A Netflix deixou para o final do ano para lançar uma das suas principais estreias de 2018. Com uma atriz top level de Hollywood como Sandra Bullock, Bird Box é uma das principais apostas do site para lutar na batalha dos streamings.

Bird Box conta a história de Malorie (Sandra Bullock), uma mulher grávida que se vê em um mundo pós-apocalíptico onde as pessoas começam a se matar misteriosamente à mera visão de criaturas que estão soltas pela rua. Ao mesmo tempo, o filme conta a história dessa mesma mulher 5 anos depois tentando sobreviver com seus filhos em um rio.

O principal diferencial que o filme tenta trazer é a ideia dessas criaturas invisíveis e sem explicação que fazem as pessoas se matarem ao olharem para elas. Por isso, os personagens do filme precisam ficar dentro de casas em proteção e, se saírem, precisa ser com vendas nos olhos, caso contrário morrerão. É impossível ver esse filme e não comparar com o ótimo Um Lugar Silencioso que estreou esse ano. Inclusive, Bird Box sofre muito com essa semelhança com o outro filme, pois o longa da Netflix deixa muito a desejar em relação ao primeiro.

Bird Box tenta trazer uma visão diferenciada de um mundo pós-apocalíptico mas acaba se auto-sabotando dessa forma. Os protagonistas do filme estão geralmente com venda nos olhos com medo do mundo a sua volta pois estão cegos. Mas o filme não consegue passar essa sensação para o expectador, o cinema precisa de imagem e som e ficaria muito complicado exibir um filme em que grande parte estaria tudo escuro. Lógico que existem formas de passar esse sentimento, mas nesse caso o filme não aposta em narrativas inovadoras, acabando por ficar nos clichê.

Não quero dizer que o filme não tenha coisas boas. Sandra Bullock está ótima no papel e as cenas de tensão são realmente bem dirigidas. A diretora Susanne Bier (Brothers) consegue entregar cenas bem angustiantes em certos momentos. É uma pena que o resto do cast não seja assim tão bom e que o suspense vai perdendo força com a duração do filme. No começo o terror é bem mais psicológico e misterioso, mas o filme sente uma necessidade de dar um visual para os “monstros” que me incomoda, na sua tentativa de ser sutil acaba mostrando mais do que deve.

O filme também tem um sub-texto interessante, mexe com temas como maternidade, proteção e liberdade de formas interessantes. Você entende muito bem a jornada e evolução da personagem de Sandra Bullock. Todo o uso de pássaros no filme serve como um símbolo de liberdade para mostrar que aquelas pessoas não são mais livres e também para fazer um paralelo com pais que são super protetores e não deixam seus filhos saírem de casa. Sandra Bullock consegue carregar bem o filme e a direção nas cenas de suspense é bem tensa e angustiante. Uma pena que o filme começa bem melhor do que termina.