“Com Amor, Simon” consegue, com sutileza, trazer quem assiste a refletir um pouco sobre o “diferente”

Com Amor, Simon (Love, Simon), adaptação do livro “Simon vs a Agenda Homo Sapiens” com a direção para as telas de Greg Berlanti, tem como principal narrativa um jovem estudante do ensino médio que leva uma vida normal com sua família e amigos, tendo as primeiras experiências dessa fase (aquela típica história de um filme adolescente americano). Porém, ele guarda um segredo. Ao assistir o longa, pode-se sentir quase uma conexão com Simon (Nick Robinson) quando ele se dirige exatamente pra quem está assistindo, “eu sou como você”.

O Ensino médio para muitos é uma fase de descoberta, onde desejos guardados desde a infância, podem vir à tona. Um texto publicado por uma pessoa anônima, num blog utilizado pelos alunos da escola,  traz a revelação de alguém que se assume homossexual. A partir daí, consegue-se identificar o segredo de Simon, que também é gay e vê uma oportunidade de compartilhar com alguém pela primeira vez o assunto.

O longa tem um roteiro simples, leve, mas traz ao debate assuntos como estereótipos criados, a aceitação da família, o medo de se revelar e qual a necessidade disso, ver a homossexualidade, ainda nos dias atuais, como algo diferente e não simplesmente normal. O ponto alto do filme é exatamente esse, o diálogo que o protagonista tem, não somente com ele mesmo ou os demais personagens, mas sim, diretamente com quem está assistindo, indagando sobre o que é considerado normal e o que é ser diferente, qual a necessidade de uma atitude para uns e não para outros.

O longa traz o reflexo de uma história real de um jovem normal. Ele é alguém que se apaixona, que se descobre, que deseja ser correspondido, que tem amigos, e a propósito, o filme traz uma química muito boa entre eles, ganhando pontos positivos com a atuação do elenco que vem com nomes como Katherine Langford (13 Reasons Why), Alexandra Shipp (X-Men: Apocalipse), Keiynan Lonsdale (The Flash). Sem contar com a atuação de Nick Robinson, que nas cenas mais dramáticas, consegue transmitir o sentimento de alguém que passa por essa situação.

Apesar da história do filme ser focada em Simon, o longa mostra alguns personagens secundários, que têm uma importância muito grande, mesmo que sutilmente e com poucas aparições. O garoto que é assumidamente gay na escola, destacando o bullying que sofre por ser mais afeminado. Até mesmo o pai do protagonista, que acha que o filho é um jovem que se esconde no seu quarto pra ver fotos de mulheres nuas, criando uma tensão no personagem possível de se sentir. Esses papéis destacam ainda mais a proximidade que o filme tenta trazer, com reflexos de nós mesmos nas telas do cinema.

Em nenhum momento a trama coloca o principal  assunto como algo negativo ou inadequado, muito pelo contrário, ele traz a normalidade daquilo que era pra ser normal. Com Amor, Simon não é sobre ser mais um filme LGBT ou uma história voltada para esse público, é um filme sobre amor (como o próprio nome já diz), e mais do que isso, é uma história comum, como a minha e a sua.  

Com Amor, Matheus.

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