Retorno de James Gunn pode ter alguns significados que a princípio não enxergamos, mas que envolvem o próprio destino do Marvel Studios

Foi com muita tristeza que recebi a notícia, na metade de 2018, de que James Gunn havia sido demitido pela Disney e estava – consequentemente – fora de Guardiões da Galáxia vol. 3. Na época, veio à tona (através de adoradores do presidente dos EUA, Donald Trump) alguns tweets antigos dele, usando um linguajar repulsivo ao se expressar. Mesmo não atacando ninguém diretamente, aquilo bastou para seu afastamento.

Ao se desculpar, ele afirmou que se expressava daquela forma para impressionar e atribuir a si algum tipo de estilo único, hábito grotesco que ele abandonou com o passar do tempo. Esse ponto fica para o julgamento de cada um. Eu, apesar de acreditar, assimilei aquele afastamento como natural.

De fato, o James Gunn que conhecíamos sempre pareceu – aos olhos dos fãs – uma pessoa muito acessível, sempre promovendo filmes da Marvel e de heróis em geral através de lives e tantos outros meios possíveis hoje em dia na internet. Vale lembrar até de sua positiva passagem pelo Brasil na CCXP 2017. Ele era um nerd como nós, além de muito respeitoso e adorado pelos colegas.

Depois disso, o diretor se afastou das redes sociais para abaixar a poeira. Mais projetos seus foram anunciados, como Esquadrão Suicida 2 e Brightburn (aquele do Superman do mal). Ele seguia sua vida.

Vida que segue. Ou não

Mas e a Marvel? Enquanto coletava o sucesso de seus filmes, ficava a preocupação sobre o que seria de Guardiões da Galáxia Vol. 3, que já estava com a primeira versão do roteiro pronta. A intenção era que um outro diretor o usasse, mas nada foi anunciado, tampouco oficialmente.

Certo mesmo era que nomes como Dave Bautista repudiaram publicamente a atitude da Disney. Até o Peter Quill Chris Pratt e a Gamora Zoe Saldana se manifestaram em apoio, evidenciando um bom relacionamento de Gunn com seus pares.

Eis que ele é recontratado. Ambas as partes haviam feito reuniões e com a mesma surpresa da demissão, ficamos sabendo sobre o retorno.

Isso pode significar que, nos bastidores, ficaria difícil o clima para uma nova equipe de produção, tamanho o envolvimento do diretor desde a concepção dessa vasta vertente cósmica do MCU, que veio a inspirar visualmente outros longas como Thor: Ragnarok e até Capitã Marvel. Além disso, James Gunn foi de grande auxílio para os irmãos Russo em Vingadores: Guerra Infinita nas cenas envolvendo os Guardiões da Galáxia.

Também fica evidenciado um certo medo da Marvel em continuar sem ele devido ao seu alinhamento e conhecimento para trabalhar com personagens como Groot e Rocket, como se fosse dos poucos que pudessem mexer as peças cósmicas do seu MCU. Se for verdade, então agora o diretor terá ainda mais valor, pois passa uma leve impressão de que a Marvel precisava muito mais dele do que o contrário.

Retorno (como diretor) deve demorar

Porém, James Gunn vai precisar se dedicar a Brightburn por hora, e a longo prazo, Esquadrão Suicida 2 que estreia dia 6 de agosto de 2021. Desse modo, podemos esperar Guardiões da Galáxia Vol. 3 só para 2023, no mínimo.

Como os executivos não dão passo sem muito estudo, é esperado algumas pancadas junto a esse novo contrato, ou seja, pessoas criticando a volta como se fosse premiar alguém que errou. No entanto, a aposta da Disney provavelmente é a de que, no final das contas irá prevalecer a imagem de um cara que se comportou mal há muito tempo, mas hoje é outra pessoa e está ganhando nova chance.

Consequentemente, ganha muito mais respaldo.