Derivado de Transformers, filme solo do Bumblebee mostrou que a franquia anda muito melhor com os pés no chão

Antes de Bumblebee, Transformers teve meia dúzia de filmes no cinema, todos dirigidos pelo explosivo Michael Bay, que sempre priorizou elementos mais expositivos da franquia da Hasbro, negligenciando aspectos importantes como roteiro coerente ou mesmo cenas de ação entendíveis.

Ao perceber que a fórmula estava gasta, a Paramount Pictures buscou uma abordagem diferente, usando um orçamento menor para contar uma história “pés no chão” e intimista, tendo como protagonista humana a grande atriz Hailee Steinfeld no papel de Charlie, garota de 18 anos com a qual Bumblebee constrói uma amizade.

O resultado foi satisfatório: mesmo não sendo um filme excelente, o longa trabalhou bem questões sentimentais de Charlie e como sua amizade com o Autobot a ajuda nos problemas de inadequação após a morte do pai. Uma história fofa, com momentos engraçados e que se fecha num episódio.

Ao mesmo tempo, alguns problemas crônicos da franquia principal foram tratados. O roteiro tem alguns defeitos, mas funciona para a proposta do filme. Também não temos, através da direção de Travis Knight, aquelas cenas com protagonistas suados em câmera lenta ao pôr-do-sol.

O mais importante, no entanto, é precisamente a ação entendível. Ou seja, nada daquela horrível suruba de robôs exaustivamente promovida por Michael Bay.

Bumblebee hailee steinfield charlie

Por que não uma sequência?

Sendo assim, porque não um Bumblebee 2? O final do filme indica que o herói atuou sozinho por um tempo até a chegada de Optimus Prime, até ir parar – mais uma vez – num local abandonado e ser encontrado por um jovem sem muita grana para conseguir seu primeiro carro.

Há muito o que ser contado nesse hiato, e parece muito mais interessante vez alguns casos sendo solucionados por esse período do que alguma sandice de Michael Bay. Porém, o desempenho na bilheteria pode não ajudar muito: foram pouco mais de US$ 400 milhões mundialmente para um orçamento estimado em US$ 135 milhões. Não deu prejuízo, mas pode ser que a Paramount não considere esse um lucro aceitável. Para comparação, Transformers: O Último Cavaleiro arrecadou US$ 600 milhões, mas com um orçamento mais alto, de US$ 217 milhões.

O que você acha? Seguir com uma franquia gasta sob o comando de um cineasta marcado pelos exageros, ou uma aventura contida com apenas um principal – e carismático – Autobot? Para mim a resposta é clara, mas nem sempre o óbvio é seguido pelos executivos.