A DC continua na sua jornada para lançar mais um grande filme no cinema. Depois de alguns poucos acertos e muitos erros, agora é a hora de Aquaman chegar às telonas pelas mãos do diretor James Wan (Invocação do Mal). Confira nossa crítica sem spoilers.

Aquaman conta a história de Arthur Curry (Jason Momoa), filho de um faroleiro humano com a rainha do reino aquático de Atlantis (Nicole Kidman). Depois de adulto, Curry atua como o herói Aquaman e acaba sendo tragado para as disputas políticas do reino de sua mãe. O herói então se junta com Mera (Amber Heard) para enfrentar seu meio-irmão (Patrick Wilson) que deseja invadir a superfície.

É difícil resumir a sinopse do filme em poucas palavras porque ele possui muitos plots e um mundo submerso enorme para introduzir ao espectador. Muito desse universo, políticas e histórias são contados com um maravilhoso visual, mas infelizmente a maior parte da criação de mundo é revelada nos vários diálogos expositivos que a obra possui. Praticamente todos os diálogos do filme são para explicar alguma coisa daquele universo, algo que está acontecendo ou até mesmo de coisas óbvias que estão na tela, tudo isso geralmente com muita breguice na fala.

Por falar em brega, acho que é um dos principais adjetivos do filme, e isso não é totalmente ruim. O longa abraça a breguice e o absurdo do universo do Aquaman nos seus detalhes mais toscos. Passando desde o visual das roupas e armaduras, até os diálogos piegas ou nas cenas impactantes. A breguice funciona até certo ponto, mas em alguns momentos o filme se leva a sério demais. A todo momento eu me imaginava vendo uma Space Opera dos anos 50 só que com mais dinheiro.

E quando falamos em dinheiro temos que elogiar o que foi gasto em CGI neste filme. É, com certeza, um dos longas de super-herói mais bonitos que já vi. A direção de arte e character design do filme são de alto nível e ficam muito bonitos em tela, seja nas lutas muito bem coreografadas e criativas ou nos lindos cenários embaixo d’água. Mas nem só de CGI vive o filme, existem locações em diferentes países e é tudo muito bem fotografado na tela, com belas cores e um sentimento épico. Nesses momentos de caça ao tesouro e descobrimento de novos locais eu até senti uma vibe Uncharted.

Lá no começo eu falei que o filme possui muitos plots e uma história extensa, mas felizmente isso não é um problema. O ritmo do filme é bem tranquilo e você entende tudo que está acontecendo. Mas a quantidade de informação, mundos e criaturas que são apresentados é enorme, deixando um gostinho de quero mais para as continuações.

O elenco está bem e consegue entregar boas atuações dentro do roteiro cheio de falas ridículas e bregas. Jason Momoa usa seu carisma para interpretar um herói bruto e não muito inteligente, uma persona que não é muito comum em filmes de herói. Infelizmente, o filme precisa explicar tanta coisa que o seu herói fica meio sem motivação, você não entende direito por que ele se tornou um herói, apesar de entender o porquê dele entrar na jornada apresentada. Patrick Wilson também entrega um bom vilão na medida do possível. Ao que parece, todos os atores abraçaram a pieguice para contar essa história da melhor forma possível.

Aquaman é um filme de herói com cenas de ação divertidas e criativas, uma fotografia linda e uma direção de arte que salta aos olhos. O longa possui uma trilha sonora meio desconexa, com temas que lembram John Williams, outros que brincam com Senhor dos Anéis e até mesmo uns synthwave ali no meio (que ficou muito bom, por sinal). O diretor James Wan conseguiu fazer um filme com um ótimo ritmo e colocar muita informação dentro da história. Com direito até a incluir uma ceninha com jump scares e clima mais de terror, que é sua principal marca. O filme peca quando tenta ser romântico e nos seus diálogos expositivos, mas é uma ótima pedida para se ver no cinema.