“Eu sou Uzumaki Boruto!”

Após o término de “Naruto Shippuden“, com seu episódio de número quinhentos, foi anunciado a continuação do universo criado por Masashi Kishimoto. O anime “Boruto: Naruto Next Generations“. E Boruto, sim, filho de Uzumaki Naruto.

O primeiro contato com a continuação da lore de Naruto, foi com o filme lançado no ano passado “Boruto: Naruto The Movie” roteirizado pelo próprio Kishimoto e Ukyo Kodachi. Vemos finalmente o Jinchuriki de Nove Caudas assumindo o posto de Hokage da Vila Oculta da Folha, e os outros personagens mais velhos com seus filhos.

Tanto a saga clássica, como o shippuden, fizeram parte da formação de gosto e da infância/adolescência de uma geração inteira. Não se apegar aos personagens é quase impossível para quem acompanhou desde sempre essas histórias. A construção de cada personalidade, cada arco, tudo para que convergissem em momentos icônicos e climáticos, como todo bom anime, principalmente do gênero Shonen.

O peso de um protagonista nesse gênero de anime, é essencial

Tendo dito isto, Boruto parece que caminha pela estrada inversa do que foi montado em seu antecessor. Não há problema em usar do que já estabelecido, em fato, é interessante que use, até porque, mantém tudo aquilo que sempre gostamos em “Naruto“. Tudo que circunda a nova história é bem maior e melhor do que seu personagem principal, no que poderia ser algo balanceado, acaba sendo o contrário. Há uma disputa um tanto injusta, de fato, os personagens antigos sempre irão tomar mais atenção, mas isso é a cargo do roteiro e das escolhas que foram tomadas para a história que se segue.

Uzumaki Boruto é um personagem sem total carisma, unidimensional, se limitando a frases de efeito e rebeldia. Sustentado apenas pelos traços da personalidade do próprio Naruto. Fato é, que a todo instante, seja no filme lançado e no anime, ficam reforçando a seguinte frase a cada ação que Boruto toma: “Nossa, como ele é parecido com o pai dele.” “Vejam, ele é igual ao Naruto”. Esta são as únicas identificações existentes. Características vagas reciclando de uma forma forçada o que já foi apresentado anteriormente.

No filme chega a ser mais mal construído a forma que é empurrado algum tipo de relevância e força para o personagem. Uchiha Sasuke e Naruto são os dois ninjas mais fortes do mundo shinobi, os mesmos, ficam cansados numa luta de menos de cinco minutos, fazendo assim, Boruto, o salvador do dia. Lógico.

Como já dito, o potencial do anime mora no que o rodeia, nos personagens secundários e nos velhos. Makoto Uezu (roteirista de Boruto) poderia se esforçar mais em criar um ninja cativante em vez de reciclar de forma chula o que já vimos. É quase como trair o fã da série.

No mais, Boruto se sustenta apenas no alicerces de seu antecessor sem andar com as próprias pernas e falha na apresentação de um personagem interessante.