabela é a irmã perfeita e seu poder é o de produzir rosas, tendo uma rixa com Maribel por estar parecer estar sempre estragando a sua vida, enquanto a irmã mais nova sente rancor dela por ser tão perfeita, do jeito que a avó, a líder da família, quer. Ao longo da narrativa, vamos descobrindo o motivo pelo qual a magia está por um fio e não é nada do que poderíamos imaginar. No fim, a luta por se encaixar na família Madrigal é pesada demais para todos e a única que consegue ver isso é Maribel - inclusive, seria um dos motivos pelos quais ela usa óculos: a protagonista tem uma visão única das coisas.

encanto animação disney

Normalmente, eu não me encanto muito a ponto de me emocionar e chorar, mas a nova animação pegou em um ponto fraco meu e fez muito bem o seu papel de passar a mensagem de aceitação, além da parte familiar. Quanto mais tentamos nos encaixar nos lugares, mais doloros fica, afinal, não há a permissão para sermos nós mesmos quando é o caso, enquanto a aceitação é a completude: as pessoas te amam do jeito que você é, com as suas loucuras e tudo. E, para mim, essa é foi a mensagem que o filme passou.

Lin-Manuel Miranda compôs músicas que ajudam a contar a narrativa de forma lúdica e que vão ficar na sua cabeça, inclusive, o ritmo no qual Maribel canta é um pouco diferente dos outros e foi feito para ser assim, para mostrar como ela é diferente dos outros. Além disso, a produção teve um cuidado especial em retratar muito bem a cultura colombiana, as danças, as roupas, tudo em uma viagem à Colômbia! E as pessoas por detrás das vozes foram selecionadas cuidadosamente para serem latinas. Inclusive, na versão espanhol da dublagem, todas as vozes são colombianas - e algumas até mesmo participam da versão em inglês.

Não irei opinar na dublagem, pois até então não tive coragem de assistir ao longa em português, um trauma que foi causado por Frozen e um pouco em Enrolados (sério? O Luciano Hulk? Não tinha ninguém pra dizer que era uma péssima ideia?). Não consigo engolir o que fizeram e passei a evitar a dublagem brasileira com medo de estragar as coisas. Mas vou dar a colher de chá e assistir em português, só não hoje.

O único problema desse filme que me incomodou de verdade é que o longa termina do jeito Disney e a mensagem acaba perdendo um pouco do sentido original. Muitas pessoas não se incomodam com isso, mas, para mim, que me emocionei a ponto de chorar litros (gente, eu sou coração de PEDRA! Eu raramente choro), dá uma caidinha. Continuo amando-o, mas tanto quanto deveria por causa disso.

E não esqueçam: não falamos do Bruno!

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